29 de maio de 2009

Por Dentro da Cabeça da Autora: Edward

Por mais ridículo que possa soar o que eu disse nas notas da autora do Prólogo de Dusk, é a mais pura verdade que eu comecei a escrever a segunda parte de New Dawn sob o POV do Edward por causa do meu vizinho pagodeiro que, tendo colocado o som na maior altura, forçou-me a enfiar os fones no ouvido e escutar qualquer coisa que estava no aparelho.

Muito antes de começar a escrever Dusk, eu já tinha experimentado escrever com Edward - na one-shot A Última Noite e no capítulo 03 de Dusk (que irá ao ar esse fim de semana).

Serei absolutamente sincera... não gosto muito de escrever o Edward; da mesma maneira que não sou fã de escrever a Bella. Ele é um dos personagens mais cansativos e difíceis que já usei; cada capítulo sob o ponto de vista dele é quase um parto.

Isso se dá, obviamente, por conta da personalidade dele e na própria natureza do relacionamento dele com Bella.

Vejamos se consigo explicar... Na primeira vez que li Crepúsculo, encantei-me com o cavalheirismo e o amor absoluto que Edward sentia por Bella. Quando terminei o livro, porém, e comecei a me preparar para pegar em Lua Nova, notei algumas coisas que, mais tarde, seriam validadas pelos outros livros da série.

Em alguns - muitos - aspectos, a relação de Edward e Bella não é exatamente das mais saudáveis. É obsessiva, doentia, egoísta; o mundo inteiro perde a importância diante do outro. Família, amigos, tudo se torna secundário, jogado ao vento sem segundo pensamento.

Isso pode parecer se aplicar apenas à Bella, já que ao final de Crepúsculo, ela pede a Edward que a transforme sem dar um segundo de atenção ao fato do que isso representaria para seus pais, para as pessoas que a amavam. Mas Edward está no mesmo barco, quando parte para Volterra, deixando toda sua família para trás partida. Mais de uma vez, eles destroem aqueles que estão ao seu redor, colocando seus sentimentos, prazeres e necessidades acima de todos os outros.

Esse talvez seja um dos principais apelos da série para os leitores. Numa sociedade em que os relacionamentos são, como diz Bauman (voltaremos a Bauman em outra oportunidade. Um dos meus filósofos favoritos definitivamente merece um artigo só para ele), líquidos, passageiros, volúveis, em que cortejar, romancear, seduzir foi substituído pelo ficar sem amarras, nada parece mais tentador que ter alguém como Edward ao seu lado, uma constante, disposto a tudo pela mulher que ama.

Mas deixemos a filosofia para outro dia...

Em termos de escrita, o grande problema do Edward é sua perpétua angústia e senso de martirização. Ele está constantemente se culpando, se odiando por ser, simplesmente, aquilo que ele é. Tendo sido transformado aos dezessete anos, ele parece simplesmente não ter ultrapassado aquela fase da vida em que acreditamos que ninguém nos entende, que somos injustiçados, infelizes, etc, etc, etc.

Minha dificuldade maior com Edward foi, justamente, nos três primeiros capítulos de Dusk, pois eles servem como um prelúdio das coisas que estão por vir. Da maturação do personagem, do seu crescimento.

Embora eu tenha muitas críticas a Breaking Dawn, uma coisa que não posso negar é que a diferença entre Edward pré-transformação da Bella e pós-transformação da Bella é um bálsamo. Ele finalmente aprende a conviver com a realidade de que não pode controlar tudo, de que não pode se responsabilizar pelas decisões dos outros e de que não pode carregar o mundo nas costas.

Isso é algo que estou tentando fazer com o Edward de New Dawn. Amadurecê-lo, sem, contudo, desrespeitar seu caráter. Fazer com que ele finalmente saia dos seus anos de adolescente angustiado para se tornar um adulto feliz; sem se sentir culpado por estar feliz.

Se isso é algo que conseguirei ou não, é algo que só poderei dizer ao final de New Dawn. Até lá, esperamos que continuem sintonizados. Ok, por hoje é só, tenho que terminar de arrumar minhas malas. Estarei de volta domingo de noite e, com sorte, terei pronta a resenha de Mortal Instruments (minha insônia me deu horas extras para ler... mas acho que já disse isso antes, né?).

Até a próxima!

A Coruja


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4 comentários:

  1. Uau. Entrei em seu blog por pura coincidencia, e quando li a palavra "Edward" tive q parar para ler.
    Tenho que dizer q concordei plenamente com vc.
    Eu já tinha esses pensamentos sobre como o Edward é ou deixa de ser, mas simplesmente não conseguia colocar em palavras, e vc conseguiu.
    Então, so tenho q parabeniza-lá.
    Acho que você já sabe, mas não custa dizer, você escreve muito bem.

    Bom, é só isso.
    Bjs.

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  2. Atormentado por atormentado, eu prefiro o meu amigo Louie, Louie, Louie...
    Hehehehehehe!

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  3. Realmente, se precisar de alguem dramático Edward e Bella nãoservem,, poruqe são MUITO dramáticos!

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  4. Eu confesso que tinha me cansado de Crepúsculo e tudo relacionado à série no últimos tempos. Isso porque eu me dei conta de que o principal atrativo da série, a linguagem, a narrativa, que, de fato, é mais mérito do tradutor que do autor, estava começando a falhar comigo e o final "felizes para sempre" simplesmente não fazia mais sentido na minha cabeça, porque tudo não podia simplesmente dar certo e pronto.

    Parece coisa de adolescente revoltada com o mundo, mas talvez eu seja isso mesmo. O que importa é que foi bom ver alguém escrevendo sobre Crepúsculo sem hipocrisia, fazendo uma análise honesta dos personagens, me fez ver que eles possuem algum mérito, apesar de tudo, mérito que, na minha revolta contra Meyer, eu tinha atirado pela janela. Acho que só as pessoas que escrevem conseguem perceber os erros de uma história sem começar a odiá-la pelo resto da vida, afinal, ao menos é o que eu penso lendo o que você escreve, Lulu =P Obrigada pelos últimos textos que me reacenderam o interesse e até a próxima.

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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