12 de agosto de 2011

Na sua estante: Hospital





#077: Hospital
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Ele entrou quase esbaforido na sala, o coração batendo nos ouvidos. Quando uma das enfermeiras o procurara para dizer que Sofia estava no hospital com outra garota machucada, ele tivera absoluta certeza de que se tratava de sua irmã e isso quase o enfartara. Dani tinha uma terrível propensão a acidentes, considerando a forma como vivia distraída, perdida no seu próprio mundo.

Contudo, quando abriu a porta da enfermaria e grandes olhos cor de mel se focaram nele – olhos que ele reconhecia, ainda que nunca tivesse visto a garota antes – Davi se perguntou se não era ele quem de repente partira para uma dimensão paralela.

Sentada na maca estava o desenho que ele admirara no caderno da irmã alguns dias antes. Exceto, claro, por todo aquele sangue.

Sangue...

Balançando a cabeça, ele afinal deu de cara com a prima, que o observava com uma expressão que parecia dividir-se entre preocupada e divertida.

- O que aconteceu?

- Minha amiga Beatriz teve um acidente. – ela disse, acenando com a cabeça na direção da desconhecida – Como ela achava que você não existia, cheguei à conclusão de que seria uma boa desculpa para provar a ela que você não é uma alucinação.

- Sofia! – a outra moça exclamou indignada, antes de se voltar diretamente para ele – Desculpe. Ela não quis dizer isso. Ou quis dizer isso. É porque faz meses que vocês estão morando com a Sofia e eu nunca tinha te visto lá. Eu...

- Não se preocupe, Bia, todo mundo que conhece vocês duas sabe que a mais provável de ser presa de alucinações é você. – um rapaz que até então Davi não notara se aproximou – Desculpe minha irmã, ela normalmente é um pouco menos atrapalhada.

Beatriz revirou os olhos, mas preferiu não responder. Davi respirou fundo, decidindo que, francamente, ele não se importava tanto assim que as coisas fizessem sentido.

- Muito bem... então agora que já concluímos que sou uma pessoa real... talvez eu devesse dar uma olhada nisso aí, não? – ele inclinou a cabeça em direção ao braço dela, que Bia ainda segurava contra o peito – Como você conseguiu esse corte?

- Caí em cima de uma mesinha de vidro e ela se espatifou debaixo de mim.

- Na verdade, ela foi empurrada. – Sofia cruzou os braços – Mas eu já resolvi essa questão. – ela deu um meio sorriso – Eu sempre quis fazer aquilo.

- O quê? Meter-se na frente de uma psicopata histérica? – Bia encarou-a com uma careta.

- Não. Eu estava falando de dar um tapa na cara de alguém. É muito... excitante.

- Eu posso ouvir o resto da história ou é algum segredo? – Davi perguntou, terminando de limpar o corte de Beatriz com cuidado, para então começar a preparar uma seringa com analgésico para nublar a dor e começar a dar os pontos.

- É uma longa história. E depende do André...

O outro deu de ombros.

- É melhor explicar antes que ele pense em ir à polícia fazer uma denúncia de maus tratos.

- Antes disso, porém... – o rapaz estreitou levemente os olhos, enfiando a linha de sutura na agulha – Alguém sabe me dizer onde está a Dani?

Ele levantou a cabeça ao perceber que a prima de repente corara até a raiz dos cabelos.

- Sofia?

- Hum... Eu acho... eu acho que esqueci de ir buscá-la na escola...

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A Coruja


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