13 de maio de 2011

Na sua estante: If I Fell




#063: If I Fell
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If I fell in love with you,
Would you promise to be true
And help me understand?

'Cause I've been in love before
And I found that love was more
Than just holdin' hands.

Penélope voltou para a sala após deixar o balde de pipoca na cozinha. Os créditos finais do filme subiam na televisão e Arquimedes, esparramado no sofá, o cabelo arrepiado e os óculos tortos no rosto, lembravam um cientista maluco de desenho animado.

Heitor dormia sentado sobre o peito do professor, sua forma encolhida subindo e descendo com a respiração do homem. Ela quase riu. Heitor tinha verdadeira adoração por Arquimedes e sempre o seguia por todo canto quando ele estava em casa – e ela não podia deixar de sentir um pouco de ciúmes dessa óbvia predileção, ainda que volta e meia pegasse Arquimedes resmungando algo inteligível encarando Heitor segui-lo resolutamente de cima a baixo.

Usando a manta que estava sobre o outro sofá, ela cobriu os dois, tirando os óculos do rosto do professor antes de se sentar no chão, defronte a eles.

Ela podia ver o resto de sua existência: tardes felizes assistindo filmes antigos, trocando comentários que quase ninguém mais compreendia, com Heitor aninhado entre eles como um filhote.

Penélope riu consigo mesma. Isso era o que acontecia quando você colocava juntos dois apaixonados por livros e filmes, que tinham tantas experiências de vida em comum: quando não estavam conversando sobre livros ou filmes, estavam conversando sobre o impacto que tal e tal título tinha provocado neles com o decorrer dos anos.

Se eles tivessem filhos, os pirralhos seriam ‘nerds’ insuportáveis.

Por um instante, ela se assustou com o pensamento. Era a primeira vez que tinha esse tipo de idéia. De alguma forma, contudo, era uma idéia que fazia um certo sentido. Um tanto quanto...

Ela cruzou os braços sobre o sofá, pousando a cabeça sobre elas, deixando-se próxima o suficiente para sentir a respiração de Arquimedes em seu rosto, optando por não digladiar-se com tal linha de pensamentos – especialmente depois de algumas taças de vinho.

Havia momentos em que ela sentia como se fosse explodir se não dissesse logo que o amava. Que era capaz de imaginar um inteiro futuro ao lado dele. Uma família. Que às vezes ficava se perguntando como seria acordar ao lado dele todos os dias – e ir dormir ao lado dele todas as noites.

Ela já tivesse esses sonhos antes, contudo, e eles tinham ruído como castelo de cartas. Penélope sabia, claro, que não havia comparação entre Arquimedes e Leo – o que sentia pelo amigo de infância era dez vezes mais forte e Arquimedes o fizera por merecer, pois era dez vezes o homem que Leo fora.

Mas o medo não é algo racional e ela não sabia o que aconteceria se – não, não se, mas quando – finalmente conseguisse colocar para fora o que lhe ia pelo coração.

Não confiava nas palavras. Elas tinham sido tão banalizadas que não confiava mais no significado delas. Ainda assim, eram as únicas disponíveis para expressar o que sentia.

Com cuidado, ela selou os lábios dele num beijo rápido, tímido, para em seguida voltar à posição inicial, o rosto ligeiramente vermelho, como se tivesse voltado vinte anos no tempo e fosse ainda uma adolescente.

- Tenha só um pouco de paciência comigo. – ela murmurou baixinho – E vou achar uma maneira de dizer que realmente, realmente amo você.

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A Coruja


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Um comentário:

  1. Owwwwwnnnnnnnnnnnn!!!

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    Eu quero um Arquimedes também!... Comofas? XD

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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