27 de fevereiro de 2020

Mythos: As melhores histórias de heróis, deuses e titãs


Atualmente, a origem do universo é explicada pelo big bang, um evento isolado que fez aparecer instantaneamente toda a matéria da qual tudo e todos são feitos.

Os gregos antigos tinham uma ideia diferente. Eles diziam que tudo começou não com uma explosão, mas com o CAOS.

Será que o Caos era um deus – um ser divino – ou simplesmente um estado de inexistência? Ou seria o Caos, exatamente como a palavra é usada hoje, um tipo de bagunça terrível, como um quarto de adolescente, só que pior?

Pense no Caos como, talvez, algum tipo de grande bocejo cósmico. Como um abismo ou um vácuo que boceja, no vazio da existência.

Se o Caos fez surgir vida e substâncias do nada, ou se o Caos bocejou vida, ou se a sonhou, ou a invocou de alguma outra maneira, eu não sei. Eu não estava lá. Nem você. No entanto, de algum modo, estávamos, porque todas as partes que nos compõem hoje estavam lá. Basta dizer que os gregos achavam que foi o Caos que, com um suspiro intenso, ou um grande encolher de ombros, ou um soluço, vômito ou tosse, começou a longa cadeia da criação que terminou com pelicanos e penicilina e sapotis e sapos, leões-marinhos, leões, mar, seres humanos e narcisos e assassinato e arte e amor e confusão e morte e loucura e biscoitos.

Comprei esse livro na Black Friday ano passado, por nenhum outro motivo especial além de “está em promoção”. Melhor dizendo, eu até estava atrás de algum volume de mitologia grega para ter como referência na estante, mas o escolhido era uma edição ilustrada da Zahar escrita por Nathaniel Hawthorne (o autor de A Letra Escarlate). O livro do Stephen Fry nem tinha entrado no meu radar. Mas tudo bem, fato é que estava num preço excelente, era um livro em capa dura, eu sempre podia guardá-lo para dar de presente depois.


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20 de fevereiro de 2020

A Vertigem das Listas: Dez Sobremesas que Ficaram na Memória


Lulu: Comer - e comer bem, algo bem preparado, gostoso, suculento e repleto de sabor - é um negócio muito bom. Minha excelentíssima dona vó costuma dizer que a gente só leva da vida o que come. Do meu ponto de vista, comer pode ser mais do que algo que fazemos no automático, obrigatório para nossa sobrevivência: é uma experiência.

Quando pensei em fazer um vertigem sobre sobremesas, minha ideia foi que as sobremesas mais gostosas, aquelas de que me lembro com mais água na boca, não foram simplesmente coisas muito gostosas de comer, mas estão ligadas a memórias especiais - de lugares ou de pessoas. E é meio isso que quero dizer como ‘experiência’ - elas são inesquecíveis porque fizeram parte de algo maior e sempre que as experimento de novo, sou transportada para o momento.


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13 de fevereiro de 2020

Empilhando no Escaninho #40 (Os Links da Coruja)


E hoje completamos nada menos que 40 colunas do Empilhando no Escaninho! Por aqui já devo ter compartilhado centenas de links curiosos que me chamaram a atenção por um motivo ou outro - e espero que eles tenham sido tão interessantes para vocês quanto foram para mim.


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8 de fevereiro de 2020

As Várias Facetas de ‘E o Vento Levou’


Para indignação de Mammy, os companheiros favoritos de brincadeira da menina não eram as recatadas irmãs ou as garotas Wilkes, tão bem criadas, mas as crianças negras da fazenda e os meninos da vizinhança, e ela sabia subir em uma árvore ou atirar uma pedra tão bem quanto qualquer um deles. Era um motivo de grande preocupação para Mammy que a filha de Ellen exibisse tais traços, e frequentemente a intimava a “agir que nem uma daminha”. Mas Ellen assumia uma atitude mais tolerante e fazia vista grossa em relação ao problema. Ela sabia que os amiguinhos de infância seriam pretendentes no futuro, e o primeiro dever de uma moça era se casar. Ela se convencia de que a criança era simplesmente cheia de vida e ainda havia tempo para lhe ensinar as artes e graças de se tornar atraente para um homem.

Com essa finalidade, Ellen e Mammy reuniam seus esforços, e, à medida que Scarlett crescia, tornava-se uma pupila apta no assunto, embora aprendesse pouco do resto.

Começo a resenha confessando que essa foi a segunda vez que peguei E o Vento Levou para ler: quando comprei o livro uns anos atrás, li a primeira parte e abandonei, porque criei ojeriza a Scarlett O’Hara. Desconfio que o problema era meu humor à época, que me deixou sem paciência para o poço de egoísmo que Scarlett se revela logo no começo - tive tanta raiva da protagonista que larguei-a sem peso na consciência. Ok, ela é uma adolescente no início, mas ainda assim, tive uma reação muito visceral ao egocentrismo da mocinha. Esse ano, na minha incansável jornada para conquistar os livros não lidos da estante, decidi dar uma nova chance ao calhamaço de Margaret Mitchell: pensei que começando-o no começo do ano, estaria num humor melhor e conseguiria avançar.


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1 de fevereiro de 2020

"Eu encontrei um viajante de uma terra antiga": uma história de livros e objetos descartados


"Lugares fechando, modas morrendo e objetos desaparecendo são parte da ordem natural das coisas. Não há motivo para lamentá-los."

“Nenhuma razão para lamentar? Então você acha razoável que uma livraria lendária como a Strand, ou Elliot's, feche as portas? Eu suponho que esteja tudo bem para você se os livros morrerem também."

“Eles não estão morrendo,” eu respondi, “mas se estivessem, então sim, porque isso significaria que a sociedade não precisa mais deles, da mesma maneira que deixou de precisar de bastões de bandeira e ascensoristas, da mesma forma que uma cobra descarta sua pele após trocá-la.”

Ele bufou escarnecendo. “Essa é a coisa mais estúpida que já ouvi. Coisas necessárias desaparecem todos os dias. E o que dizer de todas as coisas que não percebemos serem necessárias até que tenham já desaparecido?"

Narrada em primeira pessoa, I Met a Traveller in an Antique Land acompanha Jim, um blogueiro que defende a ideia de descartar objetos e processos que tenham se tornado obsoletos… incluindo livros físicos (irônico, considerando que ele está em negociações para publicar seu próprio título). Não que ele não goste de livros - a despeito do que o repórter que o entrevista no início da história possa dizer -, mas porque ele acredita que tudo pode ser digitalizado, encontrado em livrarias virtuais e bibliotecas. Tudo estará armazenado em… algum lugar, que ele não sabe bem qual é, mas estará lá, dando assim espaço para o que realmente interessa.


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Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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