5 de junho de 2009

Para ler: Night World 01




O Mundo Noturno não é um lugar. Ele está todo ao nosso redor. As criaturas do Mundo Noturno são belas e mortais e irresistíveis para os humanos. Seu melhor amigo pode ser um – assim como sua paixão secreta.

As leis do Mundo Noturno são muito claras: humanos nunca devem aprender sobre a existência do Mundo Noturno. E membros do Mundo Noturno não devem nunca se apaixonarem por humanos. Viole as leis e as conseqüências são terríveis.

Vampiros, lobisomens, bruxas, troca-formas – eles vivem entre nós sem nosso conhecimento. O Mundo Noturno é sua sociedade secreta, uma sociedade secreta com regras muito estritas. E apaixonar-se quebra todas as leis do Mundo Noturno.

(Night World volume 01 – L. J. Smith)


A pergunta que não quer calar é, provavelmente, onde é que eu encontro esses livros obscuros que quase ninguém ouviu falar por essas terras abaixo do Equador. Bem, eu costumo ir nas livrarias da cidade, me sentar e olhar tudo o que tem de novo por lá. Eu recebo emails do Fanfiction.net alertando novas histórias de autores que li muito tempo atrás e descubro que eles começaram a escrever uma fantástica história baseada num livro de que nunca ouvi falar. Eu os encontro por acaso em fóruns que freqüento por aí. Volta e meia, encontro um pequeno tesouro na pilha de “fast-food” literário que parece imperar por aí.

Descobri a série Night World através de um fórum sobre vampiros. Estava pesquisando algumas coisas para escrever e dei de cara com a resenha de Secret Vampire, o primeiro dos dez livros que compõem a coleção.

A princípio, eu quase caí da cadeira de rir do título, no melhor estilo romance de banca de ser. O Vampiro Secreto era, realmente, uma coisa no mínimo, divertida. Saí catando mais informações, cheguei a um site com os resumos dos livros e dos personagens... E, de repente, não mais que de repente, eu precisava desesperadamente colocar minha mão nesses livros.

Lá vou eu catar nos sites onde usualmente baixo os livros que quero ler, mas não havia nada de Night World (embora eu tenha encontrado a série The Vampire Diaries que, de acordo com minhas pesquisas, é o grande ‘hit’ da Lisa Jane Smith). Passo à Saraiva então e encontro uma edição com os três primeiros livros da série em um único volume.

Estava barato, eu tinha desconto no cartão fidelidade e eis que encomendo o danado. O prazo de entrega era de sete semanas, mas, surpreendentemente, chegou em duas. No meio tempo, apareceu Secret Vampire para baixar em português, mas aí eu já tinha encomendado mesmo e preferi ler no papel.

Devorei as 730 páginas do livro em um final de semana – esses dias estive indo dormir mais de meia-noite porque simplesmente não conseguia deixar de ler. E hoje, depois de teimar com um atendente da Saraiva para que ele conseguisse os outros volumes para mim, acabei fazendo a encomenda pela Cultura.

Ok, então, essa será uma resenha em três partes – quatro, se o último livro que está previsto para ser lançado esse ano sair mesmo. Como só tenho o primeiro volume aqui, não posso falar nada das outras histórias, mas creio que elas serão tão apaixonantes quanto as primeiras com que tive contato.

A primeira coisa a saber sobre Lisa Jane Smith é que ela escreve despretensiosamente. Ou, ao menos, é assim até o começo do Apocalipse; como ainda não li nenhum dos livros em que se inicia a busca pelos Wild Powers, não tenho como dizer. O caso é que, ela não te enrola com grandes construções sintáticas e referências religiosas. Em vez disso, ela escreve de forma fluida e simples, o que só acrescenta à sua atração.

Colocar no centro de suas atenções um conceito como o “princípio da alma gêmea” foi um risco. Basicamente, a idéia do soulmate principle é a seguinte: ela é uma teoria do Night World que sugere que cada pessoa tem uma alma gêmea, uma única pessoa que é perfeita para ela e é seu destino. Sua alma gêmea seria alguém com quem você compartilhasse uma profunda conexão e com quem você compartilharia pensamentos com um único contato.

Isso não significa que você seja obrigado a ficar com sua alma gêmea, nem que você vá encontrá-la necessariamente. Em Spellbinder, Thea observa que essa é magia antiga e se surpreende que ela esteja reaparecendo (provavelmente um efeito colateral da proximidade do Apocalipse...). Em Daughters of Darkness, Rowan observa para a irmã mais nova quando Jade insiste que ela e Mark são almas gêmeas que o que eles tinham era um amor puro, inadulterado pela magia e que ela deveria se sentir feliz por isso.

A verdade é que, sim, uma vez que você tenha encontrado sua alma gêmea, você se sentirá inevitavelmente atraído e conectado por ela, mas a escolha, ao final, é sua; você tem o livre-arbítrio (e chegaremos a isso mais adiante).

Talvez seja melhor explicar isso com os exemplos de cada livro antes que eu embaralhe a cabeça de vocês...

Apesar do título meio ridículo, Secret Vampire é uma excelente história. Tudo começa no início das férias de verão, com a protagonista Poppy fazendo planos e mais planos, enquanto tenta ignorar uma estranha dor no pé da barriga que a acompanha já faz quase um mês. Ela não consegue mais esconder de sua mãe, porém, quando quase desmaia na cozinha, que a leva quase que imediatamente ao hospital onde, feitos os devidos exames, sai o diagnóstico: câncer no pâncreas.

Esse tipo de câncer é um dos que tem maior índice de mortalidade, pois de difícil diagnóstico e silencioso; quando vem começar a aparecer sintomas, a doença já está avançada. Para completar, Poppy está com metástase, o que significa que ela tem alguns meses, talvez semanas de vida.

É aí que entra James.

James é o melhor amigo de Poppy desde que eles eram crianças. E é, também, um vampiro.

Ok, eu sei que você deve estar se perguntando “ele é um vampiro e eles se conhecem desde que eram crianças?”. Por isso, vamos abrir um parêntesis (o primeiro de muitos...) para explicar sobre os vampiros em Night World.

Vampiros continuam bebendo sangue e sendo imortais, podendo se curar de qualquer ferida, exceto por aquelas infligidas por madeira – as estacas são, portanto, bastante eficientes. Vampiros também podem morrer queimados.

Eles se movimentam mais rápido, vêem melhor e escutam melhor que os humanos. Podem ainda controlar mentes, apagar memórias... a luz do sol, embora não lhes seja prejudicial, afeta seus poderes, deixando-os um pouco mais enfraquecidos.

Há dois tipos de vampiro no Night World. Os lamia nascem vampiros; são descendentes da primeira vampira, Maya e são capazes de ter filhos e de ficar mais velhos, parando o processo de envelhecimento quando quiserem (embora, se quiserem voltar a envelhecer, seu corpo irá ‘acelerar’ até a idade que ele deveria ter se não tivesse se congelado no tempo).

James, obviamente, é um lamia, já que Poppy o conheceu criança e eles praticamente cresceram juntos.

O segundo tipo de vampiro é daqueles que nasceram humanos e foram transformados ao compartilhar do sangue de vampiros. Diferentemente dos lamia, eles não envelhecem e não são capazes de ter filhos. São, invariavelmente, transformados bem jovens, visto que o corpo humano totalmente maturado não suporta as mudanças necessárias durante a transformação.

Ok, então... voltando à história. Poppy está morrendo de câncer e James tenta encontrar alguma forma de salvá-la. A bruxa que ele procura diz que não há nada que se possa fazer. Quando ele visita seu pai (que é, ironicamente, um terapeuta), este apenas observa friamente que James pode terminar com a vida de sua amiga para que Poppy não sofra demais.

É quando James decide transformá-la. E, já que ele vai mesmo quebrar a primeira lei e revelar sobre Night World, no processo criando uma vampira ilegal, não há nada mais justo que reconhecer os sentimentos que ele passou a última década reprimindo: não há ninguém com quem ele se importe mais no mundo que Poppy e, sim, ela é a alma gêmea dele.

Até então, James evitara agir nesses sentimentos especialmente por seu passado meio traumático – quando criança, ele tinha uma babá humana, a qual ficou muito apegado. Seus pais, achando que isso não era muito recomendável, levaram-no para umas férias e, por esse tempo, mantiveram-no sem se alimentar. Quando voltaram para casa, os pais mandaram a babá para junto dele e, louco pela sede, James a atacou.

Quando percebeu o que tinha feito, ele tentou transformar a mulher em vampira. Mas, antes que pudesse fazê-la beber o suficiente de seu sangue, seu pai voltou, impedindo-o. Isso fez com que ela passasse por uma espécie de transformação incompleta, transformando-se num cadáver ambulante em decomposição, até que seu pai a enterrou.

Que coisa, não?

James consegue convencer Poppy a se tornar uma vampira... mas aí entra Phil, o irmão mais velho de Poppy na história... e, mais tarde, Ash, o primo meio maligno de James. Não vou contar muito mais que isso para não estragar a história para quem quiser ler. Em todo caso, Secret Vampire serve para dar um panorama geral do que esperar a seguir.

E assim, chegamos a Daughters of Darkness, estrelando o malicioso e muitas vezes cruel Ash Redfern (que fez uma ponta no primeiro livro ‘seqüestrando’ a Poppy e dando em cima dela, deixando James furioso).

Tudo começa com Rowan, Kestrel e Jade Redfern, irmãs de Ash, fugindo de casa e indo parar num final de mundo chamado Briar Creek, no Oregon. Elas procuram a tia, Opal, que há muitos anos deixou também o Night World para trás, sendo considerada uma traidora da família. Quando chegam lá, contudo, encontram a tia com uma estaca no peito, morta.

Depois de uma grande discussão, elas decidem enterrar a tia e ficarem por ali mesmo. Contudo, acabam sendo vistas de longe por sua vizinha, Mary-Lynnete, que está numa colina ali perto observando estrelas com seu telescópio.

Mary-Lynnete, movida pela curiosidade e intuição, começa a investigar as irmãs Redfern... no processo, seu irmão, Mark e Jade, a caçula das três recém-chegadas, se apaixonam. Ash surge para investigar o que aconteceu e carregar as irmãs de volta, nem que seja à força (ou usar de meios mais extremos, se necessário).

Não demora muito para que Mary-Lynnete e Mark descubram a verdade sobre a morte de Opal Burdock ou que suas novas vizinhas são vampiras. Num acordo para que os humanos protejam o segredo e as vampiras não matem ninguém, eles participam de uma cerimônia, tornando-se assim irmãos de sangue.

Nesse meio termo, Ash e Mary-Lynnete se conhecem e, no momento em que se tocam, fogos de artifício estouram entre eles. Ash reconhece a ligação imediatamente. Mary-Lynnete, por sua vez, expulsa-o de casa aos chutes.

Enquanto tenta encontrar o assassino da tia Opal e das cabras (eu quase tive uma crise de riso ao fazer a ligação com os chupa-cabras...), convencer Ash a deixar as irmãs em Briar Creek, e lidar com seu irmão apaixonado, Mary-Lynnete aos poucos percebe que o vampiro metido pode ser exatamente aquilo que ela sempre quis em alguém a vida inteira: a pessoa com quem poderia compartilhar a noite e as estrelas, sua maior paixão.

Se Ash conseguirá ou não convencer Mary-Lynnete de que é capaz de mudar seus pontos de vista – considerando humanos como vermes e flertando como se não houvesse amanhã, isso vocês só descobrirão lendo.

Chegamos então a Spellbinder, o terceiro livro da saga e último no volume 1. A história gira em torno de Thea e Blaise Harman, bruxas e descendentes diretas de Hellewise, a irmã de Maya, a primeira vampira.

As duas são primas, mas, tendo perdidos ambos os pais muito cedo, foram criadas pela avó, que é também a principal figura da Trindade que governa sobre a sociedade dos bruxos, Edgith Harman. Thea é do círculo Twilight, que significa que utiliza magia branca, enquanto Blaise é do círculo Midnight, que utiliza magia negra. Apesar de serem como luz e escuridão – Hellewise e Maya, as duas se tratam e se amam uma a outra como irmãs.

Tendo sido expulsas quatro ou cinco vezes por causa das confusões que Blaise costuma armar com garotos, a história começa com as primas em seu primeiro dia de aula numa escola nova. Ao chegarem, um grupo de alunos está provocando uma cobra e Thea imediatamente tenta proteger o animal, alcançando sua mente... até ser tirada do meio de um bote certeiro por Eric, que, por sua vez, é picado.

Thea cura a picada da cobra com magia, confundindo-o para que ele não perceba o que ela fez. Apesar disso, Eric é capaz de perceber que há algo de diferente nela... e quando eles se tocam...

Princípio das almas gêmeas, claro. Pesquisando um pouco do que eu ainda não li, descobri que esse súbito boom de pessoas do Mundo Noturno apaixonando-se irrevogavelmente por humanos tem a ver com o despertar dos Antigos Poderes, a proximidade do Milênio e a ameaça do final do mundo.

Só para termos de curiosidade... os primeiros livros da série Night World foram lançados em 1996. O décimo e último livro está previsto agora para 2009, revelando se o círculo Daybreak conseguiu encontrar e proteger todos os Wild Powers, ou o mundo está bem ferrado com todos aqueles dragões bombardeando as cidades como se fossem ogivas nucleares...

Em suma, naquela época, estava todo mundo esperando pelo fim do mundo ao final de 1999. O que me faz lembrar X/1999 com suas profecias, e os Dragões da Terra contra os Dragões do Céu.

Estou me adiantando e enrolando como sempre e esse post já alcançou a quinta página no Word. Vamos voltar às bruxas e Eric.

Bem, Blaise decide que seu novo ‘toyboy’ será o próprio Eric... Thea, ao perceber a possibilidade (ou a certeza) de que ele seja sua alma gêmea está desesperada com visões de julgamento e tenta, de todas as formas, afastar-se dele, até perceber que, se não intervir, a prima irá destruir o rapaz.

Querendo ou não, Thea acaba por se aproximar de Eric. A paixão em comum por animais e a natureza tranqüila e pacificadora deles faz com que sejam um casal perfeito. Thea se vê cada vez mais apaixonada pelo rapaz e ele mesmo está simplesmente encantado por ela.

E, apesar de ser um cara bastante racional, quando descobre sobre Thea, Eric não duvida nem por um momento dela. Mais interessante é que, apesar de todos os feitiços de amor que Blaise tenta colocar sobre ele e mesmo que Thea tenta fazer para fazê-lo se apaixonar por outra e assim protegê-lo de uma morte certa – a sentença para qualquer um que quebre as leis de Night World – em nenhum momento ele sequer hesita em seus sentimentos.

Quando descobre por Thea que Eric pode ser sua alma gêmea, Blaise também percebe o perigo sob o qual Thea está e decide conquistar o rapaz e destruí-lo para salvar aquela que considera sua irmã. Na tentativa de tentar protegê-lo dos encantamentos de Blaise, Thea acaba por soltar um antigo e vingativo espírito... and all hell broke loose.

O próximo livro deve chegar daqui a umas cinco semanas (ou, pelo menos, essa é a previsão). Quando eu terminar o segundo, continuo minha análise da Lisa Jane Smith. Para quem se interessar, o primeiro livro da série Night World foi traduzido pela equipe do site Romances Sobrenaturais e pode ser encontrado para baixar bem aqui.


A Coruja


p.s.: para quem ficou curioso, aconselho uma visita ao site da Lisa Jane Smith, que vocês podem encontrar aqui. Há um monte de extras, incluindo galeria de imagens, histórias inéditas (inclusive com personagens de Night World) e acesso ao blog pessoal da autora, com atualização do andamento dos livros entre outras coisas.


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