30 de dezembro de 2018

A Vertigem das Listas: Doze Momentos Inesquecíveis de 2018


Lulu: Todo ano, quando chega nessa época, a gente meio que respira fundo e pensa “graças a deus, o ano acabou”. Olhamos para trás e vemos uma linha de momentos que, para o bem ou para o mal, marcaram esses 365 dias. Pode ser pequenos acontecimentos pessoais, realizações ou perdas; podem ser grandes eventos mundiais que nos impressionaram e tornaram-se indeléveis na memória.

E, ok, 2018 pode ter sido um ano difícil… mas ninguém pode dizer que ele foi entediante, porque, olha, aconteceu um bocado de coisas impressionantes, assustadoras, ou mesmo inspiradoras. E é por isso que o último vertigem do ano traz Doze Momentos Inesquecíveis de 2018.


Ísis: Para mim, inevitavelmente foi a submissão do meu primeiro artigo numa revista. Independentemente do resultado, foi a primeira vez que passei pelo processo, e me foi uma experiência bem marcante e educativa, pois foi um passo importante para conseguir meu PhD.

Lulu: Vou começar com momentos pessoais óbvios, no caso, a viagem que fiz para a Europa no final de outubro. A viagem inteira foi uma montanha russa de emoções - como pode ser lido nos posts do meu diário de viagem - e é difícil escolher um único momento que mais tenha marcado (porque se eu deixar todos os itens dessa lista vão ser dela)… mas acho que vou ficar com aquele em que deixei a cripta da Basílica de Saint-Denis e vi a nave da igreja faiscando, ‘flamejante’, com o sol atravessando os vitrais coloridos e tirando meu fôlego da melhor maneira possível.


Torno a dizer que nenhuma foto pode capturar a beleza de estar lá e presenciar a maneira como a luz parecia dançar nas paredes de pedra. Já visitei muitas igrejas, mas nunca tinha presenciado esse espetáculo - que dei muita sorte de ver, porque o dia estava nublado pouco antes, quando chegamos a Saint-Denis.


Ísis: O meu primeiro é algo de preocupação mais imediata... Depois de seis anos de bolsa, pela primeira vez estou por conta própria no Japão, e isso me dá uma confiança e um medo ao mesmo tempo. Independentemente, é um marco importante na minha vida.

Lulu: Minha segunda escolha vai para quando, descobri a palestra da Victoria Schwab, In Search of Doors. Comecei assistindo no celular, mas, por alguma razão, a cada palavra que ouvia não conseguia ficar quieta no lugar, dava vontade de levantar e começar a escrever e dançar e cantar e… coloquei na televisão, e me esparramei no tapete e, quando terminou, voltei para o começo. E depois, de novo. E de novo. Não sei bem explicar o quanto me tocou a mensagem que ela deixou nessa conferência - forte o suficiente para que eu tenha quase surtado tentando traduzir sem uma transcrição oficial - mas foi um dos meus momentos pessoais inesquecíveis desse ano.

Ísis: Esse talvez seja o item menos importante dessa lista, mas após 6 anos, eu finalmente achei alguém que pudesse fazer meu bolo brasileiro preferido aqui no Japão (o meu preferido mesmo é um americano baseado no chocolate Reese’s). Veja bem, é muito incomum ter fornos como os nossos aqui, à gás e grandes. Em geral os microondas são também forninhos, mas não tem a mesma potência ou o mesmo efeito, vez que são elétricos e menores. Assim, mesmo eu achando a receita, não poderia fazer. Porém, em algum momento nesse ano descobri que a mãe de um colega é doceira e encomendei meu amado bolo de canela para o meu aniversário. Aconteceu muita coisa entre eu encomendar e efetivamente experimentar o bolo, inclusive que ele caiu no chão antes de eu ter a chance de bater a foto (estava tão LIINDOOO!), mas o que importa é que estava delicioso e quase igual ao original que eu conheço. A saber, descobri depois que chamam de bolo indiano, mas eu conheci inicialmente apenas como torta de canela. Receita aqui.

Lulu: Esse ano teve a 10ª D’Arce Fest - uma festa que reúne o povo da minha família paterna, que vem de todos os lugares do mundo e celebra o fato de sermos… bem, uma família. São vinte anos de encontros e reencontros e a farra calhou dessa vez de cair no dia do meu aniversário. Fiquei sem graça quando começaram a cantar parabéns pra mim (não se deixem enganar, sou uma pessoa tímida), mas foi também muito bom receber tantos abraços e desejos de felicidades de tantas pessoas queridas.


Doeu um pouco também porque essa foi a primeira festa depois da morte de tio Deraldo e tia Marilu e eles sempre iam - ela era uma das organizadoras. Mas foi bom ter oportunidade de compartilhar memórias. E sim, dar muitas risadas!


Ísis: O meu próximo é algo parecido. Embora eu não estivesse lá para realmente viver o momento, a minha geração da família teve o primeiro bebê, ou seja, já chegou a geração seguinte. Minha prima é mãe a partir de Dezembro de 2018, e eu agora sou… sei lá o quê…

Vou perguntar para os mais experientes em relações de parentesco… LUCIANA!!!!!


Lulu: Bem, os filhos da sua prima são seus primos em segundo grau… mas dependendo da proximidade que você tem com sua prima e considerando a diferença de idade, ele ou ela vai te chamar de tia.

Ok, então… Reservei metade da minha lista para acontecimentos pessoais, a próxima metade são coisas que aconteceram no mundo e que acompanhei pelos noticiários - mas que foram suficientemente impressionantes para deixar uma marca na memória.

O primeiro é aquele momento que pode bem ter resolvido as eleições deste ano. Eu estava com a TV ligada, como barulho de fundo, enquanto escrevia e de repente apareceu a cena da facada contra o Bolsonaro, em Juiz de Fora.

Num primeiro momento, eu não acreditei no que estava vendo. Não computava. Eu não conseguia entender. Por mais que eu discorde das posições do homem, a ideia de um atentado contra um candidato à presidência é um negócio impensável. Depois eu pensei na quantidade de teorias da conspiração que surgiriam, em como aquilo seria usado no jogo eleitoral... mas naquele momento, eu não consegui pensar em muita coisa. Foi um choque. E um choque nada agradável. É uma das imagens indeléveis de 2018, infelizmente.


Ísis: Bem, essa escolha sua está ligada à minha escolha política, que é a eleição de Bolsonaro. Não que tenha sido exatamente surpresa àquelas alturas, mas foi um marco. Eu não gostei em nada do tom da campanha dele, mas sou otimista por natureza e por isso prefiro acreditar que o que quer que aconteça doravante será à favor de um Brasil melhor.

Lulu: Queria ser otimista como você…

Ok, minha próxima escolha foi um acontecimento que, literalmente, parou o Brasil: a greve dos caminhoneiros em maio. Eu nunca tinha coisa parecida - não apenas a união e organização dos caminhoneiros, como os efeitos que essa paralisação causou. Lembro particularmente de um fim de semana em que D. Mãe pediu que eu fosse ao mercado perto de casa e, por uns três quarteirões, parecia que eu estava sozinha do mundo - não havia um pé de gente na rua, não havia carros, não se ouvia barulho. Um cenário de filme de terror.


Ísis: A luta contra o uso indiscriminado do plástico ganhou fôlego em 2018, com várias notícias ao longo do ano, desde a União Europeia anunciando compromisso para eliminar/reduzir o uso de vários tipos de plástico, ao uso das bolinhas de água Ooho! (Para quem não sabe o que são, veja aqui).

Também tem esse link (em inglês!) para algumas dessas notícias!


Lulu: Termino essa lista com algo um pouco mais positivo: o resgate dos meninos da caverna na Tailândia. O mundo inteiro se uniu, torcendo, ajudando, rezando por aqueles garotos e essa história se tornou uma daquelas que nos dão esperança na humanidade. Porque essa não é só uma história de sobrevivência em condições extremas, mas um momento em que se deixou diferenças de lado, em que governos e voluntários de todos os cantos do planeta ofereceram ajuda. Os esforços para resgatar os meninos foram impressionantes e a força que eles demonstraram, também. Por tudo isso, esse foi um dos momentos mais marcantes de 2018 pra mim (e pra um bocado de gente, tenho certeza disso).

Ísis: Então, uhm… o último indicado… Uhm, vou apontar uma história de herói: Homem-Aranha!

Não, não é o herói da Marvel, especificamente, me refiro ao imigrante ilegal na França que escalou 4 andares de um prédio na França para salvar uma criança.

Considerando todas as propagandas negativas que há sobre imigrantes, é sempre bom ter umas positivas para poder equilibrar as percepções. Para inspirar fé na humanidade. Para mostrar que nem todo estranho tem intenções más. Para mostrar que bondade e oportunidades podem construir um mundo melhor. Quem sabe seja tudo o que precisamos para um 2019 melhor.


Lulu: Então… é isso. Nosso último vertigem do ano. E que montanha-russa de emoções foi esse ano, não é mesmo? Aqui nos resta pedir que 2019 seja um ano emocionante também, mas com um tanto mais de paz e tolerância. Até o próximo vertigem, no próximo ano!


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