7 de novembro de 2010

Meme Literário: Dia 07 – um livro que achou difícil de ler




Minha história com Quixote passa por Monteiro Lobato... Eu reli Dom Quixote das Crianças e me deu na telha de que queria ler a obra original, sem adaptações. Pedi de presente de aniversário, nos meus 12 anos – dois volumes estupendos, comprados na famosa Livro 7 em Recife.

A essa altura, devo dizer que já fizera uma amizade com o bom velhinho dono da livraria e ele me deu de presente uma edição de bolso d’A Odisséia, que também já conhecia graças à Dona Benta.


Assim, no alto da minha arrogância literária de doze anos recém-completos, comecei a ler não uma, mais duas obras clássicas de linguagem difícil e temas complexos.

Li a Odisséia primeiro e quase que só notei a aparição de Palas Atena, minha deusa do panteão grego favorita. Tive de reler o livro muitos anos depois para me dar conta do quanto fora absurdo tentar ler o texto original de Homero com 12 anos.

Já Quixote me desmontou do cavalo no primeiro parágrafo. O negócio era tão absurdo, eu tentando desvendar o que lia, que aquelas primeiras linhas ficaram impressas na memória e eu sei de cor: ’Num lugar da Mancha de que não quero lembrar-me, existe um fidalgo cavaleiro de lança em cabide, fidalgo corredor...’

Lança em cabide... LANÇA EM CABIDE. Eu só sabia que lança em cabide significava lança atrás da porta por causa da explicação de Dona Benta. A quem mais eu poderia recorrer para descobrir o significado daquelas expressões? Vá procurar lança em cabide no dicionário para ver se acha alguma coisa.

Eu também não tinha acesso ao Google...

Mas, como era uma criança ridiculamente teimosa, eu li os dois calhamaços até o fim. E depois me dispus a ler O Nome da Rosa, de Umberto Eco, que só não lancei na fogueira porque o livro não era meu.

Depois disso, passaram-se alguns anos antes que eu tentasse me dar vôos maiores que minhas asas...


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E aproveitando o ensejo já que estamos por aqui, não deixem de participar da pesquisa de opinião para o balanço de final de ano de D. Lulu!





A Coruja


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4 comentários:

  1. Eu era teimosinha também aos 12 anos, mas não era muito de livraria era mais de biblioteca... E de toda forma, nunca, nunca mesmo gostei de paradidaticos, sempre me pareceram livros feitos para retardados!!!

    O engraçado é que hoje me tornei uma fã de Crepúsculo... acho que é para pagar a lingua e nunca mais acusar pobres livros paradidaticos!!!

    Ah, também senti dificuldade ao ler "Dom Quixote", mas foram outras... quando li já não tinha doze anos!!!

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  2. Nossa. Dom Quixote aos 12 anos?!?! Nessa época eu nem me interessava por leitura ainda!

    Mas lembro como me senti quando precisei começar a ler os clássicos brasileiros para o colégio. Imagina a cara de um garoto de 13-14 anos sendo obrigado a ler A Escrava Isaura para fazer uma prova de português. Digamos que hoje em dia eu não deveria gostar de ler, para dizer o mínimo...

    Claro, nem todas as minhas leituras insanas foram obrigadas. Quando terminei meu curso de inglês, por algum motivo coloquei na cabeça que eu não sabia inglês o bastante e para aprender, peguei uma série de livros em inglês que meu tio havia me dado. Senhor dos Anéis. E O Hobbit. Foi meio que insanidade, ler aquilo só com meu inglês básico, mas com certeza valeu a pena. xD

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  3. Uau, Lulu! Você é uma guerreira literária, mulhé! :) Dom Quixote aos 12? E porque tu quis jogar O Nome da Rosa na fogueira? Pela história? Vi o filme com o Sean Connery e adorei. Tenho o livro aqui em casa mas ainda não li... :)

    Smacks pra ti! ;)

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  4. Carambolas atômicas guria que doideira se jogar aos 12 em dois livros desse peso... são duas obras que exigem bagagem literária, mas enfim tu eras uma pequena metida a gigante hehehehe
    estrelinhas coloridas...

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