16 de agosto de 2017

Conversas Sobre o Tempo: La, la, la, aqui, tome uma dose de xarope!


Ontem de tarde eu estava fazendo uma lista de pendências para resolver hoje: escrever uma crônica sobre liberdade de expressão e discurso de ódio; um artigo sobre jurisdição médica e uma resenha de Enraizados (pelo andar da carruagem, estava partindo do princípio de que a essa altura já teria terminado de ler o livro). Ia ser uma pessoa responsável e acordar cedo para caminhar no entorno do prédio e levar sol - fiz exame de sangue semana passada e deu uma leve deficiência de vitamina D - e depois ia voltar pra casa e começar a trabalhar.

Exceto que no meio da noite acordei zonza e sem conseguir respirar e depois de passar boa parte da madrugada tentando encontrar uma posição em que eu não me sentisse morrendo por asfixia, levantei pela manhã com olheiras profundas, sem voz e com a disposição de um zumbi num deserto sem cérebros. D. Mãe, claro, tratou do assunto com uma talagada de xarope e cá estou eu meio bêbada, sem saber se durmo, se escrevo, se olho pela janela.

Eis então que decidi vim conversar com vocês sobre o tempo. Porque, como todo bom leitor de romances sabe muito bem, o tempo é o melhor assunto possível quando você não sabe bem por onde começar. Nada como um pouco de meteorologia para quebrar o gelo!

Então que depois de dois meses de quase intermitente chuva e cotação de preço para botes salva-vidas e/ou canoas, Recife finalmente voltou a ter céu azul e sem nuvens. Tivemos dias cinzentos de frio - e temperaturas abaixo dos vinte e cinco graus em pleno nordeste é frio sim (se bem que no sertão chegou a 12ºC? Como isso é possível???) - e orações para a pomba de Noé, mas, bem, isso meio que acontece todo ano. Durante todo o inverno recifense, não dei nem um único espirro, mas agora que as temperaturas começaram a subir, meu sistema imunológico decidiu sair de férias.

Na verdade, desconfio que isso se deve ao fato de que passei as duas últimas semanas em casa. Não, não estou de férias, mas o escritório está sendo reformado. Ainda que a poeira não tivesse me expulsado, a falta de móveis (e computador... e, sabe, paredes) fez esse favor. Minha sorte é que tenho o sistema com que trabalho no computador de casa e, tendo o certificado eletrônico, posso protocolar minhas petições de qualquer lugar. Assim é que, nos últimos dias, minha sala de trabalho tem sido a mesa da varanda.


Nem parece que saí do escritório, afinal, minhas paredes lá também são de vidro (eu trabalho num aquário! Só que sem peixes. E sem vista).

Enfim, mesmo considerando o fato de que trabalhar de casa significa que estou trabalhando mais, não menos (porque não tenho hora para sair e aí fico sentada na mesa e avanço pelo dia sem olhar o relógio. Ou talvez trabalhar de casa me deixe mais produtiva, porque fato é que tenho feito mais prazos do que quando estou no escritório? Enfim... não importa...), meu corpo aparentemente recebeu o memo de 'sem trânsito! sem despertador! sem cartão de ponto!' e decidiu que agora que estávamos suficientemente relaxados, era hora de deixar os germes entrarem.

Viva os germes!

Não, sério, vocês já perceberam como sempre ficamos doentes naquela primeira semana de férias, quando colocamos os pés para cima e paramos? Ou talvez seja só eu e meu sistema imunológico deficiente de vitamina D, quem sabe?

Voltando ao assunto (tínhamos assunto?), trabalhando em casa, gripada, noite em claro, várias bolinhas de papel na cabeceira, chá quente para a garganta, xarope e o desejo dramático de dizer a todo mundo 'estou morreeeeeeennnnnndooooo', eis que me aparece uma notícia feliz. Celular apita avisando que um pacote saiu para entrega pelo correio. Demoramos um minuto para fazer sentido de tal fato, afinal, não estamos esperando nada pelo correio... Abro o aplicativo e descubro que o pacote que a Ísis enviou em março, e que, um mês atrás, depois de muitos telefonemas e reclamações no site dos correios, tinha sido dado como extraviado, saiu para entrega.

Milagre? Loteria? Papai Noel? Considerando a raiva que os correios me fizeram passar - foi um mês abrindo protocolo atrás de protocolo só para conseguir que eles me respondessem! -, nem sabia bem como reagir ao fato de que o pacote estava finalmente aqui. E, claro, também tinha (tem) o detalhe de que estava dopada de xarope para gripe, então minhas emoções estão todas muito confusas. Abri o pacote e me deparei com um pacote de soan papdi, um doce cheio de especiarias com uma textura parecida com as fibras da cana de açúcar, mas leve ao ponto de desmanchar na boca e outro pacote de rajma masala que parece ser uma sopa de feijão vermelho (ou o que quer que seja o equivalente indiano) num caldo de tomate, cebola e todos temperos e especiarias imagináveis. Quer dizer, se entendi direito as informações da caixa, tem pelo menos três tipos de pimenta nesse negócio? Talvez mais? Além de outros tantos (ardidos) componentes?


Ísis, obrigada por encontrar pacotes com explicações e lista de ingredientes em inglês, assim eu pelo menos saberei exatamente o que me matou quando eu terminar de comer. Os doces com pacotes em japonês são... intraduzíveis e sempre fico na expectativa da surpresa que aparecerá à primeira mordida (nunca me esquecerei da bizarra experiência do cookie de chá verde), mas em inglês, fica bem mais fácil. Pretendo experimentar a sopa (é uma sopa?) ainda hoje, para ver se ela queima minha gripe com o furor de tantos temperos. Com sorte, terei fumaça saindo pelas orelhas. O ardor cozinhará meu cérebro e minha transformação em zumbi estará completa!

(Aliás, tenho de informá-la que não fiz um testamento e que, por isso, você não está nele... você estaria se eu tivesse um testamento, mas como não tenho, você não ganha nada me zumbificando, Ísis). (Ok, não, a despeito de todo o meus resmungos, tu sabes que te amo, né? Pode continuar me enviando comidas esquisitas dos lugares que tu visitas. Exceto insetos. Ou espetinhos de escorpião, não importa o quão gostoso você os tenha achado).

Enquanto a Ísis bate perna pela Ásia, esse ano dei só uma fugida no São João, quando fui com meus pais ao Uruguai. Curiosamente, pegamos mais frio no retorno para Recife do que nos dias que passamos por lá (voltando ao assunto da metereologia). Achei Montevidéu uma cidade extraordinariamente calma, na verdade, D. Mãe voltou boquiaberta com o fato de que bancos e joalherias têm portas abertas para a rua e nenhum segurança armado à vista e essa provavelmente foi a maior diferença que sentimos em relação ao Brasil. Além do fato de eles beberem quantidades copiosas de chá mate e só comerem carne e batata frita.


Agora no fim de setembro, devo ir a um congresso em Vitória, por ordens de chefíssimo e em outubro vou fugir por quatro dias inteiros para conhecer Curitiba. Mas estou planejando atravessar o Atlântico de novo no ano que vem, até porque tenho uma promessa para cumprir... Já estou começando a planejar roteiros, vejamos se a coisa dá certo...

Enquanto isso, processos e, olha só! Recebi uma nova responsabilidade no trabalho. Agora, aparentemente, sou responsável pela organização da pauta do site do escritório e a primeira coisa que fiz, claro, foi criar uma coluna literária. Usando a experiência do Coruja por lá...

Ok, acho que deu por hoje de assuntos aleatórios, não é? Vamos para a cozinha experimentar fazer a bomba-relógio apimentada que a Ísis me mandou e ver se isso ajuda a me recuperar da gripe. Mando notícias se sobreviver.


A Coruja


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