31 de dezembro de 2018

Uma Retropectiva Corujesca


Último dia do ano, último post de 2018, que, claro, é também a nossa retrospectiva. O que falar sobre os 365 dias que estamos deixando para trás? Bem, esse foi um ano cheio de altos e baixos, às vezes até traumático. Pessoalmente, tive de lidar com algumas verdades inconvenientes e complicações familiares - que, mesmo quando não ocorrem em nosso núcleo imediato, não deixam de nos afetar. Quanto ao resto do mundo, houve dias em que liguei o noticiário e não pude deixar de me perguntar se havia caído em alguma espécie de realidade alternativa ou voltado no tempo... Foram tantas as emoções dessa montanha-russa que foi 2018, que meu mais sincero desejo para 2019 é que ele seja um ano mais... entediante. Que seja um tempo de paz, tranquilidade e tolerância. Não é à toa que desejar que ‘você viva em tempos interessantes’ é considerado uma maldição, não uma benção. Estou um pouco cética quanto a essas possibilidades, mas, bem, se não formos esperançosos em pleno Réveillon, em que outra data poderemos ser?

Deixando de lado meus resmungos, pelo menos por aqui no Coruja as coisas correram como esperado. Escrevi de forma consistente, tive muitos bons livros sobre os quais falar e consegui colocar no ar os especiais que tinha planejado no início do ano, tudo dentro do meu cronograma. Embora eu tenha me flexibilizado bastante quanto a prazos aqui no blog - houve uma época em que a forma como me cobrava quase me fez desistir do Coruja - fico sempre bastante contente em perceber que consegui manter meu planejamento inicial.

Em 2018, tivemos um total de oitenta posts, entre resenhas, artigos, ensaios, traduções, listas e até diários de viagem - nisso contando também essa retrospectiva. Alguns deram muito trabalho, outros saíram de uma sentada só, mas, em termos gerais, consegui escrever tudo o que queria.

Dito tudo isso... vamos às listas! O que os leitores mais acessaram por aqui, o que mais me diverti (ou praguejei) escrevendo e, como não poderia deixar de ser... os melhores livros do ano!



Os dez posts mais acessados

1. Sobre Pratchett, traduções e como ler a série Discworld - um artigo especial que fala um pouco sobre como os livros da série se interligam, como poderiam ser traduzidos os títulos em se considerando todos os trocadilhos e referências que Pratchett gostava de colocar neles e, de forma tagarelando sobre todas as razões pelas quais Pratchett é meu autor favorito.

2. Projeto Arda: O Mundo Começa com uma Canção - primeira parte de um projeto sobre a obra do Tolkien. A ideia é fazer uma série de ensaios sobre personagens e momentos-chave da Terra-média. Nesse primeiro ponto, falamos do (literal) começo do mundo.

3. Tradução de Em Busca de Portas - Descobrir essa conferência foi tão importante para mim que se tornou um dos meus momentos inesquecíveis do ano. Fiquei num estado quase febril, querendo partilhar o texto e foi com um tanto de dificuldade que consegui a transcrição para traduzi-lo e deixá-lo disponível ao maior número de pessoas que eu podia encontrar.

4. Tradução de Deixe que Haja Dragões - Pratchett é Pratchett. Eu não me surpreendo com o fato de que a tradução de um de seus ensaios - sobre a importância da fantasia e da literatura infantil - tenha sido um dos posts mais acessados deste ano.

5. A parte final do Especial Por Nárnia - o capítulo final do especial de Nárnia, que foi ao ar no aniversário do Coruja esse ano, foi aquele em que tratei de todas as polêmicas envolvendo a obra, incluindo, claro, a questão da Susan. Polêmica sempre chama audiência, né?

6. A resenha de Homens de Armas - Pratchett de novo! Foi a primeira resenha publicada esse ano, parte de uma tradição que mantenho já faz um bom tempo: sempre começar o ano novo lendo o cara de chapéu.

7. A resenha de A Slip of the Keyboard - Mais um Pratchett, esse, uma resenha do livros que reúne ensaios, palestras, artigos e discursos do autor.

8. Resumo da Ópera do primeiro semestre - Primeira vez em que fiz essa coluna. Foram dez pequenas resenhas de livros de todo tipo e gênero. Definitivamente manterei a coluna ano que vem.

9. Resenha de Agência nº 1 de Mulheres Detetives - Não fazia ideia de que essa seria uma das resenhas mais lidas do ano, considerando se tratar de um livro antigo...

10. Resenha de O Paraíso Perdido - A edição em quadrinhos do épico de Milton foi um dos livros mais legais que passaram por aqui esse ano. Não sou uma especialista em arte, mas fiquei bem impressionada com o traço do autor.



Os cinco posts que mais gostei de escrever (em ordem cronológica)

Projeto Arda - Fiquei bem orgulhosa da forma como consegui construir tantas referências nesse post. Preciso continuar com o projeto, até já comecei a escrever a segunda parte, mas parei quanto foi anunciado que a HarperCollins tinha adquirido os direitos da obra do Tolkien aqui no Brasil e ia relançar toda a obra com novas traduções. Estou agora esperando que lancem um novo Silmarillion para eu ir atrás.

Sobre Pratchett, traduções e como ler a série Discworld - Passei MESES escrevendo esse artigo, indo pra cima e pra baixo com uma lista dos quarenta títulos da série, pesquisando como tinham ficado as traduções em outros países, revendo minhas resenhas antigas para reavivar a memória do plot de cada um... Mas valeu à pena, por mais trabalho que tenha tido, adorei escrever esse post.

Por Nárnia - Os especiais de aniversário do Coruja sempre têm um lugar especial no meu rol de favoritos. Há anos que queria escrever sobre Nárnia. Reler os livros mais de uma década depois de tê-los descoberto foi muito gostoso.

Livros são Prejudiciais? Réplica de uma Leitora - Esse post nasceu como uma réplica a um comentário postado aqui no blog. Foi um daqueles artigos que escrevi quase num estado de transe e acabei despejando nele um bocado de opiniões e sentimentos que estavam meio que entalados há algum tempo.

Uma Jornada Muito Esperada - A série de posts do meu diário de viagem foram especiais, não apenas para partilhar das nossas aventuras (minhas, da Kolory e da Dynha, amiga que viajou comigo), mas porque foi uma maneira de segurar na memória tudo o que aconteceu. Daqui uns anos, vou ler de novo o diário e pensar comigo 'mas eu fiz isso mesmo? Vi tudo isso? Não lembro mais de nada...'



Os dez melhores livros que li esse ano

1. Leve-me com Você, de Catherine Ryan Hyde
Sabe quando você encontra uma história, por coincidência ou capricho do destino, no momento certo para você? Quando ela deixa de ser algo geral, para se tornar pessoal; quando ela parece conversar diretamente contigo ou com o momento em que você se descobre? Porque foi exatamente isso que Leve-me com você foi para mim: um enredo que espelhava a jornada em que eu mesma me encontrava.

2. Ah, os lugares aonde você irá!, de Dr. Seuss - esse poema é meio que… tudo o que eu desejo para a vida. Fazia tempos que estava atrás desse livro, já tendo lido trechos, mas nunca o trabalho inteiro. Esse ano finalmente comprei o livro pra mim.

3. A Guerra que Salvou a Minha Vida e A Guerra que me Ensinou a Viver, de Kimberly Brubaker Bradley
A Guerra que Salvou a Minha Vida é um livro agridoce, que começa e termina com famílias fraturadas, com perdas e sacrifícios. É uma história sobre persistência - ou, melhor seria dizer, teimosia -, trauma, sobrevivência, superação. Ele é notável por si só. Mas, quando lemos A Guerra que me Ensinou a Viver, é transparente o motivo de haver uma continuação. Porque a grande lição de Ada - e nossa também, como leitores - é que não basta sobreviver.

4. Como Funciona a Ficção, de James Wood
Pessoalmente, Wood me ajudou a dar nomes a vários conceitos que costumo procurar instintivamente como leitora: autenticidade e consciência da voz do personagem, o ritmo da narrativa, símiles e verossimilhança. Ele também foi um dos melhores autores que já li sobre o uso de metáforas. Se você é um escritor ou resenhista, ou simplesmente um leitor que se interessa por ler de forma mais madura e profunda, Como Funciona a Ficção é um livro para ter na cabeceira, e consultar sempre que preciso.

5. A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada, de Becky Chambers
Essa é, mais que qualquer coisa, uma história sobre amizade. Sobre encontrar seu lugar no mundo, sobre o desafio de criar sua própria identidade. É uma história sobre compreensão e sobre construir pontes. Sobre encarar o futuro, mas também cuidar do passado. É um daqueles livros que se torna um conforto e um santuário. Algo mais que necessário em tempos como o que estamos vivendo.

6. Interferências, de Connie Willis
Willis trata muito bem da enxurrada de informações que temos hoje em dia, da disseminação de notícias falsas por redes sociais, da hiperconectividade que nos faz ficar ‘ligados’ 24 horas por dia sete dias por semana. A telepatia de Briddey é um recurso potente para falar disso, e não é uma coincidência que concomitante ao plot principal corra a história de como a Commspan está tentando fazer um smartphone para concorrer com a Apple (a miríade de referências reais também me fez rir…) que revolucione a forma como conversamos e nos conectamos (e nunca possamos parar). Talvez por isso mesmo o ritmo de leitura acabe se tornando tão frenético, porque, como Briddey, somos constantemente atacados por todos os lados, o dilúvio de conexões é algo que sofremos com ela.

7. Nós, os Afogados, de Carsten Jensen
Esse é um livro intenso, ambicioso, mas que faz jus a essa ambição. Ele me fez viajar, e me deixou com vontade de colocar os pés na areia, de navegar e olhar as estrelas no meio do mar, sem terra à vista. É uma bela e poderosa narrativa, uma boa aventura, repleta de momentos de ‘história de pescador’, sem deixar de ser realista, especialmente em suas perdas e na forma como apresenta a guerra. Mas é também um livro denso, complexo, que se recomenda degustar aos poucos.

8. De Volta para Casa, de Seanan NcGuire
Esse é um livro interessante por vários motivos. É uma fantasia, mas há pouca fantasia de fato ocorrendo ao longo do enredo - os personagens que encontramos na história foram forçados a deixar a magia para trás e retornar ao mundo mundano. Eles não estão lidando com grandes aventuras, jornadas épicas e heroicas ou universos com regras bizarras e criaturas estranhas. O desafio é tentar se readaptar sem perder aquilo que elas ganharam em suas viagens: sua identidade.

9. Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt - Foi um dos últimos livros que li esse ano e me causou bastante reflexão, perplexidade e terror. É um livro de não-ficção que me soou como uma distopias das mais pessimistas. O terror fica por conta do quão real e quão próximo é tudo o que se fala no livro. Vou escrever depois uma resenha mais completa dele, mas, olha, é um daqueles livros que deveria ser de leitura obrigatória para todo mundo que se interessa minimamente por política e pelo que está acontecendo no mundo.

10. O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan
Esse é um daqueles títulos que deveria estar na cabeceira de… todo mundo. Que deveria ser ensinado nas escolas, lido e relido com o passar dos anos. Sagan tem uma prosa simples, mas elegante e muito bem humorada; ele fala de ciência sem precisar recorrer a uma enxurrada de termos técnicos, e com uma admiração, um fascínio que é contagiante. Ele destrincha grandes logros, encoraja o leitor a pensar de forma crítica, discorre sobre os riscos do uso amoral da ciência, fala de política, História, educação, comunidade… uma miríade de assuntos, e sempre de forma brilhante.


Então… é isso. Retrospectiva completa, só me resta agora desejar a todos vocês um feliz ano novo! Obrigada por terem acompanhado o Coruja nesse ano que se passou e espero vê-los por aqui em 2019. Aliás, esse ano que entra é uma data bem especial para o blog: são DEZ ANOS escrevendo e convivendo por aqui. Teremos que festejar, não é mesmo?


A Coruja


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