10 de maio de 2009

Devaneios em dia das mães

Levantei hoje de quatro e cinqüenta e sete. Não sei se sou a única a char que há algo de muito errado com meu relógio biológico - talvez eu devesse procurar um relojoeiro para acertar meus ponteiros e aproveitar para apertar alguns parafusos que andam meio soltos...

Mas eu tinha uma importante missão pela frente: preparar o café da manhã de mamãe.

Então, com toda a minha coragem matutina, fui me embora para a sala, arrumar a mesa e a cesta de café - na quinta eu dei uma passada pelo centro para comprar as coisas para a cesta.

Meus planos incluíam arranjar pão quente, já que ela gosta de comer um pão fresquinho. Assim, armei-me com meu guarda-chuva (aquilo é realmente uma arma, mas reflexões sobre meu guarda-chuva ficarão para uma próxima crônica) e saí sem me tocar de olhar o relógio.

Muito bem... Imaginem vezes que moro numa área extremamente residencial. Choveu à noite e não há uma única viv'alma na rua. Agora imaginem Lulu com sua cara de menina pequena andando sozinha com o guarda-chuva da Mary Poppins por essas ruas vazias.

Pois é... todos concordamos que Lulu realmente precisa dar uma apertada nos parafusos dela.

Há duas quadras de casa está o Carrefour, que era meu objetivo final. Paro no portão e arregalo os olhos, curiosa. O que está acontecendo? Por que está tudo fechado? Dou meia volta no quarteirão até encontrar uma placa onde se lê que o supermercado só abre às sete horas.

Lulu tem uma crise de riso no meio da rua solitária. Sim, são coisas que têm de acontecer comigo mesmo. Mas, bem, não pode demorar tanto assim para abrir, não é? Quanto será que falta para as sete?

De qualquer jeito, há uma padaria mais à frente, não muito longe da UK - badalada boate de onde tem gente que está saindo por agora. Pois é, enquanto eu estou chegando, o povo tá indo dormir àquela hora.

O que apenas reforça a pergunta, ao perceber que a padaria (A PADARIA!) ainda está fechada: afinal, que horas são?

Após tentar calcular mentalmente as horas pela posição do sol - tarefa na qual falho miseravelmente por questões bastante óbvias - pergunto-me se é seguro perguntar a alguma das poucas almas que estão passando por ali (provavelmente para abrir o supermercado no quarteirão seguinte).

Mas eis que surge mais uma pergunta: e se algum deles for um psicopata? O que diabos eu estou fazendo na rua a essa hora (seja lá que hora for essa?)? Será que sou uma suicida inconsciente?

Finalmente, aventuro-me a perguntar gentilmente a hora a uma moça que passa por mim. São 6:15, ela diz. Seis e quinze da manhã. SEIS E QUINZE DA MANHÃ. Eu saí de casa sem sequer olhar o relógio, por uma rua bastante deserta, para comprar pão às seis e quinze da manhã.

Derrotada, volto para casa. No caminho, encontro uma vendedora de flores e volto um pouco mais feliz com a rosa debaixo do braço para juntar aos outros presentes que eu já tinha arrumado na mesa.

E assim, espero deitada no sofá, até as oito horas, quando o resto da casa acorda, para o nosso grande café da manhã.

Moral da história: (1) olhe o relógio antes de sair de casa para não correr o risco de encontrar com algum psicopata madrugadeiro e (2) dizer que amamos alguém não significa nada se não o demonstramos por atos. Não que vocês devam fazer como eu, é claro... De doida por aqui, basta uma.

O negócio é... dia das mães deveria ser todos os dias. Todos os dias deveríamos parar um pouco para refletir sobre a importância delas em nossas vidas, para mimá-las um pouco e para dizer "eu te amo".

Amor se demonstra nas pequenas gentilezas, nos pequenos atos que fazemos todos os dias. É neles que reside os grandes amores; não nos grandes e trágicos atos de um Romeu e Julieta.

Lembrem-se disso.

A Coruja


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