25 de abril de 2010

Desafio Literário 2010 - Março: Um clássico da literatura universal



- O peixe também é meu amigo - disse em voz alta. - Nunca vi ou ouvi falar de um peixe desse tamanho. Mas tenho de matá-lo. "É bom saber que não tenho de tentar matar as estrelas. Imagine o que seria se um homem tivesse de tentar matar a lua todos os dias", pensou o velho. "A lua corre depressa. Mas imagine só se um homem tivesse de matar o sol. Nascemos com sorte.


Por pura coincidência – uma vez que eu não conhecia Mundo do fim do mundo ou Luís Sepúlveda – o segundo livro que leio para o Desafio Literário 2010 também trabalha o tema marítimo.

Se bem que as capas meio que entregam, né... Eu só faltava ter colocado Moby Dick em algum ponto da lista, mas como essa seria uma releitura...

Não sei o porquê de nunca antes ter lido Hemingway. Acho que nunca pensei muito nele como um autor que fizesse muito meu estilo – todo mundo que me conhece um pouco sabe que dou preferência ao gênero de ficção fantástica.

Quando tive de escolher qual o clássico que eu leria para o desafio, primeiro pensei em Balzac, porque há anos que eu tenho me programado para ler Balzac (minha próxima aquisição será Ilusões Perdidas, mas isso será dó depois do meu aniversário, que ainda tem muitos na frente e duas encomendas para chegarem em maio e junho com mais volumes... eu sou uma viciada...).

Contudo, eu já tinha escolhido Balzac para o tema dos contos de fadas (Pele de Onagro será o próximo a ganhar resenha, tão logo eu termine a do mês de maio), então, coloquei-o na reserva e acabei por colocar Hemingway no lugar.

Eu não sei quando leria O Velho e o Mar não fosse pelo Desafio. Provavelmente, quando alguém me desse de presente, quando então ele entraria para a lista de livros fisicamente presentes na estante para ler (saindo assim da lista mental de livros que tenho de providenciar para ler)...

E assim foi que passei o final de semana às voltas com O Velho e o Mar, um edredom (porque Gravatá estava fria esses dias) e uma longa trilha sonora de músicas incidentais.

Basicamente, a história trata de Santiago, um velho pescador de Havana, que, ao princípio da história, passou os últimos oitenta e cinco dias sem pegar nem um único peixe. A única pessoa que parece ainda ter alguma fé no velho é Manolin, um rapaz que já foi companheiro de pesca de Santiago, mas que, devido à má sorte de Santiago com os peixes, foi obrigado pelos pais a trocar de barco.

O tempo está bom e o mar, cheio de peixes. Ao octagésimo sexto dia, Santiago parte sozinho em seu barco e avança mar adentro, longe dos sítios que geralmente freqüenta, mais e mais ao largo.

Lá, encontrará o maior peixe que já viu na vida, com quem travará uma longa e dura batalha... uma longa, dura e triste batalha.

Eu terminei esse livro com uma estranha vontade de chorar. Não consigo atinar com certeza quem venceu a batalha – se o velho ou o mar. Se, por um lado, o velho superou a si mesmo em sua luta contra o peixe e, posteriormente, contra os tubarões, pergunta-se se tanto esforço valeu à pena naquele final.

Acho que é por isso que se fala que Hemingway é um escritor pessimista.

Apesar desse sentimento meio melancólico com que fechei o livro, eu entendi porque O Velho e o Mar - e Hemingway, de uma forma geral – é um clássico. Se a luta de Santiago com seu peixe é uma experiência muito particular, os sentimentos e dilemas com que ele se vê às voltas são extremamente familiares.

Admirável ainda – e uma lição que podemos tirar da história – é a persistência e determinação (alguns diriam teimosia) de Santiago; e sua nobreza, seu respeito ao adversário e suas desesperadas tentativas de proteger o peixe aos tubarões.

Não recomendo a leitura desse livro se você estiver terrivelmente deprimido, de outra forma, terminará o bendito aos soluços. Mas o recomendo para um dia de chuva, ou uma tarde tranqüila, para lê-lo com calma, refletindo sobre as tiradas de Santiago, poesia em forma de prosa.

Nota: 5
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2004 (55ª edição)
Tradutor: Fernando de Castro Ferro
Número de páginas: 128



A Coruja


____________________________________

 

6 comentários:

  1. de alguma forma, eu imaginava que este livro fosse um catatau. 128 páginas só?

    ResponderExcluir
  2. Olha só, com a mera lembrança da história feita por você nessa resenha, meus olhos já se encheram de lágrimas.

    Lembro-me de quando li O Velho e o Mar; eu estava numa "vibe marinha", digamos asim: havia relido 20.000 Submarinas (um dos livros de minha vida), lido Os Trabalhadores do Mar (que também é maravilhoso) e, logo em seguida, peguei essa pequena obra-prima de Hemingway.

    Fiquei fascinada pelo texto e, de fato, chorei muito, não pelo desfecho da história (que, de certa forma, é óbvio), mas pelos protagonistas.

    Chorei em O Velho e o Mar as lágrimas que não consegui chorar quando terminei de assistir Herói - obras que, embora não pareça à primeira vista, têm muito a ver.

    São odes ao respeito e à honra.

    Beijocas, Lulu!

    ResponderExcluir
  3. Pois é, Naomi, eu também jurava que era enorme, mas fiquei foi surpresa quando o vi tão fininho na livraria. Por sinal, ele estava em promoção na Saraiva por dezoito e pouco.

    Também tive essa vibe marinha, Régis... à época em que lançaram o filme Mestre dos Mares: o Lado mais distante do mundo. Reli todos os livros do Capitão Nemo, xeretei vários outros aqui em casa com temas náuticos...

    Aliás, eu preciso perguntar se você assistiu esse filme?

    ResponderExcluir
  4. Sim, claro que vi! E no cinema, ainda por cima; achei-o muito bom (não é só pelo Russ, não, sim?), e depois comprei o DVD para mim.

    Não li os livros, mas dizem que são ainda melhores do que o filme.

    Um livro "marinho" que está encalhado comigo há anos é Moby Dick. Tenho medo da obsessão de Ahab.

    Porém, esse ano, ele tem me encarado com mais veemência da estante... Creio que não terei como adiar mais a leitura!

    Beijocas!

    ResponderExcluir
  5. Lu, pois é...tenho um interesse enormo em ler esse livro. Adoro histórias que contenham o elemento nobreza, tão em falta em nosso cotidiano. Parabéns pelo cumprimento dessa etapa e que o desafio lhe traga excelentes leituras.

    Beijocas

    ResponderExcluir
  6. Ainda não li O Velho e o Mar, mas vi o filme (se não me engano, é com o Spencer Tracy), muito bom mesmo.

    Estou 'namorando' Moby Dick, era meu livro reserva de março, mas por falta de tempo não li ainda. Também gosto de temas 'marítimos', especialmente quando o assunto é tratado de forma mais existencial ou filosófica.

    Outras boas sugestões: 20 mil léguas submarinas (clássico!) e Mar Morto de Jorge Amado, esse é de torcer lencinhos...

    Parabéns pela ótima resenha, e boas leituras!

    ResponderExcluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog