21 de janeiro de 2011

Na sua estante: procura-se marido





#046: Procura-se marido
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Penélope grunhiu, soltando o ar de uma vez pela boca, sentindo até as pontas das orelhas arderem com o esforço que estivera fazendo.

- Ok, eu desisto! – ela quase gritou, largando a garrafa de refrigerante sobre o balcão da cozinha com um olhar feroz, para então notar Heitor ao pé da porta, encarando-a com um olhar vagamente entretido – O quê? Você acha que consegue fazer melhor? Vá em frente! Você é meu convidado!

Ainda bufando, ela se deixou cair numa cadeira. O problema de ser solteira eram garrafas como aquelas. E vidros de uma forma geral. Vidros de azeitona. Vidros de geléia. Compotas.

Por que o mundo não podia vir com abre-fácil?

- É para isso que servem os maridos. – ela resmungou consigo mesma – Casamos para ter maridos que abram essas coisas por nós. Eles provavelmente fazem essas tampas serem impossíveis de ser abertas exatamente com esse propósito.

Ela podia colocar um anúncio no jornal: “Procura-se marido. Requisitos: conseguir abrir tampas de garrafa, levantar garrafões de água para colocar no filtro e carregar as compras. Salário a combinar”. Simples e direto ao ponto.

Se ao menos as coisas fossem tão fáceis...

Penélope suspirou. Não estava fazendo qualquer lógica com aquelas suas teorias da conspiração. Mas também, pudera: fazia pelo menos meia hora que estava salivando por aquele bendito refrigerante e não conseguia abrir a porcaria da tampa.

Ela podia ver o futuro a sua frente: uma infinitude de tampas emperradas, a perder de vista.

E foi neste preciso momento que uma lembrança lhe ocorreu. Um sorriso quase maléfico estendeu-se em seu rosto – tanto que Heitor, que ainda observava a dona com curiosidade, deu um passo para trás.

Alcançando o telefone, ela discou um número já familiar e conhecido. Chamou duas vezes antes de alguém atender do outro lado da linha.

- Alô?

Os olhos dela adquiriram um brilho quase maníaco.

- Hei, Arquimedes! Eu estava mesmo precisando falar com você...


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A Coruja


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3 comentários:

  1. Estou tentando decidir que tenho pena ou fico feliz pelo coitado do Arquimedes...

    Acho que sentirei pena, já que, provavelmente, ele será dispensado poucos minutos após abrir a garrafa...

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  2. É por isso que nunca precisei me casar: consigo abrir potes, instalar chuveiros, consertar torneiras, montar móveis... Isso é que dá passar a adolescência somente na companhia do pai, hehehe!

    Espero que, com o passar do tempo, Penélope descubra novas e criativas funções para o fofo Arquimedes! XD

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  3. Eu fiquei com pena do Arquimedes, sendo feito de gato e sapato coitado...

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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