4 de novembro de 2010

Para ler: The Dead-Tossed Waves e a história da irmã Tabitha



Her hand shkes as she dips the pen into ink and holds it above the page. The printed words are impossible to decipher, tears trembling from her eyes and her body racked with sobs. And then, she writes: There is always a choice. It is what makes us human. It is what separates us from the Unconsecrated. But that does not mean that choice cannot turn men into monsters. I have chosen survival over life. 
Carrie Ryan – Hare Moon


Desde que terminei A Floresta de Mãos e Dentes que esperava - quase desperadamente - a chegada da antologia de contos Kiss me Deadly. De todos os personagens da história, a Irmã Tabitha foi uma das que me passou uma impressão mais forte - e, tão logo descobri que havia um conto narrando a história dela, endoidei por ele.

Havia algo na interação de Mary e Tabitha que me passava uma impressão de que a irmã mais velha tinha uma empatia com a situação da Mary. Que a fazia compreender a mais nova, ainda que não concordasse com ela.

Eu estava absolutamente certa, de forma que cheguei à conclusão de que mais pessoas devem ter tido a mesma impressão e de que a Ryan fez isso de propósito. Gostei de Hare Moon - embora ele não chegue a ser o conto mais forte do livro (depois de lê-lo, arranjei mais meia dúzia de nomes de autores que terei de conhecer depois...). Acho que podia ser mais longo... que poderia ter havido um desenvolvimento maior entre o momento em que Tabitha descobre as Escrituras na sala escondida e aquele em que ela faz sua escolha.

Você acaba ficando um pouco em dúvida se ela fez o que fez por ter se tornado uma fanática ou por praticidade... se bem que, da forma como ela leva a cabo as suas escolhas, eu diria que há um elemento de fanatismo aí no meio. Havia outras formas menos extremas de despachar a 'potencial ameaça' que a transforma de uma moça romântica e ingênua numa freira implacável em sua fé.

Em todo caso... uma vez terminado o bendito conto pelo qual esperei quase dois meses... foi a vez de ler o segundo livro da trilogia, Dead-Tossed Waves. Mais uma vez, me impressionou a forma como a Ryan usa a linguagem; a delicadeza do texto mesmo ao tratar de assuntos apocalipticamente macabros.

Afinal, continuamos mergulhados em zumbis até o pescoço, não é?

Os personagens do primeiro livro voltam, mas a ação é centrada em Gabry, que vive à beira do oceano tão imaginado e ansiado por Mary n'A Floresta de Mãos e Dentes. E aqui, o anseio é o contrário, porque Gabry sente o chamado da floresta, sente que sua história está ali e que uma série de respostas para suas perguntas estão entre aquelas árvores sombrias.

O ritmo da história é um pouco diferente do primeiro, embora haja ainda bastante ação e surpresas. Talvez seja um reflexo da diferença entre as protagonistas - Mary era egoísta, impulsiva, incapaz de se contentar com as coisas que estavam ao seu alcance, ao passo que Gabry começa quase como um ratinho assustado e vai crescendo aos poucos, à medida que avança na floresta e descobre seu passado.

Mais que o primeiro volume, neste temos um claro gancho para o terceiro livro. The Dead-Tossed Waves será o irmão gêmeo de The Dark and Hollow Places, com previsão de lançamento para março do ano que vem. Sem trocadilhos, por favor.

Para ser absolutamente sincera, contudo, eu confesso que estou mais interessada em saber como vai se desenvolver a Mary e o Harry. Mais uma vez, a Ryan me deixou ansiosa - se antes eu queria ver a história da Irmã Tabitha, agora eu queria assistir ao reencontro de Mary e Harry e não apenas os pequenos vislumbres do ponto de vista da Gabry que temos do que aconteceu entre os dois.

Devo torcer para que a Ryan decida escrever um conto com essa cena para alguma próxima antologia?

____________________________


E aproveitando o ensejo já que estamos por aqui, não deixem de participar da pesquisa de opinião para o balanço de final de ano de D. Lulu!





A Coruja


____________________________________

 

Um comentário:

  1. Eu ando meio com o pé atrás com essa história de sobrenatural, mas lendo sua resenha eu fico com vontade de ler de novo os livros dessa série. Volto a ficar instigada, rs...


    Beijos!

    ResponderExcluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog