4 de maio de 2016

Sete anos de Corujices


Oh, uau… faz já sete anos que estamos por aqui. Sete anos de corujices. Pergunto-me se lá atrás, naquela noite de idéias monumentais, eu previa que as coisas durariam como o fizeram. Que o Coruja cresceria como cresceu. Que eu sairia acumulando companheiros de loucura e amigos queridos que foram sendo trazidos pelo blog.

Acho que não. A verdade é que na noite de 04 de maio em que decidi que ia começar um blog, eu estava simplesmente muito entediada, tentando não dormir enquanto o professor de filosofia ficava interrompendo sua preleção para olhar para a parede no fundo da sala. Se bem que ele talvez tivesse uma certa razão - as paredes eram certamente inspiradoras, afinal, o Coruja nasceu porque eu fiquei olhando para o teto.

Levem em consideração que estudei em um prédio histórico, com salas de aulas que eram anfiteatros ou então parte das masmorras, com uma grande torre e um relógio que não funcionava e que se dizia ser assombrado pelo fantasma de Castro Alves.

Não, eu não estou inventando isso. O prédio da Faculdade de Direito do Recife não é tão antigo quanto a própria faculdade (que foi a primeira, junto com a do Largo do São Francisco, a ser criada no Brasil), mas já passou dos cem anos. Ter aula lá à noite às vezes era estranho.

Enfim, estou digredindo. Só para variar. Mas vocês me conhecem, não é verdade? Muitos de vocês estão aqui desde aquela época e já sabem o que esperar de mim. Sou uma pessoa naturalmente prolixa que gosta de falar pelas tangentes.

Nesses sete anos aconteceram muitas coisas. Algumas amizades que começaram virtuais tiveram o prazer de se fazerem pessoais. Fui a Fortaleza encontrar o Dé e a Ísis e os dois, em ocasiões diferentes, já estiveram no Recife. Rodei São Paulo com a Dani e a coloquei no colo. Comi croissants com a Tayla em Belo Horizonte.

 

Fizemos bolo e jantares. Jogamos um bocado de conversa fora. Escrevemos romances epistolares e fizemos planejamento para outras épicas histórias. Reclamamos da vida. Trocamos livros e experiências.

Alguns problemas surgiram no meio do caminho também, especialmente porque somos um grupo de personalidades bem diferentes. Mas fazemos acontecer.

O Coruja me fez mergulhar em textos medievais sobre a Távola Redonda e ler biografias obscuras sobre William Shakespeare. Renderam-me milhões de ensaios sobre linguagem vitoriana e subtexto em Sherlock Holmes. E debates épicos sobre a genialidade de Sir Pratchett e Neil Gaiman.

Talvez não pareça na forma como escrevo, mas pessoalmente não sou a pessoa mais aberta do mundo. Tenho dificuldade em falar em público - não tanto numa roda, em que todo mundo converse junto, mas quando estou em pé num púlpito e sou o centro da atenção. Na verdade, minha zona de conforto social é quando encontro pessoas para conversar sobre livros. Tire isso de mim e provavelmente ficarei procurando algum lugar para me esconder.

Odeio ambientes cheios de gente e barulho. Não gosto de confrontos. Detesto festas, especialmente aquelas em que vou como adereço familiar.

Eu seria uma criatura bem antissocial se não fosse pelo Coruja. Por causa do blog, descobri pessoas parecidas comigo, ou que ao menos entendem minhas esquisitices. E é tão fantástico saber-se parte de uma comunidade, descobrir que não está sozinho…

O Coruja me deu a coragem de me postar em frente a uma platéia de janeites e passar horas apresentando minhas próprias análises da obra de Austen… vestida como uma figurante de série de época. De organizar um clube do livro para debater clássicos - ainda que no começo eu achasse que ninguém ia aparecer ou que eu nunca conseguiria manter o debate fluindo e logo ficaríamos todos calados olhando uns para a cara dos outros, constrangidos.


Decidi aprender a cozinhar, mas, bem, essa não foi uma decisão que foi muito à frente e passei a responsabilidade da cozinha para o Dé...

Eu viajei sozinha pela primeira vez. Fui para a França, para Portugal, para Inglaterra, para Itália. Participei de um grupo de debates de Sherlock Holmes em Paris. E conheci uma jornalista fã de romances de época por lá também. Entrei no carro de uma desconhecida em Lisboa, exceto pelo fato que nos conhecíamos de falar de livros pela internet, que me sequestrou para Sintra, onde tive uma das tardes mas agradáveis e uma das conversas mais interessantes da vida.

E compartilhei todas essas experiências no Coruja.

Se eu nunca tivesse olhado para aquele teto e ouvido meus botões dizendo ‘vamos criar um blog’, eu me pergunto se teria sido capaz de fazer tudo isso. Talvez sim. Talvez não. Mas eu provavelmente teria deixado de conhecer muitas das pessoas que hoje considero alguns dos meus melhores amigos. Eu teria me arriscado menos a sair da minha zona de conforto.

Claro que nada teria sido possível se não fossem por vocês, leitores. Porque foi graças ao encorajamento que vocês dão, pelos comentários e pelas trocas de experiência que estamos aqui.

Estava indo dormir ontem quando me peguei me perguntando sobre qual seria o signo do Coruja se, sabe, ele fosse alguém e se eu acreditasse na influência da astrologia sobre a vida das pessoas (ainda que todos os perfis de virginiano que eu já tenha lido na vida parece me descrever à perfeição…). Aparentemente, o Coruja é de Áries.

Eis a previsão do horóscopo para Áries essa semana:

Áries - 21/03 a 20/04 Esta é uma semana de revisões sobre os valores, atitudes e motivações. É um período em que você tem que agir com paciência e de uma forma mais flexível que o habitual.
Não faço idéia do que isso significa, mas, bem, é aniversário do blog, então, de fato, essa começou como uma semana de reflexão. E o post de aniversário desse ano foi também bastante introspectivo. Faz um certo sentido.

Eu gostaria muito de saber quais são as credenciais apresentadas por uma pessoa que escreve a coluna de horóscopo de um jornal…

Enfim… acho que é isso por hoje. Passaremos o mês comemorando esses sete anos de parceria: o tradicional especial começa amanhã e como estou viajando também essa semana, a gincana começa assim que eu estiver de volta. Mas prometo que coisas boas virão ;)

Um feliz dia da Coruja para vocês!


A Coruja


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