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4 de junho de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - Quanto Maior a Altura, Maior a Queda


Com a criação das primeiras estrelas por Varda, despertaram na Terra-média os Primogênitos de Ilúvatar. Quando Oromë, o Vala caçador, encontrou-os pela primeira vez, eles já tinham se separado em três grandes clãs, que mais tarde seriam chamados Vanyar, "belos elfos"; Noldor, "elfos-profundos" e Teleri, "elfos-do-mar". Oromë os chamou, em sua própria língua, de eldar, ‘o povo das estrelas’.


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25 de maio de 2020

Night Watch: tiranos, uma Revolução Gloriosa e a banalidade do mal


'Você gostaria de Liberdade, Verdade e Justiça, não gostaria, camarada Sargento?' perguntou Reg encorajador.

'Eu gostaria de um ovo cozido,' respondeu Vimes, sacudindo a caixa de fósforos.

Houve algum riso nervoso, mas Reg pareceu ofendido.

'Nas circunstâncias, Sargento, eu penso que poderíamos focar um pouco mais alto--'

'Bem, sim, nós poderíamos' retrucou Vimes, descendo os degraus. Ele lançou um olhar para os papéis na frente de Reg. O homem se importava. Ele realmente se importava. E ele estava sério. Realmente estava. 'Mas... bem, Reg, amanhã o sol virá de novo, e eu tenho bastante certeza que o que quer que aconteça não teremos encontrado Liberdade, e não haverá muita Justiça, e tenho absoluta certeza que não teremos encontrado a Verdade. Mas é possível, talvez, que eu consiga um ovo cozido.'

Night Watch abre com uma cena de perseguição policial pelos becos e telhados de Ankh-Morpork, envolvendo Samuel Vimes, Comandante da Guarda, e Carcer, um psicopata que prefere policiais como suas vítimas. Vimes consegue encurralar o assassino no telhado da Universidade Invisível, mas, em meio a uma tempestade mágica, os dois despencam não apenas no espaço, mas através do tempo, até trinta anos no passado, às vésperas do que ficou conhecido como a Revolução Gloriosa e a República da Estrada Mina de Melaço - um breve e sangrento momento na história da cidade.


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23 de abril de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - O Bardo é Pop


Assisti por esses dias montagens de Hamlet e Romeu e Julieta no Globe, em Londres - disponibilizadas por streaming no YouTube do teatro - e me surpreendi em como duas das mais clássicas tragédias do bardo me provocaram crises de riso. Não, eu não surtei (ainda) e virei uma pessoa sádica que se diverte com o sofrimento alheio. Ocorre que a dinâmica de palco dessas histórias foi apresentada de forma muito diferente do que vemos em filmes, que é a maneira mais comum de termos contato com as obras de Shakespeare.


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3 de abril de 2020

O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo: mensagens para aquecer o coração


Final do ano passado, esse foi escolhido um dos livros do ano pela Waterstones. Passeando por críticas - como a do The Guardian - encontrei afirmações como “melhor sugestão de livro para presente de natal” e isso aguçou minha curiosidade. Coloquei-o na lista.


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27 de fevereiro de 2020

Mythos: As melhores histórias de heróis, deuses e titãs


Atualmente, a origem do universo é explicada pelo big bang, um evento isolado que fez aparecer instantaneamente toda a matéria da qual tudo e todos são feitos.

Os gregos antigos tinham uma ideia diferente. Eles diziam que tudo começou não com uma explosão, mas com o CAOS.

Será que o Caos era um deus – um ser divino – ou simplesmente um estado de inexistência? Ou seria o Caos, exatamente como a palavra é usada hoje, um tipo de bagunça terrível, como um quarto de adolescente, só que pior?

Pense no Caos como, talvez, algum tipo de grande bocejo cósmico. Como um abismo ou um vácuo que boceja, no vazio da existência.

Se o Caos fez surgir vida e substâncias do nada, ou se o Caos bocejou vida, ou se a sonhou, ou a invocou de alguma outra maneira, eu não sei. Eu não estava lá. Nem você. No entanto, de algum modo, estávamos, porque todas as partes que nos compõem hoje estavam lá. Basta dizer que os gregos achavam que foi o Caos que, com um suspiro intenso, ou um grande encolher de ombros, ou um soluço, vômito ou tosse, começou a longa cadeia da criação que terminou com pelicanos e penicilina e sapotis e sapos, leões-marinhos, leões, mar, seres humanos e narcisos e assassinato e arte e amor e confusão e morte e loucura e biscoitos.

Comprei esse livro na Black Friday ano passado, por nenhum outro motivo especial além de “está em promoção”. Melhor dizendo, eu até estava atrás de algum volume de mitologia grega para ter como referência na estante, mas o escolhido era uma edição ilustrada da Zahar escrita por Nathaniel Hawthorne (o autor de A Letra Escarlate). O livro do Stephen Fry nem tinha entrado no meu radar. Mas tudo bem, fato é que estava num preço excelente, era um livro em capa dura, eu sempre podia guardá-lo para dar de presente depois.


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9 de agosto de 2019

Uma introdução à crítica: A Arte da Ficção


Quando um romance começa? A pergunta é quase tão difícil de responder quanto dizer com precisão em que momento o embrião humano se torna uma pessoa. É raro um novo romance começar com as primeiras palavras escritas ou datilografadas. A maioria dos escritores faz algum trabalho preliminar, ainda que apenas de cabeça. Muitos se preparam com todo o cuidado por semanas ou meses, fazendo esquemas da trama, compilando CVs para os personagens, enchendo cadernos de ideias, cenários, situações e piadas a serem usados durante a composição. Cada autor tem seu jeito próprio de trabalhar.

Não consigo me lembrar exatamente o motivo pelo qual esse livro me chamou a atenção - talvez tenha sido só pelo título, ou por indicação em alguma lista. Seja como for, ele estava há tempos na lista de desejados, até que aproveitei uma daquelas promoções de desconto progressivo para enfiá-lo no meio das compras. Comecei a ler praticamente no momento em que o tirei da caixa e terminei no dia seguinte, mal conseguindo largá-lo para ir dormir.


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4 de maio de 2019

Dez Anos em Dez Ensaios - Duplo Código: Adicionando Camadas de Interpretação à 'A Abadia de Northanger'

Vista da Pulteney Bridge em Bath. Acervo pessoal.

Uma característica marcante de vários dos meus escritores e livros favoritos é a presença de alusões a obras ou fatos históricos, qualquer pequena brincadeira que me passasse a impressão de estar compartilhando um segredo com o autor - uma piscadela de olho, por assim dizer. Chamava isso de ‘palavras cruzadas literárias’, ao menos até descobrir, lendo um ensaio do Umberto Eco no livro Confissões de um Jovem Romancista, que isso se tratava de uma técnica pós-moderna chamada ‘ironia intertextual’. Nas palavras dele, explica-se tal recurso como “citações diretas de outros textos famosos ou referências mais ou menos transparentes a eles”, frequentemente associada à metarrativa, “reflexões que o texto faz acerca de sua própria natureza, quando o autor fala direto ao leitor”.


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14 de janeiro de 2019

Projeto Pratchett: Nation



“Somewhere out there, flying to him from the edge of the world, was tomorrow. He had no idea what shape it would be, but he was wary of it. They had food and fire, but that wasn’t enough. You had to find water and food and shelter and a weapon, people said. And they thought that was all you had to have, because they took for granted the most important thing. You had to have a place where you belonged.”

Mau está no mar, voltando para casa após superar os desafios da Ilha dos Meninos, quando a grande onda surge, deixando em seu caminho um rastro de destruição quase apocalíptico. Levada à Nação - a ilha da tribo de Mau - pela mesma onda, Ermintrude (ou Daphne, como ela prefere ser chamada) é a única sobrevivente do navio Sweet Judy, que a levava para encontrar o pai na sede das colônias britânicas na região. E, embora ainda não saiba, ela acaba de se tornar princesa herdeira do trono inglês, após a peste dizimar boa parte da família real do outro lado do mundo. E é assim que começa Nation, livro que Pratchett considerava o melhor que já escrevera: dois jovens sobreviventes numa ilha deserta, após um cataclisma que eles bem poderiam considerar o fim do mundo.


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8 de outubro de 2018

All Hallow’s Read: Elfos, Bruxas, Reis e Rainhas em mais uma história de Discworld


"- (...) Mesmo um caçador, um bom caçador, pode sentir pela presa. Isso é o que faz com que seja um bom caçador. Elfos não são assim. São cruéis por diversão, e não entendem coisas como misericórdia. Não entendem que algo além deles próprios possa ter sentimentos. Eles riem muito, especialmente se pegarem um humano solitário, um anão ou um troll. Trolls podem ser feitos de rocha, Majestade, mas estou dizendo a você que um troll é seu irmão em comparação com os elfos. Na cabeça, quero dizer.

- Mas por que eu não sei de nada disso?

-
Glamour. Elfos são bonitos. Eles têm, - ela cuspiu a palavra - estilo. Beleza. Graça. Isso é o que importa. Se os gatos parecessem rãs nós perceberíamos os bastardinhos desagradáveis e cruéis que são. Estilo. Isso é o que as pessoas lembram. Elas se lembram do glamour. Todo o resto, toda a verdade vira... contos de fadas da carochinha."

Não é preciso ir muito longe para perceber que Lordes e Damas é uma paródia de Sonho de uma Noite de Verão (com algumas pitadas de A Megera Domada e até Henrique V). Está tudo lá afinal: amores trocados, casamentos reais, travessuras, elfos e encantamentos; mas temperado com alguns detalhes picantes pelo meio, um sabá de bruxas e, claro, o humor bastante afiado de Pratchett.


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28 de agosto de 2018

A Arte do Romance: Dois Livros, um só Título


Resenha de hoje é dupla, de dois livros tão parecidos que poderiam ser irmãos: ambos são coletâneas de ensaios sobre a literatura, foram escritos por autores de renome por seus trabalhos com ficção, e têm o mesmo título! Provavelmente, se quisesse pesquisar, encontraria até mais volumes com todas essas características, porque ‘a arte do romance’ é realmente um título muito óbvio para um livro de crítica literária, mas comprei esses dois juntos e li um seguido do outro mês passado, então vamos nos ater a eles. Começando cronologicamente!


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16 de agosto de 2018

Uma aula de anatomia literária: Como Funciona a Ficção


A casa da ficção tem muitas janelas, mas só duas ou três portas. Posso contar uma história na primeira ou na terceira pessoa, e talvez na segunda pessoa do singular e na primeira do plural, mesmo sendo raríssimos os exemplos de casos que deram certo. E é só. Qualquer outra coisa não vai se parecer muito com uma narração, e pode estar mais perto da poesia ou do poema em prosa.

Não sei como foi que descobri esse título, mas desconfio que foi por indicação em algum outro título sobre crítica literária que li ou talvez numa daquelas listas de melhores livros sobre determinado assunto... Seja como for, ele entrou na minha lista de desejos, só que numa época em que ele estava fora de catálogo, por conta do fim da Cosac Naif. Era possível encontrá-lo em sebos, mas por preços exorbitantes; e eu não me empolgara tanto assim a ponto de ir atrás de uma edição em inglês. E aí, visitando a Bienal do Livro em São Paulo, descobri que Como Funciona a Ficção fora relançado pela SESI-SP. Não tive dúvidas em imediatamente colocar o livro debaixo do braço e começar a lê-lo quase imediatamente após chegar no hotel.


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14 de junho de 2018

Agência nº1 de Mulheres Detetives


Mma Ramotswe tinha uma agência de detetives na África, no sopé da colina Kgale. O patrimônio da agência era: uma pequenina van branca, duas escrivaninhas, duas cadeiras e uma velha máquina de escrever. Havia ainda um bule em que Mma Ramotswe - a única mulher detetive em Botsuana - preparava seu chá de rooibos, uma erva nativa. E três canecas - uma para ela própria, uma para a secretária e uma para o cliente. Uma agência de detetive precisa de mais alguma coisa? Agências dependem de intuição e inteligências humanas, ambas bem presentes em Mma Ramotswe. Mas esses são itens que ninguém jamais pensa em incluir num inventário, é claro.

Descobri Agência n. 1 de Mulheres Detetives por acaso, num passeio ao sebo. O título fez-me lembrar de uma amiga que é fã de romances policiais e comprei-o com a vaga intenção de enviá-lo para ela. Antes que isso acontecesse, porém, comecei a folheá-lo e logo me perdi na leitura.


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4 de junho de 2018

O Paraíso Perdido: Uma Adaptação em Quadrinhos


Meu primeiro contato com John Milton foi adolescente, através das epígrafes que abriam cada capítulo de A Luneta Âmbar. É engraçado; não acho que a ideia de religião - especialmente o cristianismo com que eu tinha crescido (família religiosa, escolas de freiras até quase meu último ano...) - tivesse entrado na minha cabeça como uma ferramenta disponível, possível de fazer ficção. Talvez por isso, a obra de Pullman tenha me fascinado tanto - pela qualidade da escrita, pela forma de escrever fantasia (e ele foi um dos meus primeiros autores de ficção fantástica madura, para além do faz-de-conta infantil) e pela contínua quebra de dogmas.


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13 de maio de 2018

Desafio Corujesco 2018 - Uma História sobre Livros || A Biblioteca Invisível

A acusação implícita de mentira, ou no mínimo de omissão, a atingiu com um tapa na cara. Não ajudou em nada o fato de, sob alguns aspectos, ser verdade. Ela baixou os olhos e não conseguiu responder. Pior de tudo, pela primeira vez em anos só estamos fazendo isso para salvar os livros soou mesquinho, e escolher não saber mais pareceu infantilidade.
Assim que bati o olho nesse título e na sinopse dele, imediatamente me interessei por lê-lo. Afinal, tratava-se de um livro sobre livros; ou, mais exatamente, sobre uma biblioteca fora do tempo e do espaço que preserva livros de várias dimensões e que funciona como uma espécie de quartel-general de super agentes especializados em infiltração, espionagem, roubos, magia… e preservação de histórias. No enredo desse primeiro volume - sim, trata-se de uma série - temos ainda Grandes Detetives, seres feéricos prenunciando Caos, dragões guardiões da Ordem, vampiros, zepelins, lobisomens, sociedades secretas e uma edição especial dos Contos de Fadas dos Irmãos Grimm.


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16 de março de 2018

Projeto Arda: O Mundo Começa com uma Canção


No início, era o vazio. Eru, o único, conhecido também como Ilúvatar, criou primeiro os Ainur, chamados ‘os Sagrados’. Existindo os Ainur, Eru lhes apresentou a Canção: três temas musicais a partir dos quais o Universo, e tudo o que nele existe, foi concebido.

O primeiro mote era uma sinfonia vibrante e repleta de transições; a música e seu eco “saíram para o Vazio e este não estava mais vazio”. Uma dissonância, porém, cortou-a: Melkor, que dos Ainur era aquele a quem fora concedido maiores dons de poder e conhecimento, entremeou à harmonia sua própria improvisação, de tal forma que não foi possível continuar.


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14 de março de 2018

Projeto Arda - Uma Introdução


Ano passado, quando foi anunciado que a Amazon produziria uma série inspirada em O Senhor dos Anéis, tive várias reações conflitantes - temor, expectativa e cautelosa empolgação (especialmente quando afirmaram que não seria simplesmente um remake dos filmes, mas que adaptaria histórias que ainda não tínhamos visto nas telas) -, mas meu sentimento principal, o pensamento que não me saiu da cabeça diante daquele anúncio foi “preciso reler Tolkien”.


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9 de fevereiro de 2018

Lendo ainda mais ensaios: A Slip of the Keyboard

Real fantasy is that a man with a printing press might defy an entire government because of some half-formed belief that there may be such a thing as the truth.
- Discurso no Prêmio Carnegie Medal, 2002
Ando numa daquelas minhas fases em que é mais fácil digerir a leitura de não-ficção. Não sei explicar (ainda) o motivo dessas minhas periódicas mudanças de humor literárias, porque, na maioria das vezes, os livros com que acabo curando minhas ressacas de ficção não são mais fáceis ou menos densos que os calhamaços que volta e meia fazem lar na minha cabeceira.


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4 de janeiro de 2018

Projeto Pratchett: Homens de Armas

"Se você tem que encarar a extensão de uma flecha pelo lado errado, se um homem tem você inteiramente à sua mercê, então torça com toda força para que este homem seja um homem mau. Porque o mal gosta de poder, poder sobre as pessoas, e ele quer vê-lo com medo. Querem que você saiba que vai morrer. Então eles vão falar. Vão se gabar. Vão observá-lo se contorcer. Vão adiar o momento do assassinato como outro homem adiaria um bom charuto.

Então torça com toda a força para que seu captor seja um homem mau. Um homem bom vai matá-lo sem quase dizer uma palavra."
Homens de Armas é o segundo volume das narrativas acerca da Vigilância Noturna na série Discworld, seguindo os acontecimentos de Guardas, Guardas. Capitão Samuel Vimes está prestes a se casar e deixar a Guarda - e, no processo, torna-se o homem mais rico de Ankh-Morpork. A Guarda, por sua vez, está crescendo, tendo recebido em suas fileiras um troll, um anão e uma mulher, como parte de ações afirmativas implantadas pelo Patrício frente ao processo de imigração e conflitos étnicos que estão surgindo na cidade. Os novos recrutas são recebidos pelo Sargento Colon, o Cabo Nobbs - dois veteranos da corporação - e o Cabo Cenoura, um anão de dois metros de altura cujo carisma poderia bem ser classificado como arma de controle de multidões.


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30 de dezembro de 2017

O Livro dos Livros Perdidos: uma história das grandes obras que você nunca vai ler

Desde os 15 anos, quando descobriu que não havia sobrado nada das obras de Agathon — celebrado dramaturgo e amigo pessoal de Eurípides —, Stuart Kelly começou sua lista de livros perdidos. De Shakespeare a Sylvia Plath, de Homero a Hemingway, de Dante a Ezra Pound, grandes escritores produziram obras perdidas, incapazes de serem lidas. A história da literatura é também uma trajetória coberta de perdas. O LIVRO DOS LIVROS PERDIDOS é uma obra de resgate a essa memória. Em parte história detetivesca, em parte lição de história, em parte exposição, este é o primeiro guia para os “e se” da literatura que nunca foram. Com estilo que não permite abandonar a leitura, Stuart Kelly revela trabalhos desaparecidos de famosos, aplaudidos e notáveis, desde os tempos mais remotos até finais do século XX. Brilhante, irônico e singular, O LIVRO DOS LIVROS PERDIDOS conta fascinantes histórias reais por trás dos livros que só podem existir na nossa imaginação.
O Livro dos Livros Perdidos está já há algum tempo no meu radar: cruzei com ele em alguma lista de 'livros sobre livros' e o título imediatamente me chamou a atenção. À época, até cheguei a procurá-lo para comprar, mas ele estava esgotado e nem me toquei de ir atrás dele num sebo. Passam-se os anos e coisa de um mês atrás, ganho o bendito de presente da Angélica. Preciso dizer que comecei a ler quase imediatamente, saltando toda a fila de leituras que ainda tinha por fazer esse ano?


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28 de dezembro de 2017

La Belle Sauvage: Enchentes, Contos de Fadas e Épicas Jornadas na volta ao mundo de Fronteiras do Universo

Mas o tempo não estava ajudando: a enchente consumia tudo, e a confusão era generalizada. Além disso, lorde Nugent logo se viu questionando se aquele dilúvio era inteiramente natural. Ele e seus companheiros gípcios achavam que a inundação tinha uma fonte mais estranha que o clima, pois começara a gerar ilusões e se comportar de maneira inesperada. A certo ponto, eles perderam de vista absolutamente toda a terra; era como se estivessem no oceano. Em outro ponto, Nugent teve certeza de ter visto um animal parecido com um crocodilo, ao menos tão comprido quanto o barco, a segui-los como uma sombra, sem nunca se revelar inteiramente. Certa noite, também viu luzes misteriosas se movendo abaixo da superfície, e escutou uma orquestra tocando de uma maneira que nenhum deles jamais tinha ouvido.
Não sei exatamente quando foi que li a série Fronteiras do Universo pela primeira vez, mas lembro de folhear o livro no portão, enquanto esperava a condução escolar, então isso foi ainda na década de 90. Sei que devorei os três volumes compulsivamente e tão logo terminei, queria recomeçar. Por causa de Pullman, aventurei-me a ler O Paraíso Perdido, o poema épico de Milton sobre a Queda de Lúcifer, Adão e Eva; e até me aventurei a escrever meus próprios enredos emprestando contos da mitologia judaico-cristã. Lyra e Will, a guerra pessoal de Lorde Asriel contra a Igreja e o Magisterium, a figura sedutora e manipuladora de Mrs. Coulter - tudo isso me fascinava. Ao terminar A Luneta Âmbar, eu não sabia explicar como Pullman conseguira me deixar de coração completamente partido e, ao mesmo tempo, tão satisfeita com a história.


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Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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