11 de fevereiro de 2016

360º - Master Post: Para Viajar


Olá, caros leitores! Finalmente vim “assumir” minha segunda coluna! Diferente do estilo da Lu, que nos dá um verdadeiro diário de viagens em suas postagens do 360º, terei uma versão mais “técnica”, algo mais para “viagem internacional em... (insira um lugar aqui)”. Nesse master post, especificamente, pretendo enumerar as diversas dicas que aprendi ao longo de 30 anos, 29 países e 5 (considerando um total de 7) continentes.

A primeira coisa a se fazer é checar se o seu passaporte está válido por, no mínimo, mais 6 meses. Varia um pouco, mas, em geral, a maioria dos países exigem esse período de validade. Se o seu só estiver valendo por três meses, por exemplo, é recomendável renová-lo para evitar dores de cabeça. E se você ainda não tem um passaporte, ou o seu já expirou, VÁ TRATAR DE CONSEGUIR UM!

Sem passaporte, sem viagem. Simples assim.

[Para dicas mais específicas sobre como tirar seu passaporte, aguardem o próximo 180º]

Vamos ao segundo ponto: uma vez escolhido o seu destino, é preciso saber se o local para o qual você vai exige um visto. Um visto é, em resumo, uma autorização das autoridades daquele lugar para que você possa atravessar suas fronteiras e adentrar o território. A exigência prévia desse documento também é variável. Para saber se é necessário ou não um visto para portadores de passaporte da sua nacionalidade, basta consultar seu agente de viagens, se tiver um, ou procurar você mesmo online, preferencialmente diretamente no site da respectiva embaixada ou consulado¹ mais próximo de você. Leia cuidadosamente as instruções e siga-as para obtê-lo sem maiores problemas. Atente, porém, ao fato de que não existe possibilidade de discussão (em 99% dos casos): ou você segue os passos direitinho, ou não terá o visto. Não existe meio-termo, negociação ou “jeitinho brasileiro”. Procure cuidar disso com bastante antecedência porque alguns serviços consulares podem demorar mais que outros.

Terceiro ponto: vacinas. Acredite se quiser, há doenças que são particularmente insistentes em algumas áreas do mundo, e é preferível que você esteja imunizado (protegido) contra as mesmas. Não pense nisso como mais uma dor de cabeça, mas como algo que você faz por você mesmo. Esse mundo globalizado tem cada vez menos barreiras para tudo, inclusive para doenças. Quanto mais protegido você estiver, melhor sua qualidade de vida.

Quarto: meios de transporte até o destino almejado. Se for dirigir carro próprio, cheque tudo antes de viajar! Freios, bateria, gasolina, pneus, água etc. Não corra riscos desnecessários de estragar a viagem para a qual você tem trabalhado tanto.

Para quem vai de avião, vou explicar algumas coisas sobre esse meio. Existem companhias aéreas low-cost (de baixo custo), cujas passagens são normalmente mais baratas, mas as quais oferecem menos privilégios que as companhias normais. Essas últimas, por sua vez, muitas vezes estão inclusas em algum grupo ou parceria com companhias de outros países, facilitando viagens ao redor do mundo.

Se você pode(rá) viajar pelo menos uma vez por ano, pense em registrar-se em uma dessas associações aéreas, e procure voar nas companhias que a ela pertencem quando for aos seus destinos escolhidos. Assim, você vai acumulando milhas (pontos), e, dentro de um tempo pré-estabelecido (que depende da companhia ou da aliança), poderá usá-las para voar de graça. É difícil usar sempre os mesmos serviços, pois preços variam muito por temporada. Porém, ao fazer sua escolha, leve em consideração que às vezes vale mais a pena pagar um pouco mais e ganhar mais pontos dentro de um só programa, do que pagar menos e não ter outra recompensa que não o preço. Lembre-se que viajar de graça não é a única vantagem que esses programas de fidelidade podem trazer. Dependendo da sua frequência de uso, poderá usufruir das salas VIPs nos aeroportos do mundo e viajar na classe executiva – ou mesmo 1ª classe –, apenas utilizando esses pontos.

Para referência, as alianças que eu mais vejo mundo afora são:
Oneworld
Sky Team
Star Alliance

Seguem alguns itens a se levar consideração ao escolher a qual o grupo você quer se filiar:
• Preço médio das companhias mais prováveis que você usará (para facilitar sua pesquisa, escolha 3-5 dentre elas).
• Tempo que as milhas duram (validade, ou prazo de expiração). Quanto maior esse período, mais chances você tem de acumular mais pontos e usá-los para viajar de graça! Salvo engano, a média é três anos, mas já vi alguma companhia cujo prazo era de dois anos, e uma outra me surpreendeu certa vez com nada menos que cinco anos – mas tenho quase certeza que era promocional...
• Benefícios que o programa traz. Clientes de um programa são divididos em categorias distintas, conforme suas respectivas pontuações, e ganham benefícios de acordo com a posição (alta ou baixa) de sua classificação. Normalmente esses benefícios incluem mais peso e/ou volume de bagagem não-paga, menos tempo de espera nas filas para check-in e embarque (e, às vezes, para retirada de bagagem também), uma porcentagem a mais no acúmulo de milhas por viagem² etc.
• Acesso às salas VIP, conforme sua categoria. Isso é especialmente útil quando se tem uma troca de avião³ demorada. Quando a espera é muito grande, muita gente considera passar o tempo num hotel. Por outro lado, quando esse período é de, por exemplo, 5hs, ficar numa sala VIP é menos complicado, pois não precisa passar pelo controle de passaporte e segurança mais de uma vez.

O quinto e último grande ponto é acomodação, ou seja, onde você passará as noites (e/ou dias, a depender do tipo de viagem que você deseja). O mais óbvio são hotéis, que são convencionalmente classificados por estrelas, de zero a cinco – quanto maior o número, melhor e mais caro o hotel. Fora isso, existem outras opções, como hostels (são tipo dormitórios, costumeiramente mais baratos que hotéis), pousadas (bed & breakfast, ou B&B), apartamentos alugados, ficar na casa de alguém (o famoso couch surfing, ou serviços de sites como o airbnb), hotéis-cápsula etc.

Aliás, é bom salientar: para viagens muito compridas, estilo Brasil – Japão, as quais exigem muito tempo de vôo e pelo menos uma conexão, considere a possibilidade de fazer um stop-over (Pausa na viagem. Passar uma noite ou mais num local que não é seu destino final) na cidade onde você trocará de avião. Isso vale especialmente para quem vai de classe econômica, a qual tem as passagens mais baratas, mas, ao mesmo tempo, as cadeiras mais incômodas. Além de ser cansativo, viajar para lugares muito distantes causa jetlag muito forte, além de atrapalhar o seu fluxo de energia, e, consequentemente, o seu pique. Repousar entre duas viagens longas ajuda o corpo a se adaptar à diferença de horários. Se for apenas descansar, é recomendável procurar um hotel (ou seja lá onde você resolver passar esse interim) perto do aeroporto, de forma a evitar dores de cabeça no transporte entre o mesmo e sua acomodação. Todavia, se for passar alguns dias para explorar o lugar do stop-over, considere também o horário do seus vôos e os meios de transporte disponíveis, a quantidade de dias que irá passar etc.

Vistos esses cinco pontos, cabe a você decidir o nível de controle que deseja sobre sua viagem. Há pessoas que gostam de tudo programado, definido, reservado etc (LULU! XD). Também há quem prefira tudo livre, como uma aventura. No segundo caso, não fica divertido ter uma mala enorme para carregar de lá para cá, de forma que normalmente leva-se uma mochila – daí o nome “mochileiros”, atribuído àqueles que viajam nesse estilo mais solto.

Não há uma forma certa ou errada, depende apenas de você: de suas preferências, do quanto você tem disponível para gastar, do nível de controle que você gosta ou quer etc. Porém, seja coerente: se preferir não reservar hotéis para toda ou a maior parte de sua viagem, evite malas pesadas e/ou volumosas, porque talvez você precise andar bastante para achar acomodação. Por outro lado, se resolver deixar tudo (ou parte) pré-programado, procure evitar atrasos para não embolar sua agenda, mas deixe margens de tempo razoáveis entre cada item, porque imprevistos acontecem, e, mais ainda, em lugares com os quais não se tem familiaridade... Tente não se estressar se algo der errado, pois isso apenas estragará sua viagem.

Por fim, companhia melhora tudo. Há quem goste de viajar sozinho, mas eu creio que é sempre bom ter pelo menos uma pessoa com a qual dividir a experiência, para comentar as coisas que se vê ou experimenta. Se ninguém que conhece quer ou pode ir junto, considere fazer sua viagem por meio de um “pacote”, que podem ser adquiridos em agências de viagens. Trata-se de um conjunto que engloba no mínimo a(s) passagem(ns), o(s) hotel(éis) e atividades pré-agendadas. Normalmente são vendidos a preços mais baixos, muitas vezes já incluindo o ingresso dos lugares os quais se visitará, como museus e atrações locais. Geralmente não se conhece as outras pessoas que se juntarão ao grupo, mas como estão todos juntos e indo aos mesmos lugares, acaba-se formando uma certa camaradagem entre os membros, e você não fica só em sua viagem. Também tem o fator segurança, visto que são empresas licenciadas cuidando de seus clientes. Isso pode ser um fator crucial, vez que você provavelmente não conhece nada do lugar – e talvez nem mesmo do idioma.

Aliás, dica muito boa: tente aprender as expressões mais básicas na língua local. Coisas como: “obrigado”, “por favor”, “hospital”, “socorro”, “onde fica o banheiro” etc. Educação e esforço abrem portas... Digo por experiência: já ganhei bolsa de estudos e ofertas de bolsa para doutorado por isso.

Por fim, se puder, leve uma câmera boa para poder guardar boas lembranças em dobro: de forma abstrata, na sua memória, e no mundo físico, com as fotografias. Assim, poderá dividir suas experiências e histórias de forma mais visível.

Pronto, por enquanto é só. Até a próxima edição, quando continuaremos nossos relatos sobre viagens a lugares específicos! o/

E QUE 2016 SÓ LHES TRAGA ALEGRIAS! :D

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¹ Representante legal de um país ou nação fora do próprio território, ou seja, em outro país. Só por curiosidade: o terreno de uma Embaixada ou Consulado é considerado extensão do território do respectivo país, sabiam? Em outras palavras, quando se entra numa Embaixada do Brasil – digamos, por exemplo, a que fica em Israel –, você está em território brasileiro, e, portanto, pode-se dizer que está no Brasil, mesmo que, geograficamente, esteja em Israel.

² Por exemplo: digamos que, pelo trecho comprado, você receberá 5.000 milhas como a quantidade base pela passagem mais barata. Assim, se o benefício que lhe for concedido por sua categoria no plano fidelidade é de +10% sobre essa quantidade, você pontuará 5.500 milhas. Essas porcentagens variam bastante; já vi de +10%, de +25%, e até de + 75%.

³ Quando você pega dois aviões (ou mais) diferentes, essa troca é chamada de “conexão”. Atenção, não confundir com “escala”, que significa apenas que o avião em que você está vai parar em determinado lugar, mas no qual você não irá descer ainda! Para quem mora em cidades com metrô, “conexão” é o equivalente a “baldeação”, ou trocar de linha, enquanto “escala” seriam as estações (paradas) entre aquela em que você entrou no veículo e aquela na qual você descerá do mesmo.



A Elefanta


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