24 de março de 2015

Conversas Sobre o Tempo - Transito

Ontem (23/03/2015) precisei passar um bom tempo dirigindo, sabem? Quer dizer, muito tempo mesmo. O grande problema é que boa parte desse tempo eu estava parado em algum engarrafamento!
Sei que este não é um problema exclusivo de Fortaleza, transito ruim. Segundo os números do DENATRAN e do IBGE, minha cidade conta com uma média de um automóvel para cada 2.65 habitantes, isso contando com todos os modelos e tamanhos de automóveis: carros, motos, ônibus, micro-ônibus/van, tratores etc. Considerando que muitos poucos destes veículos carregam apenas duas pessoas, não precisa pensar muito para ver que temos um excesso, não é?


Esse fato tem consequências em vários setores da sociedade e meio ambiente, sendo o mais evidente, e o que ressaltarei aqui, o transito lento e engarrafamentos quilométricos. E isso eu, assim como muitos de vocês, encaro no dia-a-dia. Se saio da universidade às 16h, levo cerca de vinte minutos a meia hora para chegar em casa. Se eu, por outro lado, sair às 16:30, muito dificilmente levarei menos de uma hora para fazer o mesmo percurso. Por que tem carros demais! As cidades brasileiras não têm estrutura para tantos carros assim!

Com o trânsito lento, o transporte público também não tem a oportunidade de funcionar direito. Digamos que um ônibus deva ir do ponto A ao ponto B em quinze minutos. Porém, devido ao número enorme de carros, ele leva meia hora. Durante esse tempo todo, as pessoas que deveriam ir em dois ônibus se apertam em um só, o que contribui para o sucateamento dos transportes públicos brasileiros. Certas medidas tomadas aqui em Fortaleza, tal como corredores exclusivos para ônibus, vieram a mitigar esse problema, mas está longe de resolvê-lo.

E por que temos tantos carros assim, afinal? Creio que seja uma série de motivos, começando pelo cultural. No Brasil, carro ainda é visto como um símbolo de status, o que gera à uma série de consequências. Não concorda? Bom basta vocês saberem que uma banda de forró fez uma música cujo refrão é “Ontem eu era feio, hoje eu tenho um carro”. É... e fez sucesso.

O que eu quero dizer com isso tudo? Que grande parte dos problemas de deslocamentos em cidades seriam resolvidos se houvessem menos carros nas ruas! Haveria menos transito, o que faria que os ônibus mantivessem os horários corretos, o que reduziria a lotação dos mesmos e que menos gente passasse menos tempo se deslocando para onde se deve ir! Pode não fazer sentido para alguns de vocês, mas é verdade. O problema do transito é basicamente um círculo vicioso: O transporte público é ruim, então mais gente compra um carro, o que faz com que o transito fique pior, o que causa um engarrafamento, o que faz com que os ônibus lotem, o que faz com que o transporte público fique ruim...

Outro aspecto cultural é que ônibus é visto como “coisa de pobre”. Não preciso nem começar a falar como isso é um pensamento retrógrado, não é? Mas não é raro ver pessoas que compram um carro antes de, por exemplo, uma casa/apartamento, e que muitas vezes mal tem condições financeiras de manter tal carro. Um carro gasta MUITO dinheiro! Basta ver o preço do combustível por si só, mas lembrem-se de coisas como IPVA, seguro, manutenção... O número pode realmente assustar, caso não se tenha muita noção dos valores.

O que eu quero dizer com isso tudo? Honestamente, não sei. Não estou aqui defendendo que todo mundo venda seus carros e passe a andar de ônibus. E nem tenho moral para dizer isso já que, como mencionei no começo do texto, eu também ando de carro. Mas eu também não teria problemas de andar de ônibus ou outra forma de transporte público, caso estes tivessem qualidade.

Mas podemos ir, aos poucos, ir mudando este cenário. Como? Já parou para conversar com seus colegas de trabalho, para saber aonde cada um mora? Se sim, viram quais pessoas vivem no caminho umas das outras? Tentem fazer uma escala de revezamento de carros! Ao invés de cinco pessoas com cinco carros, serão cinco pessoas com um carro. Uma redução significativa, não acham? As despesas seriam divididas de uma maneira que fique confortável para todos, claro.

Pensem no assunto. Para começar a mudar, basta querer.

O Bode


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