14 de julho de 2016

Para ler: Quando os Livros Foram à Guerra

A história inspiradora de soldados que viram nos livros um meio de tornar a guerra mais humana e suportável; 120 milhões de livros especiais, e autores e obras que elevaram os espíritos de nossas tropas.

A Armed Services Editions, editora que se especializou em publicar livros especiais e adequados a soldados em campos de guerra, lançou um total de 1.200 títulos. Os soldados os liam enquanto esperavam para desembarcar na Normandia, nas trincheiras infernais em meio às batalhas no Pacífico, à espera da recuperação de ferimentos em hospitais. Os livros eram amados - e disputados - pelas tropas, e ainda hoje são lembrados com carinho pelos veteranos.

Os livros foram peça fundamental da vitória de uma guerra que somou mais de quarenta milhões de vítimas. Afinal, a arma mais poderosa de Hitler não foi um avião, uma bomba ou um rolo compressor de tanques, mas sim o livro Mein Kampf. E foi nesse conflito que os títulos da Armed Services Editions tiveram seu papel mais importante: viraram armas vitais na guerra de ideias.
Descobri esse livro quando ele entrou em pré-venda em setembro do ano passado, próximo ao meu aniversário. Fiquei imediatamente tentada a comprá-lo, afinal, se trata de um livro sobre livros e sobre guerra - o que me fez pensar, obviamente, em Heróis de Papel. Como estava já cheia de livros que ganhei de presente, decidi esperar mais um pouco, adiantar mais algumas leituras, antes de adicionar ainda mais volumes às prateleiras.

Terminei ganhando ele de natal, o que demonstra que ser paciente às vezes vale à pena. Ou alguma coisa nessa linha.

Quando os Livros Foram à Guerra abre com o primeiro dos grandes expurgos literários patrocinados pelo nazismo - um incêndio que se alastrou pela Alemanha entre maio e junho de 1933, num frenesi ideológico de caçada às bruxas. A cena me trouxe à mente o enredo de Fahrenheit 451, onde um regime totalitário busca o controle da população através da destruição do conhecimento representado pela literatura.

As queimas de livros na Alemanha causaram enorme repercussão nos Estados Unidos, quando se começava a compreender que era uma questão de tempo para que eles fossem forçados a entrar na guerra. Teria sido o momento em que se percebeu de fato que não se tratava de um conflito apenas por recursos e territórios: era também um embate de ideias.

Quando o alistamento militar se tornou obrigatório - antes, até, de Pearl Habor - havia uma preocupação em manter a moral das tropas em meio ao despreparo inicial com que estas eram recebidas no treinamento básico. A maneira mais simples de fazê-lo era com livros para combater o tédio e permitir que os soldados se afastassem por algumas horas dos rigores de uma vida que não tinham procurado.

Enquanto nos traz os fatos históricos que evoluíram das campanhas de doações de livros para a criação de edições voltadas exclusivamente para os combatentes (o advento do que hoje conhecemos como as edições de bolso mass market) - as quais levavam em consideração questões de logística de distribuição e racionamento de papel -, a autora insere fragmentos de cartas de soldados, comprovando a importância que os livros tiveram para que eles pudessem suportar a guerra.

O interessante é que esse hábito de leitura dos soldados não foi deixado para trás com o fim da guerra e culminou numa legislação que permitiu a eles o acesso ao ensino superior - quando, antes, muitos não teriam a possibilidade de custear uma universidade e talvez nem o interesse em fazê-lo.

É um livro interessante, rápido de ler - eu o devorei em dois dias (curiosamente, ando lendo não-ficção bem mais rápido que ficção) - com linguagem clara e concisa e vários registros fotográficos. Muito bom.

Nota:
(de 1 a 5, sendo: 1 – Não Gostei; 2 – Mais ou Menos; 3 – Gostei; 4 – Gostei muito; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: Quando os Livros Foram à Guerra
Autor: Molly Guptill Manning
Tradução: Rosania Mazzuchelli
Editora: Casa da Palavra
Ano: 2015

Onde Comprar

Amazon || Cultura || Saraiva


A Coruja


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