3 de novembro de 2015

Quem Conta um Conto (Setembro) || Comentários

Dé: E vamos terminando mais uma rodada do Quem Conta um Conto, e como fui o primeiro a postar meu conto, eu começo os comentários!

Para começar, preciso dizer que me diverti bastante escrevendo esta rodada! A Dani até se chateou um pouco (pra não dizer “pra c*******” Dani: Dedico minha vida a complicar a de vocês! u.u) por que foi uma daquelas imagens que eu bati o olho, e já tinha uma história completa na cabeça!

Quando vi a imagem, imaginei logo que elas teriam matado o homem como vingança, especialmente depois que a Dani revelou o tema. Assim, logo o homem morto (e para mim, sempre foi um homem) logo se tornou o marido abusivo de uma delas, e elas irmãs.

Lulu: Eu acho que não tinha muito como escapar dessa percepção... Primeiro pela maneira como a imagem é construída – não é apenas o fato de usar calças e sapatos masculinos que nos leva a pensar num homem sob o lençol, mas também a falta de curvas.

Segundo porque, considerando as histórias com que somos bombardeados diariamente sobre violência contra a mulher, é mais imediato você pensar nas duas personagens femininas com a arma como vítimas de algum tipo de abuso que decidiram reagir do que psicopatas que saem por aí atrás de vítimas.

(Se bem que elas usam roupas tão comportadas que talvez sejam pregadoras psicóticas que matam quem não conseguem converter...).

Ísis: Putz! Devia ter usado isso! XD

E achei interessante que tenha coincidido com o tema do ENEM desse ano...

Dani: Eu bem que simpatizei com essa ideia aí...

Dé: Foi então que prestei um pouco mais de atenção no cenário: uma casa de madeira, com um monte de árvores no fundo. E, por algum motivo, toda a figura me passou um clima mais noir... Então, automaticamente, minha história PRECISAVA se passar nos EUA, durante os anos 20-30.

Foi aí que passei a pensar um pouco mais no pano de fundo da história. A grande crise começou em 1929, mas acabei decidindo não incluí-la na história para evitar complicações (e pesquisas Dani: Também conhecida como “Síndrome Nervosa de Luciana”). Então, decidi que a história iria se passar no final da década de 20, mas antes de 29. Não lembro exatamente em que momento isso aconteceu, mas as duas mulheres se tornaram irmãs.

A história que imediatamente surgiu na minha cabeça foi a seguinte: as duas moças são irmãs, com cerca de 10 anos de diferença entre elas. Filhas de um militar, as duas cresceram sem uma mãe. Inicialmente, eu ia dizer que a mãe morreu em um acidente de trânsito ou algo assim, mas no final acabei decidindo não colocar nada sobre a morte da mãe na história. A irmã mais velha acabou se casando com um oficial subordinado do pai, Arthur, no começo da década de 10, quando tinha 18 anos. Porém, no finalzinho da Guerra, Arthur morre e o pai acaba inválido. Por isso que as duas não moram com o pai, que vive em um asilo para soldados mutilados na Primeira Guerra Mundial. Não, eu não faço a menor ideia se eles existiam, e não me importa. =P

Lulu: De cabeça, confesso a você que não lembro falar de asilos para soldados mutilados – ao menos, não em caráter permanente, como parece ser o caso do pai das irmãs.

Não conheço suficiente da história americana para dizer com certeza, mas a França tinha o Hospital dos Inválidos, ‘Les Invalides’, onde hoje está enterrado Napoleão, que funcionava como uma casa de repouso para esses soldados até que conseguissem se recuperar o suficiente para serem devolvidos à sociedade.

Por correlação, creio que seja bastante lógico dizer que havia instituições do tipo nos Estados Unidos à época.

Dé: A princípio pensei em escrever a história como fiz nos passados, com a narração em primeira pessoa, mas achei que ficaria melhor que fosse escrita na forma de passagens do diário da irmã mais velha, que vive da pensão do marido morto e do trabalho como costureira. E não, ela não tem um nome.

Dani: Aliás, tenho que confessar que essa ideia dos diários ficou sensacional na história. A princípio quando comecei a ler achei que não daria certo, mas acabou que se encaixou muito bem!

Dé: Bom, a irmã mais nova, Laura, se casou com o homem dos sonhos dela, Charles, mas ele acabou se tornando um pesadelo. Enganando-a desde o começo, Charles é um golpista e viciado em jogo, de forma que em pouco tempo se viu na necessidade de vender tudo que tinham para pagar suas dívidas... Só que seu vício em jogo continuou. Em pouco tempo passou a obrigar a esposa a se prostituir para pagar suas dívidas (Ísis: CRUZES!!!), motivo que a levou a engravidar várias vezes e fazer abortos ilegais. Ele próprio a estuprava e espancava diversas vezes.

Obviamente, ele proibia Laura de comunicar qualquer coisa para a família, e a ameaçava com as mais diversas barbaridades caso ela fugisse. Ela, muito passiva e medrosa, acabava obedecendo ao marido.

Eis que próximo ao final do conto, Charles aposta a própria esposa em um jogo envolvendo mafiosos, e perde. Ela é sequestrada e vira escrava de um grupo de mafiosos, que fizeram o que quiseram com ela. Foi aí que ela se cansou daquilo tudo e decidiu reagir... Eis que ela foi prontamente espancada, motivo que a levou ao hospital aonde a irmã a encontrou. Aí, para que a irmã tivesse uma recuperação física do que acontecera, a narradora a leva consigo após Laura receber alta do hospital.

Porém, Charles encontra as duas, e ainda extremamente endividado e com a cabeça à premio por seus credores, decide ir atrás da esposa, para que ela se torne novamente sua fonte de renda. Sabendo que a família possuía uma casa de campo, ele imediatamente supôs que elas estivessem lá... E o resto vocês leram.

Para as escolhas das cidades, não precisei pesquisar ou pensar muito: CLARO que uma história passada nos EUA dos anos 20 ia se passar em Nova York! Bangor eu escolhi meio como uma piada, já que é uma das cidades mais citadas nos livros de Stephen King. Pesquisei algumas coisas, como hospitais em Bangor que estivessem abertos desde os anos 20, e achei o que incluí na história, que abriu no final do século 19. Para a cidade de Wilcox, eu recorri ao mapa. Procurei qual era a floresta mais próxima do estado de NY, e encontrei essa na Pennsylvania, sendo Wilcox a cidade mais próxima. Vendo que na década de 20 a população da cidade não chegava a mil pessoas, achei que ela seria um local perfeito para as irmãs se esconderem e, eventualmente, darem um fim no cadáver.

Sim, elas esquartejam o cadáver e espalham seus pedaços pela floresta, para serem devorados por animais. E ninguém nunca irá descobrir o homicídio.

Dani: Cara... Amei! *__*

Ísis: ... Acho que você tem lido muito Stephen King... Mas creio que não faria diferente se fosse uma delas , a partir do momento que ele está morto. Entretanto, se conseguisse que ele ficasse vivo... HÁ! O troco seria pouco! >.< Mas gostei do processo de pesquisa. :D E ADOREI a decisão de escrever a história por meio do diário da irmã! Massa! :D 

Dé: Quanto aos nomes... Admito que não pensei muito sobre eles... Laura foi, literalmente, o primeiro nome que me passou pela cabeça. Charles o segundo. Precisei pensar mais no nome para o marido da irmã mais velha, mas não demorou muito para que o nome Arthur me viesse à mente. Como já disse, a irmã mais velha não tem um nome, mas achei que ia ser desnecessário criar um nome para o pai também. Afinal, se é a filha escrevendo em seu diário, faz sentido que ela o chame simplesmente de “papai”, não é? Na parte que não é do diário, o pai sequer é lembrado ou citado, de forma que não escolhi um nome para ele.

No geral, eu gostei bastante de escrever esse conto. Como já tinha tudo isso planejado mais ou menos meia hora depois de ver a imagem, o conto saiu extremamente rápido, em uma tarde escrevi ele inteiro. Ok, não é um conto muito longo, mas achei rápido a escrita. O que demorou mais foi mesmo pesquisar o nome do hospital e uma cidade próxima de uma floresta. =P

Lulu: Pra mim faz bastante sentido a forma como você fez tudo, Dé. Como já escrevi acima, difícil olhar para a imagem e não relacionar com a idéia de abuso. Lendo agora seu background, seu conto, que já me deixara nervosa, revirou meu estômago.

Dani: Essa aí vai sofrer com Stephen King...

Lulu: Juro que não entendo sua fixação com querer me obrigar a ler SK... mas tudo bem... Voltando ao conto do Dé, achei que mesmo sem o background, é possível ler nas entrelinhas. Você soube usar muito bem o epistolar através do diário da narradora, e o crescendo de suspense necessário para que possamos compreender que há algo de errado acontecendo com Laura.

Ísis: Realmente. Eu achei ótimo também!

Lulu: É engraçado, eu fiquei com a impressão de que havia muito mais no diário da narradora, mas que estamos lendo de forma fragmentária, quase como se fôssemos... um descendente, muitos anos depois, encontrando esse diário com páginas faltando, mas ainda assim capazes de acompanhar a história.

Pra terminar, eu adorei o fato de que foi a Laura quem matou o FDP e para proteger a irmã. Reagir e quebrar o ciclo de abuso talvez seja o primeiro passo para que ela possa realmente começar a lidar com tudo o que lhe aconteceu.

Ísis: Com certeza! Eu estava achando que seria a irmã narradora, mas foi ótimo que Laura tenha tomado as rédeas da situação. O que eu achei ainda melhor é que ela, mesmo possessa de raiva não só pela irmã, mas também por si, tenha avisado ao homem primeiro. Ela deu a ele uma chance.

Lendo o contexto agora, podemos concluir que foi uma estúpida chance, porque mesmo que ele desistisse naquele dia, provavelmente voltaria. Ainda assim, eu achei legal que ela não tenha revidado logo de cara. Charles merecia, claro, mas achei Laura de uma força surpreendente quando não o fez.

Lulu: Ótimo ponto, Ísis, concordo integralmente.

Bem, essa rodada do QCuC foi complicada para mim. No meio do caminho teve a mudança de casa, teve férias que serviram apenas para trabalhar mais ainda (só que em casa em vez de no escritório), teve viagem... Terminei meu conto não foi nem nos 45 minutos do segundo tempo, mas nos acréscimos finais.

A idéia veio ainda nos primeiros dias e derivou de uma conversa que tivemos no grupo do Coruja no whatsapp – eu não lembro o contexto exato, mas Dé começou a dar idéias estapafúrdias para histórias em caso de bloqueio, entre as quais ‘bruxas abduzidas fugindo da Inquisição com robôs gigantes’.

Dé: Sério?! Mas cá entre nós, ainda acho que as bruxas dariam uma boa história...

Dani: Tá de brincadeira?! XD Ísis, continua insistindo com a pederastia então que um dia alguém escreve!!!

Lulu: Não há robôs gigantes na minha história, nem alienígenas, mas foi a partir dessa sugestão que pensei nela.

Então... eu tinha uma vaga noção do que queria escrever. Agora só tinha de escolher COMO iria escrever.

Queria tentar escrever de uma forma fragmentária – primeiro porque isso me dava menos oportunidades de prolixidade, segundo porque emularia o estado de desconexão com a realidade em que eu queria deixar a minha narradora.

Mas como raios eu ia conseguir fazer isso? Elaborei vários esquemas diferentes ao longo dos dias, até decidir fazer uma lista (obviamente) das cenas chaves que eu precisava e tirá-las da ordem.

Saindo de uma linha temporal comum, eu conseguia o efeito de fragmentação que queria fazer... só que aí comecei a me atormentar em como manter a coesão do texto, como não deixar o leitor completamente perdido.

Pra isso eu numerei as cenas como capítulos – de forma que, se quiser, o leitor pode escolher ler a narrativa como uma progressão de fatos em vez de cenas soltas – e dei ganchos nas cenas maiores que serviriam como ligação do todo.

Até aí, eu não tinha escrito ainda uma única linha da história em si. Tinha apenas um roteiro de três cenas principais que queria fragmentar em mais pedaços: “1. Fuga 2. Pesadelo 3. Caçador de Recompensas”. Hora de escolher os nomes dos personagens, portanto.

Irina foi a primeira. Adoro esse nome, acho-o belo, elegante, forte. Quando tentei pensar em um nome, Irina ficava piscando na minha cabeça. Então fui pesquisar a origem do nome e vi que ele era russo – e aí decidi que a história se passaria na Rússia.

Esse é meu segundo conto do QCuC que se passa na Rússia. Não sei explicar essa fixação. Acho que é uma questão de distância e isolamento – quando penso em Rússia, penso em vastidões completamente vazias de gente – e esse senso de isolamento era algo que eu precisava para a história.

Voltando a falar dos nomes... Anya se tornou Anya porque eu queria usar o diminutivo russo de Annushka. E Vanya me foi sugerido pelo Random Name Generator.

Minhas idas e voltas decidindo nomes acrescentaram à história uma cena justamente sobre... nomes.

A essas alturas eu estava ouvindo repetidas e repetidas e repetidas vezes a canção Now We are Free, da trilha sonora de O Gladiador. Culpo Hans Zimmer por tudo o que veio depois.

Não tenho muito a acrescentar do background da história porque tudo que é necessário saber está de fato implícito no conto. Irina e Anya nasceram escravas; Irina assassinou seu dono a facadas, fugiu e ficou com fama de bruxa, com a cabeça a prêmio. Anya não matou ninguém em sua fuga, mas seu dono era um sádico que gostaria de ter seu passarinho de volta a gaiola para continuar a torturá-la, de forma que havia também um prêmio pelo seu retorno.

A ‘corça’ que o caçador estava caçando é Anya (faz-me lembrar a expressão olhos de corça). A despeito de ter fugido, Irina tinha tanto medo que se manteve isolada por anos, mas a companhia de Anya acabou por ser o impulso que ela precisava para encontrar sua coragem.

E todos terminaram felizes para sempre, especialmente as gralhas (eu precisava arranjar uma maneira de usá-las na história), que comeram carne por um bom tempo.

Dani: Que adorável! XD

Ísis: HUAHUAHUAHUA! Fato. Tomara que não tenham indigestão, coitadas...

Eu adorei sua cronologia meio doida. Salvo engano, é a segunda vez que você faz isso (a primeira acho que foi o conto de suspense/circo). Me lembra a série de TV de Suzumiya Haruhi, pela qual não tenho particular apreço, mas gosto da originalidade de misturar a sequencia de episódios. Gostei da forma misturada.

Agora me surpreendeu esse tema para você, vez que vive dizendo que não lê livro/vê filmes ou séries de TV em que haja estupro... E esse seu conto foi muito além disso. A parte em que é revelado que a Anya teve sua língua cortada, além de me partir o coração, me fez ter medo de você... E ficar ainda mais surpresa com o que você escreveu. Foi pior que o do terror... oO

Dé: Eu adorei o conto da Lu, e estar fora de ordem deu um clima meio Pulp Fiction para o conto, uma coisa que eu pessoalmente aprovo.

Dani: Eu tive a mesma impressão!!!

Dé: Vou admitir que a princípio eu realmente achei que o caçador de recompensas era um caçador comum e procurava por uma corça de verdade... bem, me enganei, não é? A princípio eu não imaginava qual seria a relação entre as duas garotas, mas talvez influenciado pelo meu próprio conto, achei que seriam irmãs. Mas acho que não estaria errado em dizer que, de certa forma, elas são irmãs, não é?

O fato das duas terem sido escravas me levou a perguntar em que ano a história da Lu se passa, mas acho que no final das contas acaba sendo irrelevante. No geral, eu gostei bastante do conto da Lu.

Isis: Também achei que era um caçador e uma corsa mesmo, mas, não sei por que, não achava que eram irmãs...

Bom, desculpem-me, mas o meu não seguiu o rumo dos outros dois contos, não. A Dani vai pular de alegria, mas, de novo, eu passei um bom tempo tentando espremer uma história. (Dani: Hehehe...) Toda vida que pensava em alguma coisa, o tema não condizia com o que tinha pensado. E não queria escrever o óbvio, que seriam duas moças no meio do nada tendo acabado de matar um homem.

Porque, pelo visto, EU NÃO CONSIGO FAZER COISAS SIMPLES... >.<

Dani: Num diga... ¬ ¬

Isis: Então Ísis resolveu fazer o que Ísis sempre faz, que é complicar tudo (Dé: Quando Isis só complica pra Isis, está ótimo! XD). Não tem jeito. Para isso, troquei o significado do tema “drama”, que originalmente significa uma história do gênero ‘drama’ propriamente dito, para uma história de “fazer drama”, estilo “Much Ado About Nothing”.

A parte realmente dramática da história (ou seja, o sentido de “drama” como gênero literário), tentei deixar subentendida, mas Darlene é uma sociopata com fixação na Anna, de quem cuida e protege... Às vezes, de forma brutal.

Dé: Esse toque ficou bem interessante, por que tu foi soltando pistas aqui e ali. Ficou muito bem colocado.

Isis: Obrigada. Você conseguiu notá-las? Fiquei com medo de estarem discretas demais...

Bem, resumindo o desfecho: Michael não é de todo ruim – embora não seja realmente boa coisa – mas gostava, sim, da Anna... Só que não sabia como demonstrar, porque tem dificuldades em questões sociais. Darlene deu um chega-pra-lá nele várias vezes, mas o rapaz é duro na queda. Ela inclusive tentou matá-lo algumas vezes, mas Michael teve uma vida de forma tal que, para ele, as tentativas da loira estavam mais para brincadeiras... Até que ela o amarrou e largou naquele porão onde Anna acordou.

Deixei terminar ali porque, primeiro, já estava muito grande, e, segundo, porque não queria dizer de cara que Darlene surtou naquele dia e, a partir de então, manteve Anna presa no porão.

Lulu: Minha cara quando terminei de ler o conto da Ísis:


Ísis: HUAHUAHUAHUAHUAHUA!

Lulu: COMO ASSIM A CABEÇA DELE ESTÁ DO LADO DE FORA???? É SÓ A CABEÇA OU O CORPO ESTÁ JUNTO TAMBÉM? E COMO ELAS ESCAPARAM DOS OUTROS ATORES????

Dé: Isso foi uma coisa que eu também não entendi... Ele estava em pé na janela com a cabeça à mostra, ou realmente estava com a cabeça separada do corpo? E se for a segunda opção... COMO CARALHOS ELE ESTAVA CONSCIENTE E FALANDO?!

Ísis: Eu ia deixar só a cabeça, mas, só dava certo se fosse terror, ou se tivesse mais explicações. No segundo caso, minha intenção era de que o corpo de Michael, pelo menos, funcionaria como no País da Maravilhas em Once Upon a Time. Em outras palavras, dá para continuar vivo sem o corpo grudado à cabeça, o que é um enorme drama em si... Imagina querer coçar o nariz e não ter como??? Pior é se desmontarem seu corpo na sua frente... >.< 

Dani: Que demais!!! XDDD

Lulu: Achei a forma como você construiu seu conto bem interessante – como eu disse quando comecei meus comentários, antes mesmo de ler seu conto, achava que todas as histórias dessa rodada iam mexer com questões de abuso e você conseguiu pensar fora da caixa e se sair com algo completamente inesperado.

Ísis: A intenção era essa, pensar diferente. Meu principal ponto para tanto é que elas não moram no meio do nada, mas numa cidadezinha até grande (sei lá, 500.000 habitantes pra cima). O momento do desenho seria na verdade a peça, que é feita no meio do parque da cidade.

Lulu: A Anna me deu um profundo cansaço mental, muito bobinha (Ísis: Sim, sim!), mas a Darlene é fascinante e quando o Michael apareceu no final eu fiquei morrendo de vontade de ler as outras vezes em que Darlene matou ele. Sério, o mote do conto rendia uma hilariante tragicomédia sombria, com Anna jogando flores pelo campo e dando uma de princesa indefesa, Darlene com uma machadinha e Michael seguindo-as em ‘mode zumbi’, deixando pedaços pelo caminho graças à Darlene.

É, eu sei, tenho um senso de humor bizarro.

Ísis: HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA! Adorei a imagem mental... Tô rindo rios agora. Mas confesso que também fiquei com vontade de ver as outras vezes que Darlene o teria tentado matar... E tem tanta coisa errada nessa frase, que não saberia por onde começar a apontar...

Pensando melhor, nós temos problemas. >.<

Dé: Então todos nós temos problemas, pois eu também fiquei curioso...

Mas quanto ao conto em si, embora a Isis tenha levado mais para o lado do humor, tendo como inspiração o próprio bardo, eu ainda considero o conto dela como um drama, tal como o meu e o da Lu, especialmente depois do esclarecimento por parte da Isis.

Tentem imaginar: sua melhor amiga, a pessoa que você mais confia no mundo, de repente revela-se ser uma assassina, sociopata e sequestradora, com uma fixação EM VOCÊ! E ainda afastou todos de você, e vai te manter presa num porão até sei lá quando, para fazer sei lá o que... Bem Stephen King, isso (mais precisamente, Misery).

Ísis: Eu não leio Stephen King, então realmente não sei se fiz algo parecido ou não, mas interessante que tenha ligado com ele, porque meu objetivo era fazer algo que começava com pequeno drama, passando um pouco por comédia, e terminando em terror (drama disfarçado). Você acertou em cheio, Dé, na sua exploração! Essa é exatamente a plot dramática, a qual escolhi não deixar tão clara. Obrigada! ^^

Dani: Então que aí vou ter que apontar algo para os três. Talvez eu tenha sido a única que teve essa sensação, num sei, mas eu tenho que dizer, pessoal, eu tive muita dificuldade para perceber o tema que propus nos contos de vocês. O do Dé foi provavelmente o que o drama mais se sobressaiu de fato, mas ainda assim, foi bem pouco. Em todos o que realmente se pronunciou mais que tudo foi o suspense.

É impossível não ter mais que um tema nos contos, mas o desafio é fazer o tema proposto ser o que se destaque. E tenho que admitir, foi como ler três contos de suspense. E até então isso não tinha acontecido, vocês sempre conseguiram fazer com que o tema principal ficasse bem evidente.

Lulu: Não posso dizer por todos, mas acho que essa questão é mais pela forma como as histórias foram contadas: o drama é o passado, o background dos personagens, mas, como vamos entregando aos pouquinhos o que realmente aconteceu, acaba criando o clima de suspense de que você falou.

Dani: Mas, tirando isso, eu realmente não tenho o que reclamar, os três foram demais!! O Dé se superou, sério! Seu conto ficou tão envolvente que eu li de uma tacada só e fiquei de queixo caído. Me lembrou os filmes do Hitchcock. O da Lu então, foi uma surpresa. Eu realmente não esperava a ideia das bruxas. E quando você colocou as gralhas no fim, me veio na hora O Oceano no Fim do Caminho do Gaiman, com aqueles pássaros enormes. Seu conto ficou muito surreal e intrigante, e como sempre, deu vontade de saber mais (por que seus contos dão sempre a sensação de serem pedaços de romances?). Ísis, eu amei demais a ideia do teatro! Cara, que genial transformar a imagem do desenho num teatro!!! E a história ficou ótima, meio Psicopata Americano, meio As Vozes (filme muito engraçado, indico fervorosamente). Misturar com comédia foi mesmo inesperado. Pelo teor do desenho eu não esperava que ninguém fosse fazer isso.

Eu mesma comecei a desenhar ele enquanto assistia um filme western do Clint Eastwood com meu pai. A minha ideia original acho que não tinha nada a ver com abuso, mas mais com as mulheres conseguindo se defender por conta própria. No tal filme havia três mulheres que eram arrastadas pra lá e pra cá o tempo todo, sendo protegidas pelos “mocinhos”. E me veio à mente por que diabos elas próprias não podiam fazer isso. Na verdade, no fim se resumiu a uma ideia bem simples.

Anyway... Partindo para a próxima rodada, que será mais curta, e, eu espero, muuuuito mais difícil para esses meus amados companheiros, estou passando o próximo desenho, e o próximo tema. Que dessa vez é um dos meus temas favoritos em todo mundo, então é melhor capricharem, hein: NONSENSE

Divirtam-me!!!



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Um comentário:

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