27 de abril de 2011

Para ler: Bravura Indômita



Tom Chaney ergueu seu rifle e deu um tiro na testa dele, matando meu pai na mesma hora. Não houve qualquer provocação além disso, e estou contando como me foi contado pelo alto xerife de Sebastian County. Alguns podem dizer bom, mas por que é que o Frank Ross tinha de se meter? Minha resposta é a seguinte: ele estava tentando mostrar o bom caminho praquele demônio de pavio curto. Chaney era um colono e o pai se sentia responsável. Ele era o guarda de seu irmão. Isso responde a pergunta?
Charles Portis – Bravura Indômita

Para começar falando de Bravura Indômita, tenho que dizer que estou com o original, com John Wayne no papel principal. E, como perdi o novo no cinema, vou ter de esperar até que saia em DVD. Não tendo assistindo nem um nem outro, obviamente não tecerei comentários sobre as versões cinematográficas - ao menos, não por enquanto.

Sobre o livro, contudo, posso dizer alguma coisa. E digo que ele é muito, muito bom.

Não sou uma grande fã de histórias narradas em primeira pessoa, mas Charles Portis acertou em cheio ao contar essa específica história na voz da teimosa (e põe teimosa nisso) Mattie Ross.

A sacada de gênio do livro é a linguagem em que ele é escrito, num discurso livre que soa como se você estivesse escutando a história da boca de Mattie - já uma velha solteirona - sentado no alpendre da casa dela, observando a paisagem e tomando alguma coisa gelada para suportar o calor do Velho Oeste.

O problema de histórias escritas em primeira pessoa é exatamente aí: na maior parte das vezes, elas são contadas na voz do autor, não do personagem que supostamente estaria falando. Elas não se coadunam com a cultura desse personagem, com o que ele realmente sabe e viveu. Não deixam entrever a personalidade daquela pessoa.

Mattie Ross, nossa protagonista e narradora, conta como, muitos anos antes, aos 14 anos, tem o pai assassinado. Apesar da idade, a menina é madura, tem um forte senso de justiça, uma ótima cabeça para números e um sério problema de teimosia. Uma vez que ela acha que, pelos meios oficiais não conseguirá levar o assassino para a forca, contrata o agente Rooster Cogburn - que é tanto um bêbado decaído quando um dos mais implacáveis perseguidores dos criminosos da área - para dar conta do serviço.

Pelo caminho, aparecem agentes federais, bandoleiros simpáticos, juízes ferrenhos, seguidos de mil e uma reviravoltas, e recheados de um delicioso humor negro. Para quem gosta de um bom faroeste, Bravura Indômita é um prato cheio, com personagens bem construídos e um enredo não apenas envolvente como também surpreendente. Fora que é leitura rápida, para uma tarde de domingo... e, no meu caso, bebendo um chá mate gelado!



A Coruja


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2 comentários:

  1. Oi Lulu, tem selo para você lá no blog...

    Beijos

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  2. Oii! Nossa, que fofo seu blog!!! Entra no meu e da uma olhada.
    Bjos.
    Http://alinedal.wordpress.com

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