15 de julho de 2013

Quem Conta um Conto (Julho): O Conto da Ísis || Quase


QUASE

*Vou avisar antes de mais nada: NÃO LEIA SE TIVERES MENOS DE 18 (DEZOITO) ANOS!!! Conteúdo gráfico!

As costas dela arquearam quando ele se movimentou bruscamente. E de novo, e de novo. Cada vez que o moreno investia, a jovem movimentava-se na direção contrária para encontrá-lo. Essa repetição deu-se por várias vezes, expirações pesadas misturadas com o farfalhar de tecidos e a pronúncia ocasional do nome um do outro.

A jovem mal podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Ela honestamente só estava preocupada com os machucados que o rapaz levara do leão, este, por sua vez, enfurecido pela fome. Quando, antes de dormir, passara em sua tenda para ver se podia ajudá-lo, uma coisa levara à outra e lá estavam os dois, depois de anos trabalhando juntos, finalmente juntos. Mas as circunstâncias que levaram àquilo ainda eram suspeitas...

- Achei, por um instante eu achei... – ela pronunciou, as palavras saindo-lhe com dificuldade. Pensar não era nada fácil naquele momento... coerência, então, menos ainda. – Ah!

O peso do corpulento moreno em cima da ruiva já naturalmente tornava difícil sua respiração, mas o excesso de movimentos rápidos e sucessivos tornavam a tarefa ainda mais complicada.

Contudo, Mart a ouvira, apesar da turbulência em sua própria mente.

- Como? – ele perguntou, incerto a que ela se referia, e sem perder o ritmo, mas quase perdendo o fôlego. Respirar estava realmente ficando cada vez mais complicado.

Iyul precisou se concentrar mais um pouco para poder expressar-se. Todavia, a cada investida de Elliot, a tarefa apresentava-se crescentemente mais difícil, principalmente porque, cada vez que ele avançava nela, seu corpo todo era sacudido. Organizar pensamentos realmente não estava nada fácil.

Foi naquele instante que ela o sentiu parar e puxá-la pra si, forçando suas costas a deixarem o colchão já bastante suado. A conexão entre eles foi perdida apenas por alguns segundos, pois, assim que ele se sentou, a ruiva pôs um joelho em cada lado dos quadris dele, e, posicionando-se, conectou-os outra vez.

Um grunhido escapou de seus lábios ao sentir seu próprio corpo envolvê-lo, e Iyul abraçou fortemente a nuca rígida contra si. Logo em seguida, ela emitia outros sons, provocados pelos movimentos circulares do moreno na altura em que apertara a cabeça dele com seus braços.

- Ah! – ela gemeu, mas não resistiu.

Em pouco tempo, já haviam recomeçado a dança inicial. Dessa vez, contudo, era a jovem quem estava liderando. Erguia-se e voltava a sentar-se em seu colo, repetidamente, e, novamente, sentia seu corpo todo balançar a cada vez.

Mart também a ajudava, e ocasionalmente brincava com a pele alva da moça, ao mesmo tempo em que combinava seu ritmo ao da ruiva.

Ela estava completamente concentrada e acelerando seus movimentos, quando a voz dele cortou pela neblina de seus pensamentos.

- Iyul... – chamou.

A jovem ouvira, mas não era capaz de responder. Seu corpo todo estava centrado naquele ritmo.

O rapaz não a chamou uma segunda vez. Para atrair-lhe a atenção, o moreno apenas deslizou a mão pelo centro do abdômen alvo da trapezista. Devagar, rumou primeiro até o limite sul – onde uma parte dela escondia uma parte dele – e depois voltou a mão, como se tivesse em marcha-ré, passando pelo meio de dois volumes, pelo pescoço e, enfim, até a bochecha da moça.

Direcionando o olhar dela para si, e notando que, de fato, jovem realmente o estava vendo, recomeçou.

- Você confia... uh... em mim?

A surpresa de Iyul a fez diminuir quase o suficiente para parar. Ela sabia, contudo, que Mart não se referia àquele momento, mas ao que se passara no Circo God recentemente. Sabia que ele era alvo das suspeitas, como bem ficara claro naquela tarde. O próprio Yanvar, o diretor, indicara desconfiança, e os únicos que não passaram a olhá-lo esguiamente foram ela e Sentyabr, o Kloun .

Ele podia até não demonstrar – sempre fora o tipo de pessoa que tinha dificuldades de expressar-se, refugiando sempre à sua persona aparentemente indiferente – mas a ruiva já convivera tempo suficiente para decifrar pelo menos parte do mistério que ele era.

Não que isso fosse incomum. A maior parte dos integrantes daquele Circo ou estavam lá porque eram crianças de circo, ou porque carregavam passados dos quais fugiam, ou que queriam esquecer. Mart fazia parte da segunda ou terceira categoria, e era possível perceber isso apenas lançando um olhar de três segundos sobre ele...

Iyul sabia que aquela situação o incomodava. Na verdade, mais que o incomodar, aquilo estava acabando com ele pouco a pouco. Provavelmente fora por isso que ela foi capaz de quebrar naquela noite as paredes que sempre o rodeavam.

E, sim, ela confiava nele... e queria desesperadamente transmitir isso.

- Ah!

Mas tudo o que conseguiu externar ante à pergunta foi outro gemido quando ele a puxou pelos braços para baixo. Um calafrio percorreu-lhe dos pés à ponta-cabeça, seguido por uma sensação de fogo, e ela se inclinou contra o rapaz, como se buscasse algo que a ligasse à realidade.

- O leão... – ele começou novamente, mas não expressou muito antes que um grunhido substituísse o que quer que fosse dizer...

A ruiva lembrava vagamente de ter discutido o assunto àquela tarde, quando Aprel se aproximara. A morena dos cabelos cacheados era a única de todo o Circo God que ainda ia começar a lavar suas roupas, enquanto todos já estavam pendurando as suas ou acabado. Se não fosse o calor absurdo daquele verão, mesmo que a equilibrista terminasse em cinco minutos – coisa que ela não faria – não daria tempo de secar naquele dia. Todavia, naquela temperatura, que não reduzia muito à noite – secariam de qualquer forma.

Ainda assim, antes de cuidar das suas coisas, é claro que ela precisava ter se aproximado de Mart e Sentyabr, que conversavam um pouco separados dos outros aos pés do vagão dos homens, e praticamente o acusara, sob o nariz de Yanvar.

Aprel tinha uma forma toda especial de fazer tais crueldades sem nunca deixar cair o sorriso tenro com o qual era abençoada. Olhando um pouco afastada, Iyul não teria acreditado que a morena cometeria tamanha injustiça – e sem prova alguma – se não tivesse ouvido e visto ela mesma.

- Talvez seja melhor deixar a alimentação dos leões a cargo de outra pessoa, por via das dúvidas, não acha? – a outra terminara, um sorriso enorme, capaz de enganar qualquer um, antes de se afastar e enfim cuidar de sua vida.

Ao lembrar-se disso, uma lágrima percorreu seu rosto, e a ruiva desacelerou seu ritmo. Mart imediatamente notou a diferença, e fitou-a apenas por alguns segundos antes que seus dedos também traçassem o caminho salgado.

O subir e descer tornados um pouco mais lentos, mas não parados, Iyul virou um pouco o rosto e beijou o antebraço do rapaz por todo o caminho que as cicatrizes enormes trilhavam... As cicatrizes que provavam o quão diligente esse homem trabalhava há anos com aquelas feras.

Aqueles mesmos braços salvaram a vida de uma criança dias antes, mas não haviam sido o suficiente para salvar as outras duas que haviam, de alguma forma, aventurado-se dentro da jaula de um leão ainda inexplicavelmente faminto.

Quando mais uma lágrima desceu-lhe a bochecha – uma lágrima de pesar por ele –, a moça viu-se mais uma vez puxada. Em um movimento fluido, Mart deslizara para fora de seu corpo, e também já não se encontrava mais abaixo dela. Num piscar de olhos, a ruiva fora jogada na cama de bruços.

Sem que pudesse entender o que acontecera, contudo, a trapezista sentiu o peso e o calor do corpo musculoso e suado sobre o seu, quase a esmagando. Ao mesmo tempo em que era abraçada por trás, sentiu a parte dele que ela mesma envolvia momentos antes encostar-lhe, como se batesse à porta querendo voltar pra casa.

Traçando pequenos beijos em seus ombros alvos, e segurando-a ali, o moreno desceu o braço até a área imediatamente abaixo do umbigo da jovem, e puxou aquela parte um pouco mais alto. Dessa vez, foi sem qualquer aviso que Mart a preencheu, e ela quase gritou.

Quase.

Exceto pela forma como ele continuara a depositar beijos em suas costas e pescoço, cada vez que ia e voltava.

Exceto pela mão que, antes a silenciando, agora descia fantasmagoricamente pela lateral da ruiva, lentamente.

Exceto que, cada vez que Mart a sacudia, as coxas dele, entre as dela, abriam mais um pouco o ângulo, tornando-a mais acessível a cada movimento.

Exceto que ela o amava.

Aquela combinação de fatores lentamente a fizeram incapaz de pensar em qualquer outra coisa, exceto o turbilhão de sensações que ele lhe provocava. A jovem enfim se permitiu afundar naquele poço de emoções, deixando que seu corpo a guiasse, e não sua cabeça, que já estava temporariamente inativa.

Suas mãos, que apertavam com força os lençóis, serviram como apoio para que ela pudesse ajudá-lo. Fazendo-as de alavanca, Iyul empinou-se levemente, mais foi o suficiente para arrancar de ambos um grunhido. Ela se mexeu de novo, e de novo. Cada vez que o rapaz investia, a trapezista combinava seus movimentos aos dele.

Em pouco tempo, ambos estavam completamente dominados por uma sensação de ardor, que renovava a cada passo daquele ritmo, começando do centro de cada um, descendo até às pontas dos pés, e depois subindo ao último fio de cabelo na cabeça.

Eles estavam quase lá.


A Elefanta


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