18 de abril de 2017

Desafio Corujesco 2017 - Uma História Baseada em Fatos Reais || O Homem que Amava Muito os Livros

O impenitente ladrão bibliófilo Gilkey roubou uma fortuna em livros raros. Porém, diferentemente da maioria dos ladrões que roubam para auferir lucro, Gilkey rouba por amor: amor aos livros. Talvez igualmente obsessivo seja Ken Sanders, o autointitulado “bibliodetetive”, que dedica-se a capturá-lo. Com um misto de suspense, intuição e humor, a jornalista Allison Hoover Bartlett teceu sua narrativa acerca da perseguição ao estilo “gato e rato”, que revela precisamente não apenas como Gilkey cometeu seus crimes e o modo como Sanders conseguiu capturá-lo, mas, também, explora o aspecto romântico dos livros, do anseio por colecioná-los e da tentação de roubá-los.
Sou uma colecionadora de livros. Com isso digo que não apenas compro livros para ler, mas às vezes também compro livros porque eles são bonitos, porque são edições com capa dura, ou ilustradas ou mesmo autografadas - e o faço mesmo tendo outras edições da mesma história. Por exemplo, tenho duas edições completas dos romances de Austen - uma em inglês outra em francês - uma edição em francês de Emma e uma em alemão de Orgulho e Preconceito, essa última uma verdadeira preciosidade de tão lindo que é o livro. De Persuasão, que é o meu favorito dela, tenho quatro edições, uma das quais comentadas, todas de diferentes editoras. Neil Gaiman também se repete na minha estante, com edições em português e suas contrapartes em inglês: Odd e os Gigantes de Gelo é repetido porque a segunda edição é toda maravilhosamente ilustrada por Chris Riddell; meu volume em inglês de Stardust é uma edição de colecionador extremamente delicada; O Oceano no Fim do Caminho é uma impressão limitada, numerada e autografada que veio de uma pequena editora britânica. A edição de Belas Maldições da Discworld Library foi minha última aquisição nesse sentido e meu único arrependimento é ter que me virar para achar mais espaço na estante para expôr todas essas pequenas preciosidades.

Todos esses são livros com que tenho memórias afetivas. São livros que já li, sim, mas que sinto o desejo de possuir em belas e diferentes edições. Sou, antes de tudo, uma leitora, mas também sou uma colecionadora - e sim, isso são ideais muito diferentes, porque nem sempre um colecionador é um leitor. O livro pode ser um objeto de status, parte da decoração de uma sala ou um escritório, às vezes até um investimento. E todas essas facetas estão presentes em O Homem que Amava Muito os Livros, a história real de um ladrão de livros raros e o livreiro que virou detetive para dar jeito na questão.

O ladrão egocêntrico que roubou uma pequena fortuna em livros se aproveitando de falhas de segurança envolvendo cartões de crédito e comunicação entre livrarias especializadas em volumes raros - não por lucro, mas por uma mistura de amor à leitura e vaidade -, é John Gilkey; seu nêmesis é o livreiro Ken Sanders, que organizou uma verdadeira operação de guerra para capturar tal herege. A jornalista e autora do livro, Allison Bartlett, teve oportunidade de conversar com ambos por meses para compor a história - que é tanto um retrato do mercado de livros raros e primeiras edições quanto um estudo de sociopatia: o Gilkey das transcrições das entrevistas pode ser um criminoso não violento, mas nem por isso causa menos repulsa por sua frieza, cinismo, amoralidade e desconexão com a realidade.

Minha ressalva fica pela narrativa fragmentada, que alterna os pontos de vista sem uma lógica, o que torna a leitura um pouco truncada. É importante haver esse alternar até por uma questão de imparcialidade; embora eu tenha a impressão que Gilkey tenha ganho mais espaço que Sanders, até porque fica bastante óbvio que Gilkey está ansioso para contar sua história e colocar-se como herói; mas da forma como foi feita, tornou-se um pouco abrupta demais.

O Homem que Amava Muito os Livros é uma história de obsessão e bibliofilia, o que de certa maneira me fez lembrar outras leituras curiosas, como O Professor e o Louco, sobre a colaboração de um assassino para a elaboração do Oxford English Dictionary e capítulos de Uma História da Leitura, do Alberto Manguel - além de vários romances do Eco. É uma leitura interessante, bastante direta, que indico para quem tem curiosidade sobre o mercado de livros raros ou gosta de ler sobre crimes reais.

Nota:
(de 1 a 5, sendo: 1 – Não Gostei; 2 – Mais ou Menos; 3 – Gostei; 4 – Gostei muito; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: O Homem que Amava Muito os Livros
Autor: Allison Hoover Bartlett
Tradução: Drago
Editora: Seoman
Ano: 2013

Onde Comprar

Amazon || Cultura || Saraiva || Submarino


A Coruja


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Um comentário:

  1. Já terminei um dos meus livros desse mês nesse tema, não curti, infelizmente.
    http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2017/04/petrobras-uma-historia-de-orgulho-e.html

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