12 de novembro de 2015

Desafio Corujesco 2015: Um Passeio que Fiz || Outlander - A Viajante do Tempo

"Não incomoda você que eu não seja mais virgem?"

Ele hesitou por um momento antes de responder.

"Bem, não." ele falou devagar. "Desde que não importe que eu seja." ele sorriu a minha expressão de queixo caído e voltou para a porta. "Acredito que pelo menos um de nós deveria saber o que está fazendo."
O Desafio Corujesco desse mês era um livro que fosse também uma viagem, um ‘roteiro turístico’ que eu já tivesse feito ou tinha vontade de fazer. Considerando que elaborei minha lista de títulos para o Desafio pouco após ter voltado da Escócia, é alguma surpresa que eu tenha escolhido um romance que se passa naquelas pairagens?

Outlander – A Viajante do Tempo estava na minha mira já fazia algum tempo – é um dos títulos indicados na lista de 100 melhores livros de fantasia e ficção científica da NPR – lista essa que tem sido uma das minhas principais influências toda vez que me perguntou “qual vai ser o próximo?”. Para completar, ele foi relançado recentemente em português pela Saída de Emergência – embora, sendo bastante sincera, eu ache a capa da Rocco muito mais bonita.

Enfim, tomando todos esses fatos em consideração, como eu poderia resistir?

Logo às primeiras páginas, comecei a reconhecer as paisagens. No presente, Claire e Frank passam sua segunda lua-de-mel em Inverness (onde também fiquei hospedada), visitam o Lago Ness e o Castelo de Urquhart (que também visitei), enquanto no passado passamos por muitas paisagens e castelos que hoje conhecemos como ruínas – Fort William, Doune Castle e por aí afora... Sério, é difícil você passar por um lugar na Escócia – especialmente na região das Highlands – que o guia não te conte uma história sobre a revolução jacobita.

Em outras palavras, Outlander me deu uma baita vontade de voltar à Escócia.

A história começa no pós-guerra, com Claire – nossa protagonista – numa viagem pela Escócia ao lado do marido, Frank. Os dois estiveram separados por seus trabalhos durante a guerra, de forma que essas ‘férias’ servem também para reavivar seu casamento.

Tudo parecia estar indo muito bem, até que Claire, visitando um círculo de pedras onde, supostamente, ocorrera algum tipo de ritual mágico, ‘cai’ através do tempo até chegar ao ano de 1743, às vésperas do início da última insurreição jacobita.

Rápida aula de história: entre 1688 e 1746, Inglaterra, Escócia e Irlanda passaram por diversos conflitos em virtude da deposição de Jaime II e os descendentes da Casa dos Stuart pelo Parlamento, quando da Revolução Gloriosa.

Os jacobitas – nome derivado de ‘James’ – queriam recolocar o ‘verdadeiro’ rei no poder. Todas as suas sucessivas tentativas, contudo, foram violentamente sufocadas e ao final da guerra em 46, a Inglaterra impôs à Escócia uma série de restrições que quase acabaram com a cultura de clãs.

Em todo caso, Claire vai parar no passado e já de imediato, em meio a um conflito entre ingleses – incluindo aí o grande vilão da história, Jack Randall, que é, bizarramente, ancestral do seu marido – e escoceses.

Ela é capturada pelos escoceses, o clã dos McKenzie, que a princípio a tomam por uma prostituta, depois uma espiã, mas por fim decidem que ela é uma bruxa, já que Claire, como enfermeira que foi durante a II Guerra, trata de um dos rapazes do grupo, Jamie Fraser.

Jamie vai acabar se aproximando dela e muitas idas e vindas depois, os dois terminam tendo de se casar para que Claire não seja entregue a Jack Randall. E, bem, como o marido dela tecnicamente ainda não nasceu, isso significa que não é adultério, não é mesmo?

Outlander é em boa parte bastante divertido, em outras dá nó no estômago por suas cenas de violência, tem como base uma pesquisa história incrível e atende um pouco a todos os gostos: para quem gosta de viagens do tempo, os paradoxos com que Claire se defronta são bem interessantes; para quem ama uma boa aventura, você está no meio da Escócia, às vésperas do início de uma grande rebelião, no meio de um grupo que tanto se envolve na política quanto na ação; e se você se delicia com um romance açucarado, a relação de Claire e Jamie é, não apenas quase diabética, como repleta de cenas de sexo versão harlequin.

Foram suas cenas harlequin que me fizeram pensar que havia qualquer coisa de familiar na história e, de fato, fuçando a memória, lembrei que alguns anos atrás a Ísis me mandou ler uma série de livros da Karen Marie Moning e o primeiro deles foi The Highlander’s Touch, que tem uma protagonista do século XX que viaja no tempo e cai nos braços de um chefe de clã escocês do século XIV – um chefe escocês que é também meio humano e meio encantado... enfim, deixa pra lá.

Embora Outlander – A Viajante do Tempo seja o primeiro volume de uma série, minha impressão é que a história desse primeiro volume se basta – você pode decidir continuar lendo, mas se quiser parar aqui, vai ter uma história razoavelmente fechada. Como se trata de uma série grande que ainda está sendo escrita – e cada livro tem mais de quinhentas páginas, pelo que já percebi – ainda não decidi se vou continuar seguindo as aventuras e desventuras de Claire e Jamie. Mas ainda quero ver se arranjo tempo para ver a série, que muita gente andou elogiando para mim.

Se por nenhum outro motivo, a série pelo menos vai mostrar de novo aquelas paisagens deslumbrantes pelas quais me apaixonei na Escócia...

Nota:
(de 1 a 5, sendo: 1 – Não Gostei; 2 – Mais ou Menos; 3 – Gostei; 4 – Gostei muito; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: Outlander - A Viajante do Tempo
Autor: Diana Gabaldon
Tradução: Geni Hirata
Editora: Saída de Emergência
Ano: 2014

Onde Comprar

Amazon || Cultura || Saraiva || Submarino


A Coruja


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3 comentários:

  1. Nossa... eu li Outlander. Não curti.
    Mas fujo do assunto que eu queria realmente mencionar aqui, finalmente saiu a minha resenha desse mês, estou super atrasada esse ano. 2015 já vai tarde!
    Mas segue o meu passeio à Turquia <3 ;-*
    http://leiturasdelaura.blogspot.com.br/2015/12/the-king-of-taksim-square.html

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    1. Eu acho que boa parte do meu interesse por Outlander foi o contexto histórico e o fato de me fazer lembrar da minha viagem à Escócia. A parte do sexo é meio vergonha alheia - já li algumas mais bem escritas. Mas num cômputo geral, eu gostei. Só não me animo a ler o resto dos catataus da série...

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    2. O que um contexto que nos atrai não faz por uma leitura, não é mesmo? :-)
      Eu li a sinopse dos livros seguintes e sinceramente, prefiro manter a distância o.O

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