2 de julho de 2010

Na sua estante: Acredite no que quiser






#017: Acredite no que quiser
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- Eu sinceramente não sei se tenho pena ou se fico nauseado.

Penélope levantou os olhos do livro de multas que estivera examinando pelos últimos minutos para encarar a figura de André, quase escarrapachada contra sua mesa, os braços cruzados sobre o peito e uma expressão fechada no rosto.

- Do que está falando? – ela perguntou, tentando seguir o olhar do rapaz.

Beatriz estava do outro lado da biblioteca, conversando de forma quase fascinada com outro rapaz, que gesticulava muito enquanto falava, como se construísse castelos no ar. Penélope estreitou um pouco os olhos, curiosa, até reconhecer o interlocutor da moça.

Ela não se lembrava de ter visto Luís tão empolgado. Normalmente, ele era um garoto extremamente na sua, quase nunca conversando – ela só sabia seu nome porque, bem, ela era a bibliotecária e para pegar livros, as pessoas precisavam ter fichas com seus nomes.

Penélope já tinha visto Beatriz sentar com Luís antes, quando a biblioteca estava cheia e a mesa solitária dele era uma das poucas que tinha cadeiras sobrando. Mas não fizera maior sentido disso; sequer prestara muita atenção no que estava acontecendo bem debaixo do seu nariz.

Obviamente, André não sofria do mesmo tipo de cegueira, especialmente a se julgar por sua careta de desgosto. A mulher nunca pensara que ele seria do tipo irmão ciumento.

- Ele é um bom rapaz. – Penélope defendeu com a voz suave, um pequeno sorriso iluminando seu rosto diante das possibilidades.

André voltou-se para ela.

- Por que mais você acha que eu estaria com pena? O coitado não tem a menor chance.

A bibliotecária estreitou um pouco os olhos.

- Por que ele não teria a menor chance?

- A Bia é uma criança, Penélope. Ele pode ser muito esperta para algumas coisas, mas é totalmente inexperiente para outras. Acredite, eu sei do que estou falando. – André suspirou – Quando ela perceber o que está acontecendo, não vai ter idéia do que fazer.

- Bem, ela pode aprender pelo meio do caminho. – Penélope observou – E pode aprender com ele.

André apenas deu de ombros, aprumando-se.

- Acredite no que quiser. Mas depois não diga que eu não avisei.


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A Coruja


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Um comentário:

  1. Ai que fofo.... Ele diz que tem dó do Luís, mas tenho certeza que no fundo está se preocupando é com a Bia mesmo!!

    Esses irmãos mais velhos... *suspiros*

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