25 de abril de 2017

180º - Linguagem


Konnichiwa (“cón-nitchi-uá”), caros leitores! Ou, em português mesmo, olá!

Essa primeira e talvez única edição de 2017 continua a série do ano passado, sobre viajar ao Japão. Deveria ter sido postada ano passado, mas não consegui. Não sei se será a última da “coleção”, mas por hora, acho que sim.

Dito isso, eu creio que o conteúdo deste 180º é bastante óbvio, e talvez não seja novidade para ninguém. Entretanto, exatamente porque, às vezes, as coisas mais óbvias são aquelas que menos percebemos, resolvi dedicar uma edição a isso.

Para qualquer viagem, é sempre bom aprender a língua local. Claro que isso não é possível sempre que se vai a um lugar com outro idioma, então não precisa esquentar muito a cabeça. Contudo, já notei que aprender pelo menos algumas palavras no idioma - especificamente as de emergência e de educação - fazem uma diferença danada à sua viagem. Quando você mostra que tem interesse em respeitar a cultura (nesse caso, o idioma) local, as pessoas ficam muito mais inclinadas a ajudar.

Lulu: Tive essa experiência na França. Mesmo que você mate o idioma, o fato de estar tentando faz uma diferença danada…

Mas se o turista pode fazer a cortesia de tentar aprender algumas palavras, acho que o pessoal do país que você está viajando - especialmente o profissional que lida com turistas - também pode te encontrar no meio do caminho. Já vi algumas situações extremamente bizarras, não vou mentir… Do tipo, uma garçonete num restaurante próximo ao Louvre receber uma família de americanos, entender o que eles falavam e perguntavam em inglês, mas apenas responder em francês.

Tipo, era bastante óbvio que ela compreendia o que eles estavam falando, porque ela estava respondendo às questões deles. Só que ela respondia num idioma que eles não conheciam. A família terminou deixando o restaurante reclamando, mas ela não ficou nem aí, não fez o mínimo esforço em tentar encontrá-los no meio do caminho. Considerando o local do restaurante, tão próximo de uma área extremamente turística, foi uma cena totalmente bizarra...


Assim, essa edição será curta e rápida, dois adjetivos que não são nada como o idioma do Japão… Mas vou listar aqui alguns termos e frases que acho que ajudarão os viajantes…. Note-se, porém, que é mais para que possam falar e reconhecer quando lhes for dito algo. A escrita em caracteres (kanji) complicaria o post porque vai ter gente que não consegue visualizar, então está de fora desse guia. Mas há aplicativos de dicionários para a língua, ou o próprio tradutor do Google. Outra ferramenta útil é baixar os teclados do idioma japonês para seu aparelho celular.

Então, vamos lá! A primeira e mais importante expressão é:

Sumimasen (“sumimassên”, com pronúncia um pouco mais prolongada na última sílaba). Essa aqui é a palavra coringa, ou quase isso. Serve para pedir desculpas, iniciar uma conversa, chamar a atenção de alguém etc. Na tradução, pode significar “com licença”, “obrigada”, “desculpa”, “por favor” e outros termos. Seu uso vai depender da situação, lógico. Você pode usar quando alguém te deixa passar, por exemplo, ou quando quer chamar a atenção de alguma pessoa, ou se encontrar/se bater em alguém no metrô.

Só para constar, outra forma bem comum de se pedir desculpas é gomen nasai (“gômên nassái”).

Em seguida, vem:

Yoroshiku onegai shimasu (“iôrôshicú ônêgái shimás”).
Forma educada de pedir para alguém fazer algo por você, normalmente algo que ela já disse que ia fazer. É quase um “obrigado”, só que usado em uma situação mais específica. O outro uso é quando se conhece alguém que vai lhe prestar um serviço ou passar um tempo com você, inclusive em ambiente de trabalho.

Outra dica: se você tirar a palavra inicial, o “onegai shimasu” vira um “por favor”, do tipo que se diz quando lhe perguntam se quer que algo seja feito para você (tipo esquentar seu sanduíche nas lojas de conveniência), ao qual se pode responder assim.

Esse é um bom momento para observar que, como puderam ver em cima, estou tentando colocar em grafia portuguesa o mais próximo da pronúncia em japonês. Tenham em mente que, embora em algumas situações fique quase igual, ou bem próximo, em outros não fica, mas é o melhor que dá para (eu) fazer.

Bem, continuando, vamos agora para uma estrutura de frase simples, útil e importante: “onde fica _____?”, que em japonês vira:

____ ha doko desu ka (leia-se: ____ “uá dôkô dês cá”).

Não existe o ponto de interrogação, porque a última sílaba (ka) já o representa. Você pode substituir o sublinhado pelo lugar, pessoa ou objeto que estiver procurando. Seguem abaixo os mais úteis:

Banheiro. Toire/Tearai/Kesshoushitsu (“tôirê”/”têarái”/”quêshôoshits”)
** Nota 1: Há várias formas de se dizer banheiro, mas coloquei as três que mais vejo.
Loja de conveniência. Konbini (“conbiní”)
Correio. Yuubinkyoku (“iúbinquiôcu”)
Banco. Ginkou (“guinkôo”)
Estação de trem. Eki (“êqui”)
Ponto de ônibus. Basutei (“bástêi”)
Ponto de táxi. Takushi noriba (“tácushí nôriba”)
*** Nota 2: A má notícia é que táxi no Japão é caro, mas a boa é que é confiável. Normalmente não preciso me preocupar se estou sendo enrolada porque não costuma acontecer.
Farmácia. Yakkyoku (“iáquiôku”)
Hospital. Byouin (“biôoin”)

Em seguida, para ajudar a entender a resposta, seguem algumas palavras para direção:
Direita. Migi (“miguí”)
Esquerda. Hidari (“ridarí”)
Reto. Massugu (“mássúgu”)
Em frente. Mae (“máê”)
De frente à/De cara com. Shoumen (“shôomen”)
Atrás. Ura (“ú-rá”)
Cima. Ue (“uê”)
Embaixo. Shita (“xitá”)
Perto. Chikai (“tchikái”)
Longe. Tooi (“toôi”)

Em caso de emergências:
Socorro. Tasukete (“tásquêtê”)
Dói. Itai (“itái”)
**** Nota 3: Para dizer que algo está doendo, use ____ ga itai (___ “gá itái”)!
Médico(a). Oisha (“ô-ishá”)
Barriga/Estômago. Onaka (“ônáka”)
Cabeça. Atama (“atamá”)
Dente. Ha (“rá”)
Mão(s). Te (“tê”)
Pé(s). Ashi (“áshi”)

Um pouco menos dramático, mas também útil para entender algumas respostas são conjunções:
E. To/Ya (“tô”/”iá”)
Ou. Mata ha/Soretomo (“máta wá”/”sôrêtômô”)
Mas. (Da)Kedo/Demo (“dáquêdô”/”quêdô”/”dêmô”)
Ainda. Mada (“máda”)
De. Kara (“cará”)
Até/Para/A. Made (“madê”)

Outra coisa vital é a contagem. O problema é que no japonês (e no chinês, e no coreano), dependendo o que se conta, faz-se de forma diferente. Por exemplo, pessoas se conta como hitori (“ritôrí”), futari (“futárí”), sannin (“sãn-nín”), e por aí vai, ao passo que pratos, por exemplo, podem ser contados como ichimai, nimai, sanmai (“ítchi-mái”, “ní-mái”, “sãn-mái”)... Algumas coisas se repetem (folhas de papel, por exemplo, são contadas da mesma forma que enumerei pratos), mas outras, como pessoas, são exclusivas. Como não há espaço para tudo, segue a forma básica de contagem, e, com isso, eles entenderão:
1. Ichi (“ítchi”)
2. Ni (“ní”)
3. San (“sãn”)
4. Yon (“iôn”)
5. Go (“gô”)
6. Roku (“rôku”)
7. Nana (“nána”)
8. Hachi (“rátchi”)
9. Kyuu (“quiuú”, pronuncia-se como ditongo, NÃO é um hiato! Ou seja, emenda-se numa pronúncia fluida o “i” com os “u” do final.)
10. Jyuu (igual ao “Ju” de “Juliana” quando pronunciado com sotaque italiano; representarei o som da consoante como “dj”, então temos “djuu”)
1_. Jyuu-ichi (o mesmo acima, emendando o número seguinte; exemplo: quinze fica jyuu-go (“djuu-gô”)
Cem. Hyaku (“
Mil. Sen (“sên”)
1001. Sen-ichi (“sên-ítchi”)
Cinco mil. Go-sen (“gô-sên”)
Dez mil. Ichi-man (“ítchi-mãn”)
***** Nota 4: Nós organizamos nossos números a cada três casas decimais, mas os japoneses têm uma forma diferente de contagem. Nela, o número dez mil é proeminente. Na moeda japonesa - o iene, ou, em japonês, “ên” - a maior nota é justamente a de dez mil.

Pode parecer coisa de escolinha de inglês da 1a série, mas saber as cores é útil para apontar que objeto você quer que pegue na vitrine, ou que cor você está procurando determinada roupa, ou mesmo para saber a linha do metrô. Vou cobrir aqui apenas as básicas.

Branco. Shiroi (“shirôi”)
Preto. Kuroi (“cúrôi”)
Vermelho. Akai (“acái”)
Azul. Buruu (“burúu”)
Verde. Midori (“midôrí”)
Amarelo. Ki-iro (“quí-írô”)
Roxo. Murasaki (“murassaquí”)
Rosa. Pinku (“píncu”)
Marrom. Cha-iro (“tchá-irô”)
Laranja. Orenji (“ôrêndji”, essa última sílaba pronunciada com sotaque italiano)
Claro. Usui (“ussúi”)
Escuro. Fukai (“fucái”)
****** Nota 5: Para classificar como claro ou escuro, a palavra correspondente dever vir ANTES da cor. fukai midori, usui pinku etc

Para quem viaja só é quer fotos batidas, essa frase é de vital importância:
Poderia bater uma foto minha por favor? Shashin wo totte itadakemasu ka. (“xaxín ô tô-tê itadaquimás cá”)

Para quem tem alergia, ou alguma dieta mais específica, é bom saber como dizer que não pode comer alguma coisa. Fica assim:
____ wo taberaremasen (“ô tabêrarêmassén”)

Outras palavrinhas importantes e que não podem faltar, é claro:
Quanto é? Ikura desu ka (“íkurá dês cá”)
Dinheiro. Genkin (“guênquin”)
Cartão de crédito. (kurejitto) kaado (“(curêdjíto) caádo”)
Pagar dividido. Betsu betsu de (“bêtsu-bêtsu”)
Grande. Ookii (“ôoquíi”)
Pequeno. Chiisai (“tchissái”)
Muito. Ooi (“ôo-i”)
Pouco. Sukoshi (“sucôsh”)

Essas são as palavras que eu costumo pesquisar quando viajo, e mantenho uma nota comigo para ajudar na comunicação. Pode ser no celular mesmo, mas recomendo manter num caderninho se puder também.

Para finalizar essa edição, seguem algumas palavras que são mais específicas do Japão, e que são de interesse saber:

(Trem) expresso. Tokkyuu (“Tôquiuu”)
******* Nota 6: Cuidado porque a pronúncia parece um pouco com a de Tóquio, que é Toukyou (“Tôôquiô”).
Último trem do dia. Saishuuden (“saixúudên”)
Última parada. Shuuten (“xuutên”)
Máquina de vendas. Hanbaiki (“rânbáiqui”)
Cartão magnético para compras ou transporte. IC kaado (“ái-xí caádô”)
Desculpe a demora. (Taihen) Omatase itashimashita (“táirrên ômátássê itáximáxita”)
Direção a____. ____ Yuki (“___ iúqui”)
Prateleira de devolução. Henkyakuguchi (“renquiácu--gútchí”)
******** Nota 7: Existem por exemplo em praças de alimentação, para OBRIGATORIAMENTE devolver as bandejas, talheres e pratos para a mesma loja onde se comprou a comida.

Espero que ajude. Por hora, é só… Ah, sim! Faltou a despedida!
Adeus. Sayonara (“sái-ôo-nará”)!
Até mais/Até a próxima. Mata ne (“máta nê”)!


A Elefanta


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