8 de julho de 2011

Na sua estante: sempre junto





#071: Sempre Junto
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Quando ela despertou, os créditos finais já rolavam na tela. Esfregando os olhos, Penélope ergueu a cabeça do ombro de Arquimedes.

- O que você está fazendo?

- Desculpe, eu te acordei? – ele se voltou para ela com um meio sorriso.

A mulher meneou a cabeça.

- Perdi mais da metade do filme. – com um meio suspiro, ela se aprumou no sofá – Por que você está escrevendo num guardanapo?

- Bem, eu teria de acordar você para conseguir levantar e buscar papel... Tive de me virar com o que estava mais próximo. – Arquimedes levantou o guardanapo à guisa de explicação.

- E o que era tão importante assim para você ter de anotar num guardanapo porque não podia esperar até alcançar o papel? E você podia ter me acordado...

- Eu estava tentando entender o filme. Eram tantos encontros e desencontros que precisei fazer um esquema para acompanhar toda a história. Quer dizer, L gosta de T, que é a melhor amiga de G, que por sua vez ama L, que é irmão de M, de quem B gosta. Como T não quer saber de L, L fica com G, mas depois se separa e G é consolada por B que também levou um fora de M e os dois ficam juntos no final. Cheguei à conclusão de que roteiros de comédias românticas adolescentes podem ser tão complicados quanto os níveis de relacionamento em Guerra e Paz.

Penélope arqueou uma sobrancelha.

- Eu não sei se fico pasma com seu interesse ou feliz por ter perdido quase todo o filme dormindo.

- Bem, meus alunos são adolescentes, eu preciso ter pelo menos uma idéia do que eles estão pensando para poder saber como lidar com eles.

- Você provavelmente é o único professor que conheço que pensa assim. – Penélope observou, bocejando mais uma vez.

Sorrindo de lado, Arquimedes beijou-a na testa, para então se levantar, tentando não tropeçar em Heitor, que tinha se escarrapachado sobre seus pés mais cedo.

- É melhor eu ir caminhando, ou vou começar a pensar que é por minha causa que você sempre dorme no meio dos filmes.

- Por que você não dorme aqui?

Penélope arregalou os olhos tão logo percebeu o que acabara de fazer, enquanto Arquimedes fitava-a, ruborizando. Por alguns segundos, os dois permaneceram em silêncio, até Penélope respirar fundo e se levantar também.

Fazia meses que estavam juntos; não era nenhuma grande mudança, não? Quer dizer, eles passavam muito tempo juntos, e a essas alturas Arquimedes só voltava para casa mesmo porque era como o Adoniram Barbosa em Trem das Onze... Se bem que, por dona Roberta, ela não achava que houvesse muito problema, afinal, ela e sua mãe provavelmente já tinham decidido até as cores dos convites do casamento àquela altura...

- Você está falando sério? – foi ele quem primeiro quebrou o silêncio.

Bem, Penélope não achava que houvesse um melhor momento para dizer aquilo. E, sinceramente, estava ficando cansada de ficar adiando aquilo. Afinal, se não assumisse os riscos, nunca teria as recompensas – não podia passar o resto da vida dominada pelo medo de uma única relação ruim.

Estava na hora de exorcizar o fantasma de Leonardo.

- Eu acho que já ouvi dizer que quando você ama alguém, quer estar sempre junto. – ela respondeu simplesmente, forçando-se a olhá-lo nos olhos.

Certo, não era um ‘eu te amo’ direto, mas era o melhor que ela podia fazer de improviso.

- Eu posso responder com um clichê de comédia romântica? – ele perguntou, tomando as mãos dela – Ou talvez dar uma de Han Solo?

Penélope riu, balançando a cabeça. Só Arquimedes mesmo...

- O que eu faço com você?

- Acho que me amar é o suficiente. – ele retrucou – Acha que pode fazer isso?

- Eu pensei que já estava fazendo.

Encostando a testa à dela, Arquimedes sorriu.

- Eu esperei um longo tempo para ouvir isso...


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A Coruja


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3 comentários:

  1. Ooooowwwwwwnnnnnn!!! *________*
    Oh, Senhor, dá-me um Arquimedes!!! XD

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  2. Olá! Adorei seu blog! Tenho a pretensão de lê-lo por completo! Seu entusiasmo é contagioso! Parabéns!

    Cecília

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  3. Mr. Darcy já era, agora a mulherada quer um Arquimedes em sua vida #fato.
    Eu amo cada dia mais esse folhetim de sexta hehehehehe...
    estrelinhas coloridas para iluminar ainda mais essa mente criativa.

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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