6 de novembro de 2016

Diário #NaNoWriMo - Primeira Semana


Eu disse antes, na página do Coruja no Facebook, mas me esqueci de informar por aqui: cometi esse ano a loucura de me inscrever no National Novel Writing Month ou NaNoWriMo para os íntimos - uma maratona de escrita em que o objetivo é terminar o mês de novembro com 50.000 palavras e um romance escrito.

Particularmente, meu negócio com o NaNoWriMo tem sido mais uma oportunidade de me reorganizar e voltar a escrever de forma consistente - escrever não apenas posts para o blog, mas também histórias, algo de que eu vinha sentindo falta. Não vou ficar chateada se não conseguir bater a meta quando chegar no fim do mês, mas quero conseguir terminar de contar a história que comecei - uma história em que alguns dos personagens me assombram já há muito tempo.

Essa primeira semana do projeto tem sido razoavelmente produtiva. Não consegui manter o ritmo de 1.667 palavras por dia pressuposto para alcançar as cinquenta mil, mas consegui escrever um pouco todos os dias e isso me deixou estupidamente feliz. Houve dias em que escrevi um parágrafo antes de tomar café, mais três quando o sistema caiu no escritório e tive que ficar na espera para poder voltar a trabalhar, compus mais um na fila do banco e depois tive de anotar no celular e mandar por email para mim mesma. E houve outros em que escrevia um pouco, desligava o computador, dava uma volta dentro de casa, fazia um lanche, ligava o computador de novo, escrevia mais um pouco e assim por diante.

Os primeiros três dias foram um pouco bizarros, porque eu terminava de escrever alguma coisa e corria atrás de contar quantas palavras tinham ido para poder somar no contador do site do NaNoWriMo. Isso começou e me deixar uma pilha de ansiedade, coisa de que tinha me decidido a fugir esse ano e assim precisei dar uma pausa e me lembrar de novo do porquê de estar fazendo isso.

Às vezes é preciso colocar um pouco o pé no freio para não perder o objetivo de vista, não é mesmo?

Não é fácil você se sentar e escrever de uma vez só uma, duas, três páginas de história. Não sou do tipo que consegue simplesmente colocar uma palavra à frente da outra, sem refletir sobre o que estou fazendo - o que é algo que é bastante encorajado no projeto. Preciso parar e reler constantemente para não me perder no meio da história e preciso encontrar as palavras exatas que quero usar. Isso me trava às vezes, mas consigo resolver a questão com a ajuda do site Sinônimos ou do tradutor do Google - porque, bizarramente, tem horas que esqueço a expressão que quero usar em português, mas lembro dela em inglês, sei a definição, mas não consigo de jeito nenhum lembrar da palavra (nessa semana foi o caso de “brand” e “abhor”).

Embora eu soubesse mais ou menos a história que queria escrever, não cheguei a fazer grandes planejamentos, além de pesquisar significados de nomes e montar um pequeno perfil dos meus três protagonistas. Minha ideia era deixar o espaço e tempo em que a narrativa se passa suficientemente ambíguo para que ela ecoe de forma mais ampla entre as pessoas que eventualmente forem lê-la.

Ao menos nesse começo, penso que essa é uma história sobre encontrar família e significado nas coisas. Sobre empatia e solidariedade. Sobre guerra. E, é claro, sobre histórias, porque acho que não sei mais escrever histórias que não sejam sobre histórias. Uma pouco de metanarrativa é sempre divertido, e é por isso que um dos meus protagonistas é um bibliotecário que está começando a escrever para lidar com todas as coisas que ele tem visto em sua jornada.

Ah, sim, e o nome dele é Sal, não porque ele seja um tempero (haha), mas sim porque o real nome dele é Saladino (embora até o momento eu não tenha revelado essa informação), que é o nome de um dos meus personagens históricos favoritos, chefe militar curdo e sultão do Egito e da Síria, que liderou os árabes contra os cristãos no período das cruzadas e no processo se transformou no modelo dos próprios princípios da cavalaria medieval. Saladino é prova de que você não precisa ser um ditador assassino para manter seu poder e criar uma grande nação. Bom diplomata, bom administrador, cortês mesmo com seus inimigos, não à toa ganhou o respeito dos cruzados, que estavam preparados para odiar todos os árabes.

Tem também a Aisha, cujo nome significa, literalmente, “viva”, o que tem tudo a ver com ela em todos os sentidos da palavra, do denotativo ao conotativo. O terceiro protagonista, conhecido como Tenente Fantasma, é Dominic, ou melhor, Dom (porque quero chamar todo mundo por apelidos) e não tenho explicações para a escolha desse nome, embora ache que meu subconsciente esteja querendo fazer alguma ligação com lordes espanhóis ou talvez Dom Quixote de La Mancha, mas vamos ver como a coisa se desenrola antes de sair descobrindo referências subtextuais que não planejei nem enxerguei até começar a escrever esse diário.

Até aqui, a história tem sido um constante experimento. Há capítulos com narrador onisciente em terceira pessoa e capítulos de fluxo de consciência e capítulos em forma de diário. A narrativa é não linear e pula e volta no tempo. A essa altura, não faço ideia de como tudo isso vai acabar, porque já perdi o controle da coisa e estou apenas no quinto capítulo, mas, hei, eu tenho uma capa, então está tudo bem, não é mesmo?


Hilariantemente, consegui escrever em meia hora todo o texto desse primeiro ‘diário’, com 1045 palavras, e isso de uma sentada só. Tenho sorte de conseguir 300 palavras de uma vez quando estou escrevendo a história… Parte do problema é que esses primeiros capítulos, em especial, são de worldbuilding, construção de mundo, e apresentação dos personagens. Ao menos finalmente cheguei na parte dos diálogos e diálogos são sempre algo mais fácil de escrever - pelo menos, eu acho… a não ser que você esteja escrevendo um diálogo é uma mina de possíveis gatilhos traumáticos para os personagens envolvidos nele.

Vamos ver como a coisa caminha. Continuarei a dar informações sobre o andamento quando puder. E enquanto isso, ‘bora voltar a escrever.


A Coruja


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2 comentários:

  1. Vi vários comentários sobre o NaNoWriMo no facebook e achei incrível! Me deu uma vontade enorme de participar, pois estou com uma história na cabeça faz tempo, doida para colocar no papel! MAS... esse ano foi loucura, me tornei mãe, agora sou mãe que trabalha fora que ainda estuda e rabisca alguma coisa de vez em quando. Não consegui cumprir nenhum desafio a que me propus no início do ano, inclusive o daqui do blog. Admiro quem, como você, está participando! Vou acompanhar os seus diários para me inspirar e saber mais sobre a maratona!

    Bjs! :)

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    Respostas
    1. Tamires, se você viu o post final que escrevi sobre o NaNoWriMo, sabe que não consegui terminar o desafio... mas ainda assim, aprendi e me dei um impulso que estava faltando para começar (ou recomeçar) a escrever. Ano que vem tenho por projeto escrever mais histórias e escrever sobre escrever aqui no blog. Vamos trocar figurinhas. E quando quiser participar de um projeto desse, olha, vale à pena, viu?

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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