24 de fevereiro de 2010

Para assistir: Alice





Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, é provavelmente um dos livros infantis mais populares de todos os tempos, tendo rendido milhares e milhares de adaptações em todos os tipos de mídia, em releituras dramáticas, sanguinolentas ou absolutamente cômicas.


Aliás, deve fazer quase um ano que espero ansiosamente por mais uma dessas adaptações, dessa vez pelas mãos de Tim Burton - o filme está com estréia prevista para dia 05 de março e, neste exato instante, estou escutando a trilha sonora do dito.

Enquanto a Alice de Burton não sai nos cinemas, contudo, fui presenteada por um amigo - meu habitual fornecedor de filmes e séries - com uma outra adaptação, uma minissérie em dois capítulos, produzida ano passado pelo canal americano SyFy; e é sobre essa série que vou falar aqui hoje.

Tudo começa com uma aula de artes marciais, onde conhecemos a instrutora, Alice Hamilton. Alice está namorando um de seus alunos, Jack e, no dia em que a história se inicia, o rapaz foi convidado para jantar em sua casa e conhecer a mãe dela.

A princípio, tudo parece bem... até Jack receber uma enigmática mensagem de celular dizendo para que ele corra. Tomado então por súbita inspiração, ele decide que é tempo de Alice conhecer seus pais... e dá a ela um anel.

Alice diz não, claro. As coisas estão indo um pouco rápido demais - ele já quer lhe dar um anel! Jack se despede para sair - na verdade, ela praticamente o coloca para fora de casa - e Alice e a mãe têm então uma conversa reveladora sobre o caráter de Alice - algo que influenciará em todo o curso do resto da história: quando Alice tinha dez anos, seu pai sumiu, desapareceu em pleno ar sem dar qualquer notícia por anos a fio.

A mãe de Alice a aconselha, dizendo que ela não pode achar que todos os homens vão desaparecer da vida dela se ela lhes der uma chance. Enquanto rebate o comentário, ela coloca a mão no bolso do vestido... e lá está o anel de Jack.

Sem pensar duas vezes, Alice sai correndo atrás de Jack para devolver o presente... e, quando está virando a esquina... eis que vê o namorado sendo golpeado e colocado dentro de uma van. E vocês conseguem adivinhar quem aparece a seguir?

Quem mais, é claro, além do Coelho Branco?

A van desaparece das vistas de Alice, mas o Coelho está à pé, e ela o segue até uma construção aparentemente abandonada, caindo, sem querer... dentro do espelho.

A partir desse ponto, encontraremos todos os personagens clássicos dos dois livros de Carrol, Alice no País das Maravilhas e Alice através do Espelho: estão lá o Chapeleiro, os gêmeos Tweedledum e Tweedledee, a Lagarta e, óbvio, a Rainha de Copas, ordenando que cortem as cabeças a torto e a direito.

O enredo, contudo, é bem diferente do que conhecemos. Quando Alice se apresenta às pessoas, a primeira coisa que perguntam é "A Alice? A Alice da lenda?" e o Chapeleiro, mais tarde, explicará que o País das Maravilhas já foi visitado antes por uma Alice, 150 anos antes.

Nestes quase dois séculos que separam as duas Alices, a Rainha de Copas venceu a guerra contra os Cavaleiros Brancos e domina seus súditos mantendo-os sob efeito da "gratificação imediata". E eis que há algo de sórdido no reino da Dinamarca, damas e cavalheiros!

Explico... Existe uma espécie de rede de tráfico de pessoas do nosso mundo para o País das Maravilhas. O anel que Jack deu a Alice é, na verdade, a chave do espelho e, sem ele, é impossível passar de uma dimensão para a outra. Quando as pessoas chegam ao País das Maravilhas, são levadas para o Cassino de Copas, onde ficam completamente alienadas do mundo, esquecendo-se até mesmo de seus nomes, participando das diversões que o cassino lhes oferece.

No cassino de Copas todos estão sempre vencendo. As emoções que estas constantes vitórias e satisfações de desejo provocam são drenadas e armazenadas para serem distribuídas entre os súditos.

Você quer sentir luxúria? Consciência pura? Inocência? Euforia? Basta entrar numa caixa de chá (que em muito lembra uma Bolsa de Valores, com os chás sendo cotados aos gritos) e escolher o que é de seu gosto.

Em meio a esse caos, Alice atravessa o País das Maravilhas com a ajuda do Chapeleiro, tentando descobrir o que fizeram com Jack... e sendo perseguida pelos agentes da Rainha, que desejam o anel de volta.

Não contarei mais que isso sobre a história, mesmo porque, caso vocês se interessem para assistir, há muitas surpresas e viradas, e eu não quero estragá-las para vocês. Assim, é hora de dizer o que eu achei de Alice.

Confesso que, a princípio, quando Felippe primeiro me falou dela, eu não senti grande interesse. Mas ele tanto insistiu dizendo que eu ia gostar que aceitei a oferta... e, quando me sentei no sofá para afinal assistir... não consegui mais parar.

Sorte a minha que são só dois episódios, de mais ou menos uma hora e meia cada.

Os efeitos especiais são um pouco fracos; o desenvolvimento do enredo, contudo, conquista, mesmo que por vezes caia no absurdo. Mas, hei, é Alice e Carroll realmente criou um mundo muito absurdo em sua obra.

Fiquei particularmente encantada com os personagens do Chapeleiro e de Charlie, o Cavaleiro Branco que muito lembra Dom Quixote - há algo de muito humano, especialmente no último. O Chapeleiro, por outro lado, não é lá muito louco, mas é, em compensação, muito charmoso e tem uma direita de respeito.

A própria Alice, ainda que uma típica heroína moderna, a sair distribuindo golpes de judô por aí, tem algo de bastante... delicado, frágil até, - constantemente ela volta aos dez anos, sonhando, ou quando está sendo torturada pelos gêmeos para revelar a localização do anel, perseguida pela memória do pai ausente.

Aliás, a chave para entender Alice está toda na ausência dessa figura paterna.

Em suma, caso seja um fã da Alice de Carroll (mas não um fã puritano, afinal, o Chapeleiro não é Maluco...), recomendo assistir a série. Eu vibrei particularmente com o final... mas isso não vale muita coisa, já que estou sempre vibrando com finais românticos.

...

Uma curiosidade... o roteirista e diretor da série é Nick Willing, que em 2007 foi também responsável por uma adaptação moderna de O Mágico de Oz chamada Tin Man - sobre a qual já ouvi falar muito, mas que não tive ainda o prazer de assistir (depois de ver Alice, vou procurar Tin Man também).

Além disso, essa não é a primeira vez que ele trabalha com Alice - em 99, ele dirigiu o filme Alice no País das Maravilhas, mais fiel à história do livro.




E aí, se interessaram? Caso a resposta seja positiva, vocês podem encontrar a série para baixar, com legendas, clicando aqui.


A Coruja


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5 comentários:

  1. Oi Lulu!
    Eu tenho acompanhado o seu blog há alguns meses, até porque sou mega fã de tudo o que você escreve. E, há algum tempinho, descobri COMPLETAMENTE por acaso essa série genial (estava procurando por "Hatter" no deviantart e tropecei numa foto do nosso chamoso Chapeleiro da série... resolvi ir atrás daquela fofura de criatura e descobri a série XD).
    Eu viciei completamente, e agora tô super feliz que você a descobriu. Realmente - e não sei pq não pensei nisso antes - vc é uma das pessoas que com certeza gostaria de algo assim.
    Enfim, isso foi só pra expressar a minha felicidade por ter companhia XD Cheguei a mostrar para a minha irmã, mas ela só acompanhou porque o Chapeleiro é lindo.
    A propósito, a série tem passado num canal novo, o Studio Universal. Quem tem TV a cabo pode acabar tropeçando por lá e pegar um pedaço da série. Geralmente é dublado, mas tarde da noite dá pra ver legendado. Só uma dica XD
    E outra... aquele final não é simplesmente LINDINHO? Voltei várias vezes para ver de novo, falei XD

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  2. Pois é, Mari, eu também vltei várias vezeso final para assistir de novo. Muuuuuuito fofo!

    Onde arranjo um Chapeleiro para mim?

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  3. Eu queiooo!!!

    E você, competente como sempre, já deu os links!!!

    Bjooos

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  4. Lu, ele link é somente para quem tem emule... :(

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  5. Já tem mandei por email o link para baixar direto...

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