30 de setembro de 2010

Clube do Livro (Setembro) - P.S.: Eu te amo



Guarde nossas maravilhosas lembranças, mas, por favor, não tenha medo de construir mais algumas.

Cecelia Ahern - P.S.: Eu te amo

Setembro foi mês de romances açucarados no Clube do Livro e a escolha na votação ficou por conta de P.S.: Eu te amo da Cecelia Ahern.

Passei a leitura me alternando em ficar com os olhos cheios d'água e rir sozinha das trapalhadas dos personagens. A história emociona, é aquela coisa açucarada, mas também pungente, por conta da questão da perda - o final é um pouco bocado diferente do que estamos acostumados nesse tipo de literatura, e isso é bom.


Até aí, tudo bem... enquanto lia a história, não estava muito preocupada em pensar sobre o alcance das decisões e ações da Holly. A coisa mudou de figura quando fechei a última página.

Eu não consigo gostar da Holly. Não consigo de verdade simpatizar com ela. É uma questão de personalidade; eu não consigo aceitar uma pessoa que seja tão completamente dependente de outra para firmar sua própria identidade.

Talvez isso seja uma coisa só minha; não sei.

Entendo que a Holly passou por um doloroso processo de perda; e nunca tendo perdido um ente extremamente querido, não tenho como me colocar nos pés dela. De uma forma ou de outra, cada pessoa lida com a dor de maneira diferente e, ainda que eu já tivesse passado por essa experiência, dificilmente teríamos as mesmas reações.

A questão é que essa dependência da Holly não é uma coisa que acontece após a morte do Gerry - mais de uma vez, ao longo do texto, ela afirma e repete que toda sua existência era voltada para ele; que não havia nada em que ela fosse boa, além de ser "esposa do Gerry".

Essa é a definição da Holly, ou, pelo menos, a impressão que eu tive dela. Ela não é uma pessoa independente, ela não tem nenhuma realização pessoal, nada que diga "esta sou eu". Ela nunca foi sua própria pessoa. Ela não fez faculdade - para ela estava suficiente se formar no secundário e ser esposa do Gerry.

Como já disse, não consigo aceitar ou concordar com isso. Prezo minha independência acima de tudo e certamente nunca vou querer ser lembrada como "a esposa de fulano", mas como Luciana, aquela maluquinha que estava sempre com o nariz enfiado nos livros e gostava de falar difícil e ter idéias mirabolantes. Posso não ter sucesso naquilo que eu eventualmente escolha fazer, mas será uma escolha minha, algo que farei por mim.

Talvez, se a Holly tivesse usado as cartas do Gerry, esse tempo de luto, para sair em busca de sua própria identidade, para encontrar a pessoa que ela era; ela, sem o Gerry, eu a teria respeitado mais.

Admiro profundamente a paciência da Sharon; por mim, eu teria dado uns tapas na Holly em mais de uma ocasião.

Engraçado é que eu tinha gostado do filme. Talvez porque no filme a Holly não choramingue tanto o tempo inteiro e porque, eventualmente, ela sai em busca de uma identidade para ela. Ela demonstra criatividade... fora que é simplesmente impagável ela cantando Judy Garland, The Man that Got Away (mas eu ri...).




Ou talvez seja porque eu estava muito ocupada babando no Gerard Butler...

Realmente, não acho que a Holly teria conseguido sair do buraco sem a ajuda das cartas, por tudo o que já disse antes... A idéia do Gerry foi perfeita porque ele conhecia, no final das contas, a mulher que tinha. Ele sabia que ela não conseguiria sozinha - o que só enfatiza esse vínculo quase parasitário da Holly sobre ele, essa dependência total.

De resto, eu me diverti imensamente com a família da Holly - foi o que mais gostei do livro e queria que tivesse sido mais trabalhado, especialmente em relação ao Jack. Mas da forma como está no filme - e acho que essa é uma das principais divergências entre as duas mídias - funciona bem; eu gostei do relacionamento que ela tem com a mãe ali, e do trauma pelo abandono paterno.

Como disse, essa é uma das principais divergências do filme. A outra é a forma como Holly e Gerry se conhecem - no filme, ela fez uma viagem para a Europa depois de formada, e é outro dos pontos em que demonstra bem mais personalidade que sua contraparte literária (falando sério, a Holly do livro tem toda a personalidade de uma samambaia).

Nesse aspecto, o filme mandou bem, porque dá a entender que a Holly se perdeu em algum ponto do caminho; mas que já foi uma pessoa interessante, que pensava por si mesma, senhora do próprio nariz, definindo-se em função de si mesma, e não de uma outra pessoa.




Particularmente, esse é um daqueles casos em que preferi a adaptação ao livro, embora, se for parar para pensar bem, ambos falham nessa questão da relação saudável de não dependência. Mas vá lá, o livro conseguiu me fazer rir loucamente e chorar como um bebê, então acho que alguma coisa a Ahern fez certa, não é? Não vai entrar para meus favoritos, mas valeu a leitura.

Outubro no clube do livro é o mês das bruxas... vamos ver qual vai ser a leitura desse mês...



A Coruja


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2 comentários:

  1. Um excelente filme. Minha humilde resenha:

    http://cinemagia.wordpress.com/2008/08/25/resenhas-p-s-eu-te-amo/

    Um abraço
    Tommy
    http://cinemagia.wordpress.com

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  2. e pensar que tem quem ache esse tipo de situação romântico :o|

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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