20 de junho de 2020

Livros para Ler no Inverno


Com o solstício de hoje se inicia o inverno - e como fiz um post especial para o outono, decidi manter o padrão e fazer algo para o início de cada nova estação esse ano (talvez eu continue em anos vindouros, não sei ainda; engraçado que já tinha feito isso antes, em 2015, se alguém quiser mais indicações).


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11 de junho de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - Segunda Estrela à Direita até o Amanhecer (ou livros infantis para não perder o rumo)


Na minha última releitura de As Crônicas de Nárnia, passei um bom tempo ruminando a dedicatória do livro, a afirmação de que “um dia você será velho o bastante para voltar a ler contos de fadas”. Desconfio de que, quando li essa frase pela primeira vez, não lhe dei a devida atenção, mas, quase vinte anos depois, ela se tornou uma citação que eu gostaria de pendurar na parede e ver todos os dias.


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10 de junho de 2020

As Intermitências da Morte: uma sátira sobre a imortalidade


Apesar de tudo, a morte que agora se está levantando da cadeira é uma imperatriz. Não deveria estar nesta gelada sala subterrânea, como se fosse uma enterrada viva, mas sim no cimo da mais alta montanha presidindo aos destinos do mundo, olhando com benevolência o rebanho humano, vendo como ele se move e agita em todas as direções sem perceber que todas elas vão dar ao mesmo destino, que um passo atrás o aproximará tanto da morte como um passo em frente, que tudo é igual a tudo porque tudo terá um único fim, esse em que uma parte de ti sempre terá de pensar e que é a marca escura da tua irremediável humanidade.

Li esse livro pela primeira vez quando ainda estava na faculdade, acho que logo na época em que ele foi publicado por aqui. Não sei dizer exatamente o que me fez ir atrás do Saramago ou desse título - desconfio que tenha sido por indicação de alguém (talvez a Régis que é muito fã do autor?) -, mas lembro de ter brigado bastante no início com o estilo “estou nem aí para pontuações” do Saramago, mas persistido por achar a história fascinante.


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4 de junho de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - Quanto Maior a Altura, Maior a Queda


Com a criação das primeiras estrelas por Varda, despertaram na Terra-média os Primogênitos de Ilúvatar. Quando Oromë, o Vala caçador, encontrou-os pela primeira vez, eles já tinham se separado em três grandes clãs, que mais tarde seriam chamados Vanyar, "belos elfos"; Noldor, "elfos-profundos" e Teleri, "elfos-do-mar". Oromë os chamou, em sua própria língua, de eldar, ‘o povo das estrelas’.


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2 de junho de 2020

Quando é preciso dizer o óbvio


Passei os últimos dias afastada de notícias para lidar com o luto - faz menos de uma semana que minha tia faleceu por causa do covid - e assim que voltei a me inteirar do que estava acontecendo, fiquei a me perguntar se não teria sido melhor ficar na ignorância.


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30 de maio de 2020

A Vertigem das Listas: Dez Bebidas Prediletas


Ísis: Já fizemos algumas vezes listas de doces, de comidas etc. Todavia, nunca fizemos um Vertigem sobre bebidas, fizemos? Protesto!!!

Comer é sempre um prazer (ainda mais se a refeição for cremosa e/ou apimentada!), mas se tiver de escolher entre comer ou beber, escolherei bebidas. NADA me é melhor que certos líquidos - a maioria dos quais me fazem muita falta aqui no Japão… >.<


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27 de maio de 2020

First Comes Scandal


“Um bando de fofoqueiros, é o que somos.”

“Não somos, não,” Georgie retrucou enfaticamente. “Somos pessoas que amamos e nos importamos uns com os outros e, portanto, estamos logicamente interessadas nas idas e vindas uns dos outros. Não é nem de longe a mesma coisa que um bando de fofoqueiros."

Último livro da série Rokesby, First Comes Scandal foi lançado agora no final de abril e está previsto para publicação cá no Brasil agora em julho, com o título Uma Noiva Rebelde. A capa foi revelada e mantém o padrão do resto da série por aqui, mas, para minha felicidade, a Arqueiro decidiu mudar o padrão a partir da trilogia Bevelstoke - eu acho essas capas desenhadas muito mais bonitas que as fotografadas.


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25 de maio de 2020

Night Watch: tiranos, uma Revolução Gloriosa e a banalidade do mal


'Você gostaria de Liberdade, Verdade e Justiça, não gostaria, camarada Sargento?' perguntou Reg encorajador.

'Eu gostaria de um ovo cozido,' respondeu Vimes, sacudindo a caixa de fósforos.

Houve algum riso nervoso, mas Reg pareceu ofendido.

'Nas circunstâncias, Sargento, eu penso que poderíamos focar um pouco mais alto--'

'Bem, sim, nós poderíamos' retrucou Vimes, descendo os degraus. Ele lançou um olhar para os papéis na frente de Reg. O homem se importava. Ele realmente se importava. E ele estava sério. Realmente estava. 'Mas... bem, Reg, amanhã o sol virá de novo, e eu tenho bastante certeza que o que quer que aconteça não teremos encontrado Liberdade, e não haverá muita Justiça, e tenho absoluta certeza que não teremos encontrado a Verdade. Mas é possível, talvez, que eu consiga um ovo cozido.'

Night Watch abre com uma cena de perseguição policial pelos becos e telhados de Ankh-Morpork, envolvendo Samuel Vimes, Comandante da Guarda, e Carcer, um psicopata que prefere policiais como suas vítimas. Vimes consegue encurralar o assassino no telhado da Universidade Invisível, mas, em meio a uma tempestade mágica, os dois despencam não apenas no espaço, mas através do tempo, até trinta anos no passado, às vésperas do que ficou conhecido como a Revolução Gloriosa e a República da Estrada Mina de Melaço - um breve e sangrento momento na história da cidade.


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21 de maio de 2020

Shakespeare in a Divided America: o que suas peças têm a nos dizer sobre nosso passado e futuro


"Nas peças históricas e tragédias que Lincoln achava tão atraentes, Shakespeare coloca seus protagonistas, a maior parte deles líderes, sob pressão insuportável. Entre os momentos mais poderosos dessas peças estão os discursos em que personagens confrontam dilemas morais e dão voz à culpa e o sofrimento que os esmagam. Que esses personagens sejam frequentemente malignos - Ricardo III, Macbeth, Claudius - pouco importava a Lincoln; o que lhe interessava era seu grau de autoconsciência, o quanto eles compreendiam das difíceis decisões com que eram confrontados."

Esse livro me apareceu numa das últimas listas de recomendação que o Goodreads envia, baseado no fato de que já li e avaliei positivamente outros livros do autor. O tema - a ideia de Shakespeare usado no debate político americano - chamou-me bastante a atenção, e como andei assistindo várias peças do bardo nas últimas semanas, decidi passá-lo à frente da lista e começá-lo logo. É um volume relativamente curto (pouco mais de 300 páginas), e o assunto é bem complexo; mas a prosa de Shapiro é estimulante, provocativa e a leitura acabou passando muito mais rápido do que eu previra.


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16 de maio de 2020

Jane Austen Lives - O Mistério dos Diários Varonis


Participei essa semana de uma segunda live no canal do Jane Austen Brasil no Instagram (sobre a primeira vocês podem ler/ver aqui), tendo sido convidada a falar um pouco da série de diários dos heróis austenianos escrita por Amanda Grange. Alguns anos atrás, resenhei todos os seis volumes (vou deixar o link para as resenhas no final desse post, bem como o vídeo da live da vez) e, desde então, a Grange publicou alguns outros títulos, várias releituras de Orgulho e Preconceito incluindo aí o diário de Wickham e uma versão em que Mr. Darcy é um vampiro.


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14 de maio de 2020

'Somos filhos de espíritos de tinta e papel': os Monstros Fabulosos de Alberto Manguel


Como meu pai era diplomata, passei minha infância viajando de um lugar para outro. Os quartos em que eu dormia, as palavras ditas do lado de fora, as paisagens ao meu redor mudavam constantemente. Apenas minha pequena biblioteca permaneceu a mesma, e lembro-me do intenso alívio que senti quando, novamente reclinado em uma cama desconhecida, abri meus livros e, na página esperada, havia a mesma história antiga e a mesma ilustração antiga. "Lar" era um lugar nas histórias, tanto no objeto físico que eu segurava nas mãos quanto nas palavras impressas.

Desde o primeiro livro que li de Alberto Manguel, encantei-me com seu estilo: a mistura de pessoal e acadêmico, da forma como suas memórias se misturam com as análises certeiras, por vezes surpreendentes. Confesso que os romances dele não me interessam tanto, mas não consigo resisti-lo como ensaísta - seus trabalhos como crítico e estudioso da literatura estão entre meus favoritos no gênero. Assim é que eu não tinha como resistir a Fabulous Monsters, especialmente com um título tão curioso como esse.


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4 de maio de 2020

Onze Anos de Corujices!

O bolo hoje vai ser de limão!

Onze anos atrás, no meio de uma aula de filosofia, eu olhava para o teto e pensava com meus botões "não seria uma boa ideia criar um blog para escrever sobre o que quer que me apareça na cabeça"? A despeito da empolgação do momento, acho que eu não imaginava que chegaria até aqui, tanto tempo depois, tagarelando como se não houvesse amanhã.


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30 de abril de 2020

A Vertigem das Listas: Dez Canções de Musicais Inesquecíveis


Lulu: Para começar o vertigem de hoje, tenho logo de dizer: sou fã de musicais. Minhas playlists são cheias de canções de musicais. Adoro filmes musicais, tenho desejo de assistir musicais ao vivo, e amo de paixão a ideia de contar uma história através da música. Tem gente que acha brega, mas não estou nem aí. Por isso, o tema da nossa lista de hoje são Dez Canções de Musicais Inesquecíveis e sim, serei óbvia e feliz nas minhas escolhas. Há!

(Não sei explicar meu tom beligerante nas palavras acima; especialmente a se considerar que enquanto escrevo, escuto e canto a todo volume the phaaaaaantom of the opera is there… inside yoou miiiiind…).


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28 de abril de 2020

Desafio Retratos Literários - ano 4


Sexta começa maio e achamos - eu e a Tábata lá do Randomicidades, parceira de aventuras - que era hora de lançarmos um novo desafio #RetratosLiterarios! Esse já é o quarto ano da brincadeira, que é uma fantástica maneira de interagirmos, conhecermos pessoas e livros e aumentar aquela lista infinita de futuras leituras...


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23 de abril de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - O Bardo é Pop


Assisti por esses dias montagens de Hamlet e Romeu e Julieta no Globe, em Londres - disponibilizadas por streaming no YouTube do teatro - e me surpreendi em como duas das mais clássicas tragédias do bardo me provocaram crises de riso. Não, eu não surtei (ainda) e virei uma pessoa sádica que se diverte com o sofrimento alheio. Ocorre que a dinâmica de palco dessas histórias foi apresentada de forma muito diferente do que vemos em filmes, que é a maneira mais comum de termos contato com as obras de Shakespeare.


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21 de abril de 2020

Os Noivos do Inverno: Intrigas, Casamentos Arranjados e um Mundo em Pedaços


Suspensa no meio da noite, suas torres afogadas na Via Láctea, uma formidável cidadela flutuava sobre a floresta sem que qualquer coisa a prendesse ao resto do mundo. Era um espetáculo completamente louco, uma enorme colmeia expulsa pela terra, um entrelaçado tortuoso de masmorras, pontes, nichos, escadas, arcobotantes e chaminés.

Da primeira vez que bati o olho na capa desse livro, já me apaixonei. O título, as cores, a ilustração: algo naquilo tudo me chamava. Coloquei na lista de desejos e no All Hallow's Read do ano passado, ganhei ele de presente (obrigada de novo, Fernanda!). Coincidentemente, comecei a leitura ao mesmo tempo em que revia os filmes do Estúdio Ghibli na Netflix e por isso me dei conta de que a razão de ter ficado fascinada com a capa é que ela me fazia lembrar O Castelo Animado. E, quanto mais eu lia, mais a Dabos me remetia às histórias do Miyazaki: visualmente falando, eu imaginei o livro inteiro como uma das animações dele, dos cenários aos personagens.


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19 de abril de 2020

Projeto #JaneAustenLives


A Adriana Zardini, da Jane Austen Brasil, lançou uma série de lives sobre a autora no Instagram - uma forma de continuarmos a nos encontrar e falar de Austen, produzir conteúdo e alcançar outros janeites nessa quarentena. Fui convidada para uma das sessões e falei, claro, de Austen, um pouco sobre o clube do livro de bolso e outras aleatoriedades por aí.

Os vídeos estão sendo disponibilizados pouco a pouco no YouTube da Jane Austen Brasil, então para quem não conseguiu assistir ao vivo ou quer rever alguma das palestras (teve várias excelentes e continua tendo, procurem pela #janeaustenlives), só clicar nesse link.


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14 de abril de 2020

A História como um Sistema Caótico: Lendo Blackout/All Clear


"I’m not studying the heroes who lead navies—and armies—and win wars. I’m studying ordinary people who you wouldn’t expect to be heroic, but who, when there’s a crisis, show extraordinary bravery and self-sacrifice. Like Jenna Geidel, who gave her life vaccinating people during the Pandemic. And the fishermen and retired boat owners and weekend sailors who rescued the British Army from Dunkirk. And Wells Crowther, the twenty-four-year-old equities trader who worked in the World Trade Center. When it was hit by terrorists, he could have gotten out, but instead he went back and saved ten people, and died. I’m going to observe six different sets of heroes in six different situations to try to determine what qualities they have in common."

Polly é uma historiadora interessada em estudar o efeito dos bombardeios diários sobre as pessoas comuns durante a Blitz - campanha militar que faz parte da Batalha da Grã-Bretanha entre 1940 e 1941, quando a Luftwaffe e a RAF combatiam nos ares numa escala nunca antes imaginada. Michael, também um historiador, deseja entender o heroísmo das pessoas comuns em tempos de desastre; para tanto ele pretende estudar Pearl Harbor e os civis que atenderam ao chamado de resgate das tropas em Dunkirk. Merope está em seu primeiro estudo de campo, observando crianças evacuadas de Londres para escapar dos bombardeios. Em comum, todos eles são alunos do professor Dunworthy em Oxford, num mundo em que viagens no tempo são possíveis e utilizadas principalmente por estudantes de História. Cada um deles viaja para sua época de estudo e, por diferentes razões, descobrem que o caminho de volta ao seu presente está barrado. Eles estão sozinhos e presos no passado, num dos períodos mais turbulentos da História.


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3 de abril de 2020

O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo: mensagens para aquecer o coração


Final do ano passado, esse foi escolhido um dos livros do ano pela Waterstones. Passeando por críticas - como a do The Guardian - encontrei afirmações como “melhor sugestão de livro para presente de natal” e isso aguçou minha curiosidade. Coloquei-o na lista.


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31 de março de 2020

A Vertigem das Listas: Dez Coisas para Fazermos na Era do Corona


Ísis: Tempos de isolamento social… um sonho realizado pra muita gente. Já pensou não ter que sair de casa, nem pra fazer supermercado? Queria mais tempo estudar uma língua? Ou sempre quis aprender a atar nó de marinheiro, mas nunca pôde parar para isso? Essa é a hora! Já estou há duas semanas e não fiz nem metade do que deveria, só pela pura revelia de poder ficar em casa… Mas acabei de assistir “Teen Wolf”, então está tudo bem.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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