12 de março de 2015

Ode ao Cara de Chapéu


Estou tentando organizar meus pensamentos para conseguir escrever isso, então me desculpem se eu não conseguir soar de forma muito coerente no momento. Acabo de receber a notícia da morte de Sir Terry Pratchett e por mais comunicados oficias que eu veja, é difícil realmente acreditar nisso.

De uma forma abstrata, é claro que sabíamos que isso aconteceria mais dia ou menos dia. Pratchett sofria de um tipo particularmente agressivo de Alzheimer e era um militante do direito de escolher quando morrer - morrer com dignidade, consciente de si mesmo, sendo ainda capaz de reconhecer as pessoas que amava.

Não há ainda notícias de exatamente como ele morreu, mas eu espero que tenha sido a morte que ele desejava. Considerando a forma como a filha dele anunciou a perda, eu acredito que assim tenha sido.


Independente de qualquer coisa, não posso deixar de me entristecer hoje. Pratchett era (e vai continuar sendo) um dos meus autores favoritos - ao longo dos últimos dez anos, suas histórias e suas palavras me fizeram rir e pensar e nada me deixava mais feliz que compartilhá-lo com outras pessoas. 'Roundworld', o nosso mundo, está todo contido no que há de melhor e de pior no seu Discworld: ainda que seu trabalho seja todo na ficção fantástica, a verdade é que Pratchett era incrivelmente atual e agudo em suas análises.

Como escritor, ele tinha uma imaginação sensacional; como pessoa, por tudo o que sabemos de sua vida, ele era um homem notável: Pratchett era extremamente corajoso - jamais escondeu sua doença e serviu como o rosto de sua campanha pela eutanásia -, um humanista de conhecimento amplo e otimista sem deixar de enxergar a realidade.

Eu comecei me apaixonando pelos livros e, mais tarde, admirando o homem por baixo do chapéu. De muitas maneiras, ele me serviu de inspiração e sua morte é uma perda com a qual será difícil se acostumar. Mas como o próprio autor certa vez escreveu... "ninguém está realmente morto até que as ondas que ele causou no mundo se acabem". E é certo que Pratchett ainda há de influenciar e inspirar muitos outros leitores por ainda muitos anos.

Adeus, Sir Terry. E obrigada por tudo.


A Coruja


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4 comentários:

  1. Olá, Coruja. É muito bom encontrar outro fã do Pratchett. Ainda mais um que o conhece tão bem quanto você. Sua homenagem, por mais que me pese o coração ver essas palavras, também aliviam um pouco a perda por poder compartilhar da genialidade dele. Fiquei meio deprimido ao ver tanta gente por ai dizendo que nem sabia quem ele era.

    Muito obrigado pelo seu texto. Também fiz uma pequena homenagem a ele e significaria muito pra mim se pudesse lê-la.

    Abraços. Que o Discworld fique mais divertido, porque o Roundworld certamente perdeu um pouco do seu brilho.

    http://pequenosdeuses.com.br/10-coisas-que-aprendi-com-terry-pratchett/

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    1. Entendo bem seu ponto, Thiago. Engraçado que por onde eu circulo, muita gente conhecia ele de nome - nem que fosse pelo fato de que eu falava dele pra cima e para baixo sem parar. Apresentei muitos dos meus amigos à sua obra e fiz outros tantos amigos por causa dele. Engraçado que lendo os depoimentos das pessoas sobre o Pratchett, a impressão que fica é o senso de comunidade, a forma como ele nos influenciou a todos. Excelente o seu texto também! Tudo isso aprendemos com Pratchett e mais. Grande abraço!

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    2. Obrigado pela resposta e pelo elogio, Luciana. Falei "outro fã" sem saber que era mulher, perdão!

      Agora que você mencionou, realmente reparei numa certa união dos fãs. Espero que a influência dele dure por muito.

      Abraço!

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    3. Ah, nenhum problema! Não se preocupe com isso, a parte mais importante é justamente o fato de podermos nos unir todos para celebrar essa figura tão extraordinária.

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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