quinta-feira, 22 de março de 2012

Para ler: A Invenção de Hugo Cabret



Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo toma conta dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento da máquinas.

A sobrevivência de Hugo depende do anonimato:ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto.

Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e uma homem mecânico estão no centro desta intrincada e imprevisível história, que, narrada por texto e imagens, mistura elementos dos quadrinhos do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de leitura.

A primeira coisa que me chamou a atenção para esse livro foi um comentário solto que a Tábata, do Happy Batatinha, fez. Não lembro exatamente o que ela disse, mas era algo sobre as ilustrações e continuidade de história, o que me deixou curiosa, claro. Assim, coloquei o título em minha lista de futuras leituras. Descobri que ia ter o filme. O filme foi indicado ao Oscar. O filme estreou no final de semana de carnaval. O livro virou prioridade e foi lido na véspera de assistir o filme.

O que dizer sobre A Invenção de Hugo Cabret? Bem, para começo de conversa, as ilustrações, que foi o que me chamou a atenção a princípio. Não lembro de ter visto nenhum outro livro que utilize o recurso de imagem como Brian Selznick o fez: interrompendo uma frase no meio e seguindo a história através de uma seqüência de imagens, tomada por tomada, aproximando devagar o leitor da cena – exatamente como num filme.

Fiquei impressionada pela forma como isso funcionou – como disse, não lembro de outro livro que tenha usado ilustrações dessa forma.

Gostei do livro, gostei do ritmo da história e gostei também do filme. Mas nem livro nem filme me arrebataram loucamente, tiraram o fôlego ou provocaram palpitações. A história de Hugo é previsível – cuida de nostalgia e guarda toda a melancolia do saudosismo – é, enfim, uma história confortável, que em seus melhores momentos parece ecoar algo de Dickens.

Tendo perdido o pai em um incêndio, Hugo foi viver com o tio na Estação Central de Paris onde aprendeu a cuidar dos relógios enquanto seu pretenso guardião enchia a cara. Hugo, que como o pai relojoeiro, tem um incrível talento com mecânica, trouxe consigo dessa quase outra vida, antes de se tornar órfão, um autômato, que o pai encontrara abandonado no museu e, junto com o filho, começara a consertar.

O autômato é a única ligação com o pai que resta a Hugo e por isso ele passa a roubar pequenas peças da loja de brinquedos da estação para consertá-lo. Num mundo de incertezas, o autômato , Hugo acredita, lhe dará uma última mensagem do pai e tudo ficará bem de novo.

Só que o autômato acaba por ser mais que uma ligação entre pai e filho: ele é um sobrevivente e uma relíquia das origens dos cinema – que por acaso era outros dos gostos em comum de Hugo e seu pai.

Entre truques de mágica e mecanismos quebrados, Hugo tenta consertar mais que essa suposta herança, mas a si mesmo e o mundo ao seu redor. Não existem peças sobrando nos mecanismos dos relógios e assim, Hugo acredita, também não sobram peças no mundo: todos têm um propósito e estão ali por um motivo. Resta a ele descobrir apenas qual o seu motivo.




A Coruja

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