3 de março de 2016

Desafio Corujesco 2016 - Um Livro de uma Lista || Trilogia Thrawn

– E eu quero o velho Império de volta – ela retorquiu. - Nem sempre temos o que queremos, não é?

Luke balançou a cabeça.

- Não. Não temos.
Quando coloquei esse tema no Desafio Corujesco desse ano, não tinha dúvidas que ia puxar algum título da Lista de 100 Melhores Livros de Fantasia e Ficção Científica da NPR (que traduzi aqui) - e eu tinha vários deles na estante, sob medida para a ocasião. Mas claro que como eu sou de opinião que a sarna que tenho é pouco com que me coçar, em vez de escolher um único título, terminei decidindo por ler e resenhar uma trilogia inteira.

Cá entre nós? Eu culpo o BB-8 por esse acesso de loucura...

Ou melhor seria dizer que a culpa é do Timothy Zahn, que tive o enorme prazer de conhecer na Comic Con Experience, no final do ano passado, e que autografou o meu último volume da série (que era só o que eu tinha comigo lá, porque, né, ir para São Paulo com três livros somando quase 1.500 páginas pra ficar batendo perna o dia todo não dava certo). Ele me passou uma tão boa impressão com sua simpatia que fiquei querendo passar seus livros à frente, de forma que... aqui estamos!

Essa é uma resenha que tem até foto com o autor!

O Universo Estendido de Star Wars é um verdadeiro emaranhado de histórias oficiais e histórias-não-tão-oficiais-mas-que-já-foram-oficiais antes da compra dos direitos pela Disney. No caso, a trilogia Thrawn faz parte do selo Legends, o que significa que os fatos ocorridos ao longo da história não fazem parte do cânone.

Mas não se engane: ainda que não sejam cânones, a história criada por Zahn nesses três livros é fiel ao espírito dos filmes originais e tão satisfatória quanto.


Em Herdeiro do Império, reencontramos Luke, Leia e Han cinco anos após a batalha de Endor, tentando estabelecer de forma mais sólida a Nova República. Luke se digladia com suas responsabilidades como único Mestre Jedi existente, especialmente no que diz respeito aos seus talentos como professor - de Leia e também, futuramente, dos seus sobrinhos gêmeos. Leia tenta aprender a usar a Força, ao mesmo tempo em que precisa empregar todos os seus talentos políticos à serviço da Nova República. Han, claro, continua Han Solo, embora com um verniz um pouco mais respeitável.

Entre questões de diplomacia, problemas de política interna e dramas pessoais, essa já seria uma tarefa razoavelmente hercúlea. Ocorre, porém, que a morte de Palpatine não significou, de fato, o fim do Império: nas fronteiras distantes da galáxia, o grão-almirante Thrawn se prepara para lançar um ambicioso plano de reconquista.

E aí nos vemos às voltas com grandes operações de contrabando, capturas e fugas espetaculares, a possibilidade de um Jedi insano e complexas redes de espionagem. Não parece haver muitas lealdades absolutas aqui e estamos constantemente tentando entender as motivações dos personagens.

Esse primeiro livro da série cumpre muito bem seu papel de reintroduzir os personagens clássicos e nos apresentar aos novos - e o elenco com que Zahn nos brinda aqui é fantástico. Talon Karrde, o novo grande chefe dos contrabandistas, a misteriosa Mara Jade, o poderoso Joruus C’Baoth e, claro, o gênio tático que é o grão-almirante Thrawn.


Ascensão da Força Sombria continua exatamente do ponto que Herdeiro do Império terminou e uma vez que o processo de introduzir personagens e situações já se completou, ele é ainda melhor que o primeiro volume na quantidade de ação que ocorre entre suas páginas.

Começamos a entender melhor aqui o plano de Thrawn e a enormidade do que está acontecendo finalmente pega todos os personagens de jeito: não se trata simplesmente de alguns remanescentes do Império que não sabem quando desistir, mas um prenúncio de algo muito mais desastroso para a galáxia de uma maneira geral.

A melhor parte desse livro, contudo, é Mara Jade. Ela rouba todas as cenas em que surge e sua relação com Luke é uma das principais bases para a história se desenvolver. Ela enfrenta Joruus C’Baoth, convence Luke a ajudá-la a libertar Kaarde (enquanto repete para a voz que a ordena que mate o Jedi que o fará quando ele tiver terminado de servir aos seus propósitos) e engana até mesmo o grão-almirante.

O livro termina numa nota angustiante, já com guerra definitivamente aberta, com Thrawn agora tendo sob seu controle uma frota de naves que podem significar sua vitória absoluta em pouco tempo. A única vantagem que a Nova República parece ter ao seu lado é a imprevisibilidade - será isso o suficiente?


A série termina com O Último Comando que é, em minha opinião, um digno final do trabalho que Zahn apresentou em toda a trilogia. Se O Herdeiro do Império começa um pouco mais devagar para poder fazer as necessárias introduções ao desenvolvimento da história, O Último Comando cumpre com louvor a tarefa de nos jogar num redemoinho de ação quase ininterrupta, em várias frentes.

É chegado afinal o momento de enfrentar Thrawn e sua nova frota, mas não apenas isso. Temos de lidar com a ameaça de uma nova Guerra Clônica, e isso, talvez até mais do que a ameaça tirânica do Império, é que força personagens como o grupo dos contrabandistas a saírem de sua imparcialidade.

Entre as maquinações de Karrde - cá entre nós, um personagem tão interessante aqui quanto Mara foi no segundo livro -, os delírios de Joruus C’Baoth e os ataques fulminantes de Thrawn, o final da trilogia pareceu-me bastante justo, especialmente no que concerne ao fim do grão-almirante (ainda que num primeiro momento tenha parecido um pouco rápido demais).

Talvez essa minha satisfação com a história se deva ao fato de que li os três livros em imediata sequência, no intervalo de pouco menos de duas semanas. O problema de pegar uma série pelo meio é que de repente você e vê às voltas com a possibilidade de ter esperar meses, quiçá anos, para saber como tudo aquilo vai realmente terminar - e isso acaba quebrando o ritmo da história e você se perde no retorno. Lidos em sequência, porém, tudo parece fazer perfeito sentido e à medida em que as peças vão se encaixando, você vai ficando cada vez mais febril para saber o que cargas d'água vai acontecer no final.

Zahn tem por mérito ter criado um vilão competente e interessante. Thrawn não é Darth Vader, mas nem por isso é menos fascinante - para seus oficiais, como Pallaeon e também para o leitor. Sobre ele, Karrde e Mara Jade se concentram as atenções ao longo de toda a trilogia, mais talvez que os protagonistas originais. Talvez porque o autor se sentisse mais à vontade para desenvolver personagens que não tinham uma carga tão forte com os fãs.

De certa forma, isso acaba por ser uma vantagem: ainda que você não tenha profundo conhecimento dos filmes de George Lucas, é possível acompanhar com bastante facilidade a história. Recomendado, sem dúvida.

Nota:
(de 1 a 5, sendo: 1 – Não Gostei; 2 – Mais ou Menos; 3 – Gostei; 4 – Gostei muito; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: Herdeiro do Império - Ascensão da Força Sombria - O Último Comando
Autor: Timothy Zahn
Tradução: Fábio Fernandes
Editora: Aleph
Ano: 2014/2015


A Coruja


____________________________________

 

Um comentário:

  1. Estou colocando o meu comentário aqui beeem atrasada rsrsrsrs
    Eu tive problemas com seguir os meus planos originais de leitura, acabei por substituir um livro por outro, mas o novo estava na mesma lista original! :-D
    E acho que vai ser o melhor livro do ano...
    http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2016/04/the-old-man-and-sea-o-velho-e-o-mar.html

    ResponderExcluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog