1 de setembro de 2010

Para ler: Frente de Tempestade

Harry Dresden é o melhor no que faz. Bem, tecnicamente, ele é o único a fazer esse trabalho. Então quando a polícia de Chicago se depara com um caso que transcende a criatividade ou capacidade humana, eles vem até Harry para obter respostas. O mundo cotidiano está na verdade cheio de seres estranhos e mágicos – e a maioria desses seres não se dão muito bem com humanos. É aí que Harry entra. Afinal é preciso um mago para agarrar – bem, qualquer tipo de coisa.Só existe um probleminha. Os negócios, para colocar em meio-termo, não vão nada bem. Então quando a polícia o chama para uma consultoria em um caso de duplo assassinato cometido com magia negra, a única coisa que Harry enxerga são os dólares que irá ganhar. Mas onde existe magia negra, existe um mago negro por trás dela. Agora esse mago conhece o nomer de Harry. E é então que as coisas começam a ficar um pouco… interessantes.
A série Os Arquivos Dresden, do escritor norte americano Jim Butcher é uma mistura de noir com o mundo sobrenatural. Em alguns (muitos) pontos, o livro me fez lembrar a série de televisão Supernatural - sem o drama familiar e horizontes apocalípticos.

Claro que eu só li o primeiro de (até agora) treze livros, então pode ser que o apocalipse apareça em algum ponto mais à frente. Quem vai saber?

Na verdade, em mais de um ponto da história de Frente da Tempestade eu passei por aquele sentimento de déja vu, de familiaridade com o plot e com os personagens. Não era uma simples questão de “eu acho que já vi isso antes”; mais de uma vez durante a leitura, enquanto vibrava com todas as escapadas de Harry, eu fiquei de boca aberta em como a forma da magia funcionar no mundo criado pelo Butcher faz sentido.

Não é fácil incorporar, da forma como o Butcher faz, de forma tão completa, a magia ao cotidiano dito comum. Só por essa, o Butcher já entraria na minha lista de favoritos; o fato de seu protagonista ser um mago algo cínico e azarado (e cheio de princípios por baixo do sobretudo) é um bônus.

Ok, vamos a história desse primeiro livro. Harry Dresden é um mago e possui um escritório que é uma espécie de firma de consultoria/detetive particular – o único em sua especialidade, aliás, listado nas páginas amarelas da lista telefônica. A história começa com Harry debatendo consigo mesmo como fará para pagar o aluguel daquele mês, e, quase que em seguida, dois casos praticamente caem em seu colo – o primeiro envolve o desaparecimento de um marido e no segundo, ele está colaborando com a polícia num caso de assassinato em que as vítimas aparentemente tiveram seus corações explodidos.

É, pois é... explodidos. Assim, bum!

Ao longo da história, Harry vai descobrir que coincidências não existem (apenas hitsuzen) e que tudo o que está acontecendo em Chicago por aqueles dias – incluindo uma nova e poderosa droga que, supostamente, é capaz de abrir a Terceira Visão de seus usuários – está interligado.

Entre mafiosos, escorpiões mágicos gigantescos, falhas técnicas de elevadores (e outros equipamentos eletrônicos que são afetados pelo campo da magia), demônios, um psicopata mexendo com as artes das trevas e um vigilante do Conselho de Magos respirando no seu pescoço e esperando você dar um passo em falso para poder separar sua cabeça do resto, Harry tem a agenda bem cheia.

Você quase não respira no livro todo. De um perigo mortal para outro, Dresden parece estar sempre em movimento, sempre com um novo perigo nos calcanhares e um novo enigma a juntar ao quebra-cabeça dos casos que está investigando.

Como já disse antes, passei boa parte da história com a sensação de déja vu. Tentei comparar Dresden com alguns dos detetives literários mais famosos, mas não cheguei a nenhuma conclusão. Depois pensei que tinha entendido quem é que ele me lembrava – com a carga de azar e quase encontros com a morte, ele parece Rincewind, de Terry Pratchett.

Mas ainda não era bem isso... forçando um pouco a memória, lembrei então da série de livros, adaptada para a televisão, Blood Ties de Tanya Huff – aqui temos um vampiro que na verdade é filho bastardo de Henrique VIII que colabora com a detetive Vicki Nelson em casos que envolvem o sobrenatural.

E ainda não era esse... Então, finalmente, quando olhei fixamente para a capa do livro por uns cinco minutos, eu me toquei porque a figura do Dresden me era tão familiar. É o chapéu e o sobretudo... do Van Helsing.


Posso dizer que eu seria totalmente a favor uma adaptação cinematográfica dos Arquivos Dresden com Hugh Jackman no papel principal?

Bem, uma série de doze episódios foi também produzida para a TV (com Nicholas Cage como um dos produtores) entre janeiro e abril de 2007, e já entrou para a minha lista de "vou assistir".

Resumo da ópera... para quem gosta de sobrenatural e romances policiais, a série de Butcher é um prato cheio. E, melhor que isso, a Editora Underworld está trazendo a série para o Brasil. Ai, meu deus, que até o fim do ano eu peço falência...
A Coruja


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2 comentários:

  1. Aqui a série foi exibida pelo canal Fox, e ainda me lembro de ver. Era interessante, dava graça ver.
    Não sabia que se baseava nesses livros. Entraram na minha lista de coisas para ler (se eu algum dia os conseguir encontrar).

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  2. Nossa, qd vc comentou desse livro eu já tive vontade de ler, mas agora... eu PRECISO ler! =P

    E quanto a ir a falência... Na vida só se dá jeito na morte, relaxa. ^^

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