4 de agosto de 2015

Hábitos de Viagem de uma Virginiana Neurótica


Considerando a alta do dólar, mudança de apartamento, alguns problemas de saúde na família e mais uma série de fatores, minhas férias desse ano vão acontecer aqui pelo Brasil mesmo – o que não significa que não vou compartilhar com vocês minhas eventuais aventuras como fiz quando atravessei o Atlântico.

A grande farra está marcada para dezembro, já que estarei em São Paulo para a Comic Con Experience (ingressos já estão comprados!). Mas, para além disso, daqui a exatamente um mês, estarei em Salvador com o resto da família, aproveitando o feriadão da Independência.

Considerando que sou, como vocês já sabem, uma virginiana neurótica cheia de rituais de organização, já estou sofrendo por antecipação planejando cada mínima etapa da viagem. Nesse contexto é que hoje decidi compartilhar com vocês meu modo turista de ser.

Preparados? Então, vamos ver o que vem por aí...

1) Que tipo de viajante é você: escolhendo seu destino

Eu tenho uma lista (sempre elas...) dos lugares que passei a vida inteira sonhando visitar. Essa lista está sempre recebendo acréscimos, conforme minhas leituras, artigos, comentários da Ísis (que é a única especialista em viagens que realmente conheço).

Há algo em comum em quase todas as viagens que tenho vontade de fazer e isso diz muito a meu respeito. Elas estão repletas de casas de escritores (como o Chalé Chawton), lugares em que cenas de livros favoritos acontecem (Château d’If), monumentos históricos (o Oráculo de Delfos), e outras nerdices várias.

Não sou uma turista de aventura, nem de balada, nem de compras, nem de parques de diversão. Meu negócio é museu. E jardins. E grandes paisagens imponentes. Livrarias. Castelos e fortalezas, teatros e andar pelas ruas da cidade, se perder e se encontrar sem pressa, admirando os prédios e observando as pessoas.

Eu fui à França porque sou louca pela Revolução Francesa e por tudo o que tem a ver com Napoleão. Por causa de Dumas, e porque Monet é um dos artistas que mais me emociona. Pelo papel da Resistência na Segunda Guerra. E ainda quero voltar lá porque preciso ver as preciso ver com meus olhos as praias da Normandia e para visitar o bendito museu sobre Verne.

Um dos lugares que queria conhecer era a Shakespeare and Company - e um dos motivos para tanto foi o livro do Mercer

Fui à Grã-Bretanha porque praticamente todos os meus escritores favoritos são ingleses. Porque sou fã de Elizabeth I, cresci lendo as lendas do rei Arthur e o folclore escocês me fascina.

Vou a Salvador porque foi a primeira capital do país. Foi lá que tudo começou. Vou ao Pelourinho, às igrejas barrocas, cantarei uma tarde em Itapoã e visitarei a casa de Jorge Amado.

Saber que tipo de viajante você é significa saber como planejar os detalhes. Onde ficar, como chegar, com quem ir. Se você sabe exatamente que tipo de objetivo você tem com a viagem que quer fazer, é muito mais fácil se organizar.

2) Blogs e Guias de Viagem são os seus melhores amigos

Uma vez que eu tenha decidido para onde vou viajar – muitas vezes com mais de um ano de antecedência – começo a ler tudo o que consigo encontrar sobre esse lugar. E não apenas guias, mas também volumes sobre folclore e bastante história, biografias e outras variantes.

Tenho uma prateleira em casa só para livros de/sobre viagens

Normalmente tenho uma idéia bastante aproximada do que vou encontrar – afinal, eu sei porque estou indo (vide item 1) – mas isso não significa que eu não queira descobrir mais e mais sobre o que vou ver.

Assim é que faço uma lista de lugares que quero visitar, numa ordem de proximidade – começo pelo que está mais longe do hotel e vou voltando – e começo a pesquisar um pouco da história em torno desses marcos.

Algumas vezes viajo com companhia de viagem, mas na maior parte do tempo eu sou minha própria guia. Não vejo a menor graça em entrar e sair de um lugar e olhar um bocado de objetos sem entender porque eles estão ali.

Assim vou montando meus roteiros, folheando guias, pesquisando blogs e descobrindo outras coisas que possam me interessar. Aliás, blogs de viagem são uma benção dos céus, porque eles trazem mais dicas interessantes que um simples guia, e muito da experiência pessoal de quem está escrevendo.

Blogs como o Conexão Paris, Para ver em Londres, Dri Everywhere e Matraqueando me ajudaram MUITO quando precisei.

Eles nos apresentam locais que estão fora do circuito normal dos turistas, que passam batido por não estar ‘na moda’.

3) Promoções: venham a mim!

Planejar-se com antecedência não significa apenas criar roteiros insanamente detalhados, mas também se organizar financeiramente para fazer tudo aquilo que você quer fazer.

Você tem bastante tempo de pesquisar passagens de avião; trens e ônibus podem sair mais barato se você compra antes e o mesmo acontece com hotéis.

Para além disso, também é uma boa idéia providenciar ingressos para atrações que você for visitar. Às vezes, ingressos comprados na internet são mais baratos. Às vezes eles saem um pouco mais caros, mas, em compensação, você não precisa entrar em fila.

Salvar tempo que você passaria numa fila interminável significa ter tempo para apreciar melhor o lugar onde você está indo ou para acrescentar algo no seu roteiro que você achou que não ia dar.

Filas... filas enoooooooooooormes...

Se você passa duas horas em pé numa fila para entrar no Louvre, quando afinal conseguir chegar no museu, já vai estar muito cansado e irritado para realmente aproveitar. E assim por diante.

A maior parte dos grandes monumentos, galerias e museus que visitei vendiam ingressos pela internet e digo sem peso na consciência que eles valeram cada centavo que paguei.

4) Verifique tudo pelo menos três vezes

Umas duas semanas antes de viajar, começo a fazer listas (há!): listas de documentos que vou precisar, listas das coisas que vou levar, listas do que quero comprar...

Aí começo a seguir os boletins de clima do lugar para onde estou indo. Às vezes pode aparecer uma frente fria no verão, ou vice-versa e é melhor estar preparado.

Kolory, minha companheira de aventuras

Nunca deixo para fazer mala na véspera e sempre confiro tudo mais de uma vez para ter certeza que não estou esquecendo nada.

Pode parecer paranoia, mas você quer chegar na alfândega e de repente descobrir que esqueceu algum papel de comprovação? Ou que deixou para trás um dos ingressos que comprou antes? Nesses casos, é sempre melhor prevenir do que remediar.

5) Meias de compressão são a resposta

Não viajo para ficar em hotel olhando o mundo lá fora. Saio de manhã cedo, passo o dia caminhando e só volto de noite.

Ter um calçado confortável é fundamental e todo mundo sabe disso, mas nem todo mundo conhece o segredo das meias de compressão.

Para onde foi meu fôlego???

Elas ajudam com a circulação sanguínea, protegem seus pés e fazem com que você se canse menos – ou, pelo menos, que sinta menos o cansaço até tirá-las e descobrir que não sente mais seus membros inferiores e um escalda-pés é imprescindível.

Sério, eu passo o dia inteiro de pé, caminhando pra cima e pra baixo, subindo ladeira se for necessário – contanto que esteja usando meias de compressão.

6) Simplesmente aproveite ao máximo!

O mais importante, no fim das contas, é aproveitar tudo ao máximo! Viajar é uma experiência fantástica - conhecer novos lugares, novas pessoas, experimentar comidas diferentes, e até sair da nossa zona de conforto (vide Lulu tentando se comunicar em italiano ou espanhol falando português e outras variações do tipo).

Faça tudo aquilo que tem vontade, no seu ritmo, do seu jeito. E volte com as lembranças. E, se você for compulsivo como eu, com diários repletos de ingressos, panfletos, folhas recolhidas de jardins e outras pequenezas que vão imediatamente te transportar para aquele lugar, aquele momento inesquecível.

Meus diários de viagem quase não fecham na volta...

E é isso... Uma vez que esteja tudo no devido lugar, guias lidos, malas prontas, passagens na mão... vamos embarcar para mais uma aventura!


A Coruja


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4 comentários:

  1. Não sou virginiana, mas assim como você tenho minhas manias...
    Em se tratando de viagens somos bem iguais inclusive. Meu marido pira, pois ele é bem o meu oposto. Quando fomos à Italia ele reclamou bastante das caminhadas, mas alguns gelatos sempre compensavam o mau humor....kkk
    Concordo com você, quando viajamos temos que aproveitar muito e tudo... qual a oportunidade de voltarmos não é mesmo...
    E pesquisar e se planejar é a melhor maneira de não perder nada.

    Eu monto livros (livros mesmo com mais de 200 páginas) com minhas pesquisas de destino, incluo detalhes de tudo o que quero ver, vale a pena, e dicas. E isso me ajuda muito, pois durante a viagem é um prazer inenarrável ver com os próprios olhos algo que pesquisou ou leu em algum lugar.
    Fiz descobertas incríveis nas minhas viagens, tudo graças a minha megalomania por ler tudo o que diz respeito ao destino que pretendo conhecer...
    Quem viaja comigo, ou vai depois de mim e aproveita das minhas pesquisas sempra agradece.

    Beijos

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    1. Acho que essa é a parte da graça, Mariana... você começa a viajar já antes de embarcar e descobre tanta coisa interessante, aproveita tanto mais CONHECENDO e não apenas vendo sem entender o que está vendo...

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  2. AI MEU DEUS, VOCÊ VAI PRA COMIC CON EXPERIENCE! Eu gosto de ti desde que vc escrevia pro Expresso Hogwarts! *_*

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    1. ^^ Fico honrada e sempre feliz em marcar de encontrar o povo com quem convivo pelas internet da vida ;)

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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