9 de julho de 2015

Para ler: Frenesi Polissilábico

Os livros são, sejamos realistas, melhores do que qualquer outra coisa. Se criássemos uma espécie de luta de boxe cultural e fizéssemos com que os livros disputassem 15 rounds no ringue contra o melhor que qualquer outra forma de arte tivesse para oferecer, então os livros não perderiam nenhuma partida. Pode verificar, se quiser. A flauta mágica versus Middlemarch: um estudo da vida provinciana? Middlemarch ganha de seis a zero. A última ceia versus Crime e Castigo? Ponto para Dostoiévski. Está vendo aí? Não sei se isso é muito científico, mas parece que os romances estão ganhando disparado.
Adoro ler livros sobre livros: narrativas que giram em torno de volumes misteriosos, ensaios familiares, fatos históricos, crítica, momentos compartilhados por entre livros – não importa o formato, ler literatura sobre literatura é algo que me empolga bastante.

Talvez seja pelo senso de comunidade que sinto ao encontrar esses volumes – algo bem parecido com a experiência dos debates do clube do livro. De encontrar tanta gente fascinada pelos livros, pela infinidade de mundos e histórias contidas neles. É o motivo de eu manter o blog afinal.

Frenesi Polissilábico é um desses livros que criam senso de comunidade pra mim.

Provavelmente receberei algumas pedradas com a afirmação que farei a seguir, mas preciso ser sincera: eu não gosto do Nick Hornby. Ou, pelo menos, eu ainda não tinha conseguido gostar de nenhum dos romances dele que li. Não sei explicar exatamente o porquê disso, mas o fato é que não consegui simpatizar com seus personagens. Eu desconfio que seja a imaturidade que boa parte de seus protagonistas apresenta, mas não tenho certeza se é só.

A despeito disso, quando uma amiga comentou sobre Frenesi Polissilábico (e nem lembro mais exatamente qual foi o comentário dela), eu fiquei empolgada e dei uma olhada na sinopse e me interessei o suficiente para, tendo descoberto que havia dele disponível para troca no SKOOB, solicitá-lo.

Devo dizer que não me arrependo dessa impulsividade.

Em Frenesi Polissilábico estão reunidas uma série de artigos originalmente publicados na revista The Believer, onde Hornby comenta sobre os livros que está lendo, os livros que comprou, sobre os motivos que o levam a ler um livro, sobre sua forma de ler.

Considerando que muitos dos títulos de que Hornby fala provavelmente não vão aparecer na minha estante por motivos vários (como a minha falta de interesse em futebol), é talvez contraditório dizer que adorei Frenesi Polissilábico. Mas a verdade é que, mais que um volume de críticas, este é um livro sobre a própria experiência da leitura e Hornby tem excelentes insights sobre a questão.

Para além disso, descobri que o senso de humor dele me é mais agradável no formato não-ficção em vez de em seus romances. Eu leria mais livros de não-ficção do Horby, sem pestanejar.

Nota:
(de 1 a 5, sendo: 1 – Não Gostei; 2 – Mais ou Menos; 3 – Gostei; 4 – Gostei muito; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica
Título: Frenesi Polissilábico
Autor: Nick Hornby
Tradução: Tamara Sender
Editora: Rocco
Ano: 2009
Número de páginas: 264

Onde Comprar

Amazon || Cultura || Submarino


A Coruja


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2 comentários:

  1. AHHHHH!!!! E me dá uma raiva estar tão atrasada com o Desafio Corujesco! Eu escolhi esse para o mês de julho ou agosto, nem me lembro. Por que eu leio tão devagar? :/

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    Respostas
    1. Cada um tem seu ritmo, Tatá. Importante é só não desanimar ;)

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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