11 de novembro de 2011

Na sua estante: fazendo planos a caminho do baile/trocando as máscaras






#091: Fazendo planos a caminho do baile
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André observou a roupa estendida em cima da cama pela irmã pouco antes de Beatriz sair para ir se arrumar com Sofia. César Augusto, hum? Ele podia ter ficado com fantasias piores. O primeiro imperador de Roma não tinha nenhuma mancha absurda no currículo.

Melhor que ir como Cesare Bórgia, independente do fato de que ele inspirara Maquiavel. De acordo com Beatriz, a história do incesto era pura intriga da oposição, mas, considerando que a irmã ia como uma dama florentina genérica, André realmente não queria correr o risco de ouvir que eles tinham ido como Cesare e Lucrecia¹.

Ele já teria problemas suficientes, considerando que Júlia estaria na festa. E, mesmo que fosse um baile de máscaras, ele tinha certeza absoluta de que ela seria capaz de encontrá-lo e fazer de sua vida um inferno.

Tantas bibliotecas, em tantas áreas da faculdade, e ela tinha que entrar logo na dele²?

O rapaz suspirou. Aquela prometia ser uma longa noite.


*****

Luis encarou-se no espelho, pensativo. Não havia nada que demarcasse a fantasia que usava, que gritasse a personalidade que ele escolhera envergar àquela noite.

Ele se perguntava se seu plano daria certo. Se ela seria capaz de reconhecê-lo. Ela tinha de ser capaz de reconhecê-lo. Pois naquele dia, Dante Alighieri finalmente transformaria sua paixão platônica pela dama Beatrice em algo real.


*****

Davi quase riu ao ver-se pronto para a festa, imaginando se a irmã tinha adivinhado seus planos para aquela noite ao fazer sua fantasia.

Plutão, o deus dos infernos. Nada mais adequado, realmente...


*****

Quem diria que o mundo existiria por tempo suficiente para ver uma Cleópatra ruiva? Júlia riu-se baixinho enquanto terminava de arrumar a coroa sobre as tranças inspiradas em Elizabeth Taylor.

Aquela noite certamente seria muito divertida...


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#092: Trocando as Máscaras
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Dani sorriu enquanto a prima se quedava, completamente absorta diante de seu reflexo no espelho. O vestido, de um azul e vermelho, realçava sua figura, enquanto os cabelos negros, presos numa rede dourada, faziam-na lembrar de sua inspiração para aquela fantasia: a dama com arminho, do mestre Da Vinci.

O barulho do trinco do banheiro revelou a entrada de outra figura e a jovem desenhista se virou para encontrar sua outra criação vinda à vida: Proserpina, a filha dileta dos deuses na primavera e verão, rainha do inferno no inverno.

Beatriz sorriu para ela, radiante, enquanto terminava de ajeitar a tiara em torno dos cachinhos que lhe caíam pelo rosto.

- Embora você tenha nos dado um susto quando disse que tinha mudado as fantasia... devo confessar que tinha razão, Dani. Adorei minha túnica... e Sofia ficou muito distinta também. – ela praticamente pulou por todo o caminho que a separava da melhor amiga, quase se pendurando no ombro dela – Você está perfeita, Sofia.

- Você também não está nada mal. Só cuidado para não achar alguém para raptá-la³. – Sofia respondeu, por fim desviando-se do espelho, para então encarar a prima – Você tem mesmo certeza que não quer vir conosco, Dani? Não gosto da idéia de deixála aqui sozinha.

- Fora que é tremendamente injusto depois de todo trabalho que teve você não aproveitar também. – Bia completou.

Dani apenas balançou a cabeça.

- Eu vou ficar bem. Não sou uma grande fã de multidões. Me basta ver vocês duas assim, prontas. Aproveitem a festa por mim.

- Faremos o possível. – Bia respondeu com um meio sorriso, tomando a máscara que estivera segurando até então e entregando-a para Sofia – Aqui... acabamos por trocar de máscaras.

Sofia assentiu, estendendo a que estava consigo também.

- Só vamos esperar que ninguém nos confunda no final...

- Ah, isso é impossível. – Bia piscou um olho – Mas, mesmo que alguém pudesse nos confundir na penumbra, não é exatamente esse o propósito de um baile de máscaras?

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¹ Cesare e Lucrecia, filhos do papa Alexandre VI. Os irmãos passaram à história como amantes, embora não haja confirmação histórica do fato.

² Referência ao filme “Casablanca” – Tantos bares, em tantas cidades em todo o mundo, e ela tinha que entrar logo no meu.

³ Sofia se refere ao mito do rapto de Proserpina por Plutão, equivalente ao mito grego de Perséfone e Hades.



A Coruja


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2 comentários:

  1. Devo confessar que acompanho o coruja a milenios, mas nunca comentei. (nao me pergunte o pq, nem eu mesma sei)

    Mas essa festa a fantasia está me fazendo roer as unhas. Prevejo problemas *o*
    só queria dizer q sou uma admiradora das suas estórias (desde as fics da epoca de silverghost, Mina, Amaterasu, Na sua estante, Os quatro ases...).

    Apesar de nunca aparecer aqui...

    Gaby (tenho uma conta google, mas nao to conseguindo acessar ela pelo cel.,mas qualquer coisa meu e-mail é: gabi.biazzolo@hotmail.com

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  2. Vejo muitas confusões a vista... ¬_____¬

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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