29 de agosto de 2009

Um pesadelo, um ônibus lotado e uma história

Duas da manhã, Lulu salta da cama, assustada, olhos esbugalhados, sem fôlego. "Cadê ele, cadê ele?" O 'ele' em questão é um livro de processo civil. Conclusão da historinha: quando você começa a sonhar com livros de doutrina jurídica, é que algum parafuso seu se soltou de verdade.

Sério, eu realmente tive um pesadelo com o volume deeeeeessa grossura de Curso de Direito Processual Civil. Não me perguntem exatamente o que diabos o livro estava fazendo comigo, porque não me consigo me lembrar desse detalhe (provavelmente, meu subconsciente o reprimiu); a única coisa que sei é que a coisa toda foi meio assustadora.

Na verdade, falando em coisas assustadoras, eu preciso ir ao médico.


Engraçado... apesar de em filmes e histórias, o povo desmaiar por quase nada, nunca presenciei alguém desmaiando de verdade. Tive, contudo, minhas próprias experiências de quase desmaio e com ou sem um galã para segurar a mocinha quando ela cai, eu garanto que a experiência não é nem um pouco agradável.

Minhas experiências de "quase-desmaio" datam das minhas primeiras crises de gastrite, no meu primeiro ano de faculdade. Bem, vamos considerar que naqueles dias eu quase não conseguia colocar comida para dentro, e os remédios que eu estava tomando (três antibióticos todos os dias em jejum junto com uma batida de couve crua com leite, cortesia da medicina caseira de mamãe... ninguém merece...) me deixavam mais ruim que a própria doença e eu quase não saía da cama.

Ontem eu tive, de novo, essa experiência.

Estava eu voltando da biblioteca, onde fui fazer pesquisas para meu trabalho. Peguei um ônibus lotado e engarrafamento. Eu geralmente fico tonta quando ando de ônibus sem olhar para a frente (motivo pelo qual sempre acabo andando na parte de idosos e deficientes, quase do lado do motorista). Como o ônibus já estava completamente lotado, eu tive de rodar a catraca e ficar lá atrás, tentando de todo jeito não olhar para os lados.

Alguma infeliz que estava perto de mim tinha passado perfume demais - um daqueles florais intensos e enjoativos. Já estava anoitecendo - quando vim entrar no ônibus, passava de cinco e meia - e o final de dia estava abafado, sem uma brisa entrando pelas janelas.

Eu tentei me segurar o máximo possível porque, além de tudo, meus pais estavam só me esperando em casa para poderem se despedir antes de viajar para Gravatá (eu tive de ficar por causa do trabalho) e minha mãe já tinha ligado umas duzentas vezes para saber onde eu estava.

Perto do Bompreço do Pina, eu senti a pasta começar a escorregar da minha mão - estava faltando força para manter os dedos presos a ela. Podia sentir o suor frio no rosto, o estômago terrivelmente embrulhado. Finalmente, eu percebi que ou entrava em pânico e tinha um treco ali mesmo, ou descia do maldito ônibus.

Eu geralmente sou uma pessoa extremamente educada, do tipo que dá bom dia até para as paredes (já que o povo não responde), sempre pede licença, desculpas e por favor. A essa altura, eu não podia ligar menos para educação - saí acotovelando o povo até chegar na saída, rezando para que o ônibus estivesse perto de uma parada para que abrisse logo.

Quando eu levantei minha mão para puxar a cordinha e pedir parada, minha visão desfocou e, de repente, não mais que de repente, tudo ficou escuro. O burburinho das pessoas desapareceu, eu só ouvia um zumbido dentro do ouvido. De alguma forma que não sei explicar, a prota se abriu, eu percebi isso e, cambaleante, sem enxergar os degraus, praticamente despenquei para o lado de fora.

Não sei muito bem como foi que não me esborrachei no chão. Não estava sentindo mais minhas pernas, mas no momento em que senti o ar fresco na cara, minha visão começou a voltar, só alguns pontos pretos brilhantes. Aos poucos, o barulho voltou e ainda a passos trôpegos, comecei a andar.

Eu estava no fim do quarteirão quando dei por mim de que estava inteira, o enjôo passara, a cabeça, apesar de um latejar na nuca, também parecia mais clara.

Pela lógica, eu deveria ter me sentado, esperado outro ônibus, pegado um táxi ou ligado para os meus pais virem me buscar. O problema é que eu não tinha certeza do que aconteceria se me sentasse (até porque, eu estava no meio da rua já anoitecendo), se eu não fraquejaria de novo; e a simples idéia de entrar num automóvel já embrulhava meu estômago.

Entrei no Bompreço, joguei água fria no rosto. Eu já sou normalmente pálida, mas olhando no espelho, parecia um fantasma. De lá até em casa, fui andando, quarenta minutos de caminhada, respirando fundo, quase alheia ao mundo à minha volta (não uma boa coisa numa cidade como recife às seis e tanta da noite).

Quando cheguei em casa, pensei com meus botões que a coisa toda não fora tão ruim quanto eu pensara na hora (na hora, no entanto, eu jurava que ia morrer) e que a melhor coisa a fazer era não dizer nada aos meus pais, deixar eles viajarem e aproveitar o resto do fim-de-semana sozinha em casa.

Foi o que eu fiz. Depois que eles saíram, fui atrás do aparelho de pressão de mamãe. Dez por sete. Que beleza...

É uma coincidência que tudo isso tenha acontecido quando estou tomando antibiótico? Por isso eu disse que tinha de conversar com meu médico. Detesto tomar remédio... Geralmente, os efeitos são piores do que os motivos que me levaram a tomá-los em primeiro lugar.

Felizmente, depois de uma boa noite de sono, um omeprazol e um dramin, acordei novinha em folha, apenas rezando para não ter que pegar ônibus de novo em nenhuma oportunidade próxima. E, depois do pesadelo com CPC e desse triste episódio do ônibus (mais uma das minhas crônicas do 039 - talvez um dia eu conte para vocês como o motorista e o cobrador do Setúbal/Príncipe me conheciam de cara por conta dos espetáculos cantantes que dávamos eu e outros colegas da faculdade de jornalismo quando estávamos indo para casa), cheguei à conclusão que precisava desopilar. Precisava de uma válvula de escape.

Precisava... escrever. E brincar de boneca no photoshop...

O resultado é que eu finalmente sei para onde vou com minha nova história. Háhá!!!


Photobucket


O título parece ridículo, mas há uma história por trás dele e eu ia agorar entrar em logos e excruciantes detalhes sobre o que planejo para essa história... MAS ainda tenho trabalho para fazer e preciso terminar até hoje. Então, se tudo der certo, dou as caras amanhã ou segunda por aqui, antes de estrear na terça.

Hohoho... Altos planos, altos planos...

Escutem Beirut, escutem Beirut! Vamos todos ficar viciados comigo!




Well, it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile
And I'll gamble away my fright
And I'll gamble away my time

And in a year, a year or so
This will slip into the sea
Well, it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile

Nobody raise their voices
Just another night in Nantes
Nobody raise their voices
Just another night in Nantes

Well, it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile
And I'll gamble away my fright
And I'll gamble away my time

And in a year, a year or so
This will slip into the sea
Well, it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile



A Coruja


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Um comentário:

  1. Luk's é meio beiruta mesmo. E essas coisas, realmente, só acontecem com ela... Sabem porque ela está assim? É por causa do FOGO.Eu sei o que você fez no verão passado!!! HAHAHAHA. Brincadeira.
    O aniversário dela está chegando: DIA NOVE (09) DE SETEMBRO!!!! Repetindo: DIA NOVE DE SETEMBRO. Pertubem ela!!
    Tchauzius.

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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