7 de maio de 2016

Desafio Corujesco 2016 - Um Livro Escrito por uma Mulher || Alucinadamente Feliz

Não consegui resistir a juntar Groot a seu melhor amigo...
Já eu, por outro lado, passei a maior parte da manhã pensando em bons nomes para gatos que ainda não temos. O favorito no momento é "O Presidente". É um nome incrível porque você acaba constantemente dizendo coisas como "O Presidente não tira a bunda do meu teclado", ou "Gosto de dormir com O Presidente, mas porque sempre acordo com a bunda dele na minha cara?"
Alucinadamente Feliz primeiro me chamou a atenção pela capa: ele era um dos finalistas do Goodreads Choice Awards de 2015, na categoria não ficção e quando olhei para a alegria daquele guaxinim psicótico, não consegui conter uma risada.

Pouco depois, uma amiga o leu numa viagem e fez uma propaganda extremamente positiva da história, chamando a atenção apenas para um detalhe: ler em locais públicos provavelmente levaria outras pessoas a acharem você louca, por conta das gargalhadas que volta e meia você estaria soltando.

Ele já estava na minha lista de desejos quando anunciaram que ia ser publicado em português. Pessoa agoniada que sou, encomendei-o na pré-venda. Chegou cá em casa, comecei folheando - porque tinha outras coisas prioritárias na frente… mas aí li um capítulo, li outro e quando percebi, não conseguia largar o livro mais.

A primeira coisa que você precisa saber sobre a obra de Jenny Lawson é que não se trata de um livro de auto-ajuda. Alucinadamente Feliz é mais uma espécie de biografia conduzida de forma episódica e anedótica, humor como forma de lidar com os desafios do cotidiano para uma pessoa que sofre de depressão - entre outros transtornos mentais.

E eu desafio qualquer uma a não encontrar algo de si mesmo nas palavras dela… Afinal, de perto, ninguém é realmente normal.
Há alguma coisa na depressão que permite (ou às vezes força) explorar emoções numa profundidade que a maioria das pessoas 'normais' não faz ideia de que existe. Imagine ter uma doença tão aterradora que sua mente o leva a querer acabar com a própria vida. Imagine ter um transtorno maligno que ninguém entende. Imagine sofrer de um mal perigoso que nem você consegue controlar ou curar. Imagine all the people living life in peace. Imagine os representantes do patrimônio de John Lennon não me processando por usar essa última frase. Então imagine que a mesma doença (muitas vezes fatal) seja um dos distúrbios menos compreendidos... sobre o qual pouquíssimas pessoas estão dispostas a falar e do qual muitos de nós jamais conseguiremos fugir completamente.
Eu me identifiquei muito com a Jenny, especialmente porque peguei o livro pouco depois de ter saído de uma fase bem complicada. Tenho alguns problemas de ansiedade - que contrabalanço com uma frenética elaboração de listas e cronogramas - e embora não seja crônica, tenho períodos depressão paralisante, ligadas especialmente à questões hormonais ou quando estou no meu último fôlego antes de sucumbir à estafa de viver com a pressão que sinto sobre os ombros.

Escrever costuma ser minha válvula de escape para conviver com essa pressão de mil e uma responsabilidades (incluindo aquelas que não me pertencem mas tomo para mim do mesmo jeito). Escrever para não enlouquecer - que é basicamente a mesma coisa que Jenny Lawson faz aqui... exceto que ela tem o Neil Gaiman para ligar e pedir conselhos quando precisa (e o fato de ela ser amiga do Gaiman só somou pontos à minha admiração...).

Jenny não mede palavras para falar de seus problemas e das consequências públicas por vezes humilhantes de suas manias e transtornos. Ela fala de visitas à terapeuta, sobre os recados que deixa para si mesma quando está dopada de remédios para dormir às duas da manhã e ainda assim não consegue vencer a insônia, fala do gato que quer adotar e chamar de Presidente, gerando assim possibilidades muito cômicas sempre que falar dele, sobre o pânico de falar em público, sobre tomar remédios e como é difícil lidar com a depressão quando as pessoas ao seu redor creem que seja tudo coisa da sua cabeça e se você simplesmente se acalmar e animar e arranjar o que fazer, ou tiver mais Deus na sua vida ou outras platitudes como essa, então tudo vai melhorar.

É um livro muito humano na forma como lida com depressão, ansiedade, crises de pânico e variantes e, ao mesmo tempo, completamente hilário. Paradoxal, eu sei, mas funciona.

Recomendo Alucinadamente Feliz para todos que fazem terapia, todos que amam gatos e todos os que têm um senso de humor cretino. Recomendo-o se você quiser rir, e se você quiser não se sentir sozinho. Recomendo pra todo mundo. Sério, vá ler. Não vai se arrepender.
- Preciso de drogas - gemi para Victor da cama no hospital.

Ele olhou para o relógio.

- Só daqui a vinte minutos.

- Porque você me odeia?

- Eu não a odeio - respondeu ele enquanto voltava a olhar para a revista - Só não quero que você tenha uma overdose de morfina.

- Está certo - concordei. - Então me distraia.

- Ok. Esta revista diz que é possível afirmar o que se deveria fazer da própria vida quando se para de pensar nos riscos. Então o que você faria se soubesse que é impossível fracassar?

- Eu seria um Pégaso.
Em tempo: esse é o segundo livro da autora e o primeiro já foi publicado em português. Chama-se Vamos Fazer de Conta que Isso Nunca Aconteceu... e eu já o providenciei e estou esperando só chegar para começar a ler. Além disso, Jenny Lawson mantém também um blog com ainda mais episódios interessantes para acompanhar - chama-se The Bloggess e já me rendeu muitas risadas enquanto aguardo o próximo livro...

Nota:
(de 1 a 5, sendo: 1 – Não Gostei; 2 – Mais ou Menos; 3 – Gostei; 4 – Gostei muito; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: Alucinadamente Feliz: um livro engraçado sobre coisas horríveis
Autor: Jenny Lawson
Tradução: Andrea Gottlieb de Castro Neves
Editora: Intrínseca
Ano: 2016

Onde Comprar

Amazon || Cultura || Saraiva


A Coruja


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10 comentários:

  1. O.O Preciso desse livro!
    Esse mês estou lendo só autoras mulheres, daqui a pouco posto as resenhas :-D

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    1. Oba, oba! Quero ver suas resenhas do desafio!

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    2. Então, ainda nem terminei todas as resenhas dos livros desse tema (falta 1 resenha e terminar 1 livro, que vai sair atrasado, claro), mas vou adiantando aqui para ficar pelo menos um mês dentro do prazo :-D
      http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2016/05/dating-devil.html
      http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2016/05/party-girl.html
      http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2016/05/throne-of-glass-trono-de-vidro.html
      http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2016/05/crown-of-midnight-coroa-da-meia-noite.html

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    3. E mais uma resenha dentro do prazo :-)
      http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2016/05/heir-of-fire-herdeira-do-fogo.html
      Ainda estou lendo mais um livro dentro do tema de maio, mas não vai ter como... esse vai atrasar.
      Beijos!

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    4. menina... nem faz parte do desafio do mês (afinal já estamos em junho), mas fiquei tão impressionada com esse livro que preciso compartilhar com você.
      http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2016/06/the-light-of-world-memoir.html

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    5. E eu li esse livro. AMEI
      http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2016/07/furiosly-happy-alucinadamente-feliz.html

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  2. Gostei da resenha. Já comprei o meu.
    Não tem como você segurar a risada, com as diversas situações.
    Estou gostando bastante, logo farei minha resenha. :)

    naciadelivros.blogspot.com

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    1. Concordo em tudo, Rafael. É para dar risada sem parar mesmo... adorei o livro, já vou começar o outro que ela publicou!

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    2. Terminei e posso dizer que foi muito bom. Geralmente leio mais ficção/terror, mas foi muito divertido respirar novos ares ...hehe. O primeiro livro não saiu pela editora intrínseca, né?

      naciadelivros.blogspot.com.br

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    3. Concordo, é sempre bom quando saímos um pouco da nossa zona de conforto e nos permitimos descobrir coisas novas.

      E o primeiro livro dela, "Vamos Fazer de Conta Que Isso Nunca Aconteceu..." saiu por aqui pela Gutenberg. Estava em promoção na Amazon por esses dias, inclusive.

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