5 de outubro de 2009

A sobrinha e o passarinho - histórias de um final de semana


Essa semana está uma coisa séria... e ela mal começou. Aliás, Cathy, eu estou com seus pedidos anotados, não se preocupe que eles estão na minha lista de ‘coisas para fazer essa semana’.

Hum... sobre o que falarei agora? A verdade é que eu tenho um bom bocado de coisas interessantes para contar. Mas não poderei desenvolver tão bem quanto queria minha história de final de semana e se eu não postar hoje, amanhã já terá perdido a graça; será notícia velha.


Então, vamos aos fatos. Fui, como sempre vou quinzenalmente, a Gravatá esse fim de semana. Meu irmão mais velho foi também e eu me tornei, mui graciosamente, babá da minha sobrinha de dois-quase-três anos.

Quero abrir espaço aqui para minha faceta tia-babenta-coruja e dizer que Ana Lígia é uma coisa fofa, que me faz querer encarnar a Felícia: vontade de abraçá-la, beijá-la e apertá-la atéeeeeee ela explodir.

Obviamente que ao final do dia eu já tinha reforçado meu desejo de não ser mãe, já que não conseguia encontrar o botão de desligar da minha sobrinha, indo à nocaute antes das oito da noite... mas isso é o de menos.

O caso é... passei o final de semana junto à piscina, assistindo todos os desenhos de princesas da Disney e correndo atrás de passarinhos.

Aqui a coisa começa a ficar interessante.

Não posso reclamar de Ana Lígia no aspecto “correr atrás de pássaros”, porque faço isso desde que me entendo por gente e esse peculiar aspecto do meu caráter nunca foi resolvido com o tempo. Eu continuo perseguindo pombos quando os vejo no meio-fio, da mesma forma que fazia quando tinha três para quatro anos e corria atrás deles na praça da Sé e da República.

Há fotos para confirmar meu crime. Daquela época e atuais.

O caso é... em mais de duas décadas perseguindo pombos e outras criaturas de penas, eu nunca tinha conseguido deitar as mãos em um deles... até o sábado.

Corre Ana Lígia para um lado, corre Ana Lígia para o outro, rindo e pedindo que eu pegue o passarinho. Corre Lulu para um lado, corre Lulu para o outro, se enfia pela piscina, sai pelo outro lado e, de repente, não mais que de repente... ela descobre que tem entre suas mãos um filhote de pardal.

Embora ele já tivesse penas, ainda era muito pequeno e não conseguia voar; apenas dar uns pulos meio desajeitados – o que explica como eu consegui pegá-lo (porque, obviamente, falta-me coordenação motora suficiente para ser uma caçadora de passarinhos).

Com os corações partidos, levamos, eu e Ana Lígia, o passarinho para minha mãe, que, se não é veterinária, criou muito passarinho quando criança, e saberia o que fazer.

Pouco depois, estávamos as duas sentadas no chão, ao redor da caixa onde colocáramos o passarinho, tentando fazê-lo beber água e comer ração. Ele não queria abrir o bico de jeito nenhum, contudo, e a mãe então disse que ele era muito pequeno e que tínhamos de abrir o bico dele apulso pra enfiar a comida pela sua goela.

Mamãe é uma pessoa muito delicada e de fino trato com as palavras, como se pode logo perceber.

Como Ana Lígia tinha medo de colocar a mão no passarinho porque, de acordo com ela, ele ‘chupava sangue’ (eu juro que não foi influência minha; nunca fiz nenhuma preleção sobre vampiros para minha sobrinha!) e eu estava apavorada com a idéia de machucar o pobre ainda mais, tivemos que esperar a mãe terminar de arrumar as coisas depois do almoço.

Eu até mesmo me ofereci para lavar as panelas. Surpreendente, eu sei. Inacreditável também. Lulu abomina serviço de casa. Mas eu estava disposta ao sacrifício pelo passarinho.

Surpreendentemente, mamãe me dispensou.

Em todo caso, depois de tudo arrumado na cozinha, ela finalmente se sentou junto ao passarinho e, sob os olhares assombrados da filha e da neta passou a enfiar a comida, muito literariamente, goela abaixo do pobre do passarinho.

Repetimos todo o ritual depois do jantar. E no café da manhã no domingo. Mas nosso pobre, pobre pardal não resistiu muito mais que isso. Às dez, enquanto assistíamos Procurando Nemo, ele faleceu.

Fizemos uma elegia para ele no jardim antes que mamãe o jogasse sumariamente no lixo.

Acho que estou agora curada da minha obsessão em correr atrás de pombos.

editado uma semana depois: Errei quando me considerei curada uma semana atrás. Vi um pombo hoje no meio fio quando me encaminhava para a parada. Vocês são capazes de adivinhar o que aconteceu?



A Coruja


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Um comentário:

  1. Nossa que vergonha, sumi por bem uma semana >.<' Foi mal, Lulu, por não ter respondido seu email ou dado sinal de vida. A faculdade resolveu tentar me fazer surtar e a net daqui de casa caiu. u.u Murphy ama universitários, eu fico cada dia mais convencida disso.

    Recapitulando o tempo perdido, que legal que eu acertei tantos \o/ (comemoração bem atrasada), acho que tá muito tarde para pedir prêmio, mas eu adorei os textos que vieram depois, então já me sinto devidamente premiada :D Por sinal, que história triste essa do passarinha ç.ç Se bem que eu nunca fui fã de passarinhos. Mas fico meio agoniada quando vou pro interior vistar a casa dos meus tios... O terraço é cheio de gaiolas penduradas. Ç.Ç Parece filme de terror, sinceramente.

    Um voto aos passarinhos serem livres para voar e viverem suas vidas em paz. u.u/ Mesmo que elas acabem sendo meio curtas o.o'

    Tá, eu acordei cedo demais hoje. Continua atualizando o blog, viu?

    kissus

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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