22 de junho de 2013

Tales From The Barn - Dance Night

Primeiro dia de aula na escola estadual Kirsche. Todos os alunos pareciam bem animados, procurando por suas novas salas de aula. Fazia um dia bonito, ensolarado, e bem quente que o normal para o final do verão. A cena que se desenrolava era a tradicional: velhos amigos se reencontrando após as férias; as líderes de torcida já começavam a ensaiar as novas coreografias, ou então estavam juntos dos atletas mais populares; valentões jogavam nerds nos latões de lixo e os nerds que escapavam se escondiam como podiam. O único aluno que parecia não estar animado parecia ser Jason, que era normalmente bastante animado, mas andava um tanto abatido naquele dia.

Quando andava em direção a entrada do colégio, passando ao lado de uma lata de lixo, Jason ouviu:

- Oi! Alguém pode me ajudar a sair daqui? – A voz era familiar, e estava devidamente acompanhada de uma mão igualmente familiar acenando lá de dentro.

- Mike? É você aí dentro? – Disse Jason, aproximando-se da lata de lixo e olhando para dentro, procurando o amigo.

- Jason? Amigão! Pode me dar uma mão aqui?

- Claro, cara. Me dá um segundo.

Em pouco tempo, os dois amigos já estavam sentados na sala de aula, que muitos diziam ser seu habitat natural, colocando o papo em dia depois de dois meses afastados.

- Quer dizer que te jogaram lá dentro só por estar lendo uma revista do Lanterna Verde?

- Isso mesmo! Acredita que chegaram a largar o Larry, do clube de informática, pra virem atrás de mim? Que bicho será que mordeu aqueles caras?

- Isso realmente é uma bela de uma sa... – Começou Jason, mas logo calou-se, seguindo um grupo de garotas que havia acabado de entrar na sala.

- Hã? Tudo bem, Jason? – estranhou Mike, enquanto se virava para a entrada da sala, procurando a razão do comportamento do amigo. – Ah, saquei...

Ela já estava sentada, na primeira fileira, próxima das amigas. Carla. A garota tinha sido transferida para a escola perto do final do ano letivo anterior. Os pais haviam se mudado para a cidade e, pouco depois de ter entrado para a escola, a garota havia entrado para o clube de dança, onde fez a maior parte das amizades até então. Mesmo sendo novata, e da ascendência latina, logo entrou para o grupo das “pessoas populares” da escola. Não era apenas popular: era uma das cinco mais populares, despertando o interesse dos rapazes e a inveja de muitas garotas.

Quando ela já estava entretida na conversa com as amigas, Mike voltou-se para o amigo, perguntando:

- E então? Alguma sorte com ela?

- Nope. Nenhuma – Tratou logo de responder, apressado, claramente desejando que o amigo não continuasse a falar sobre o assunto.

- Ué? Por que não? Achei que você tinha conversado com ela durante as férias.

- Você passou as férias viajando, não foi? Deve ser por isso que não comentei nada.

- Pode falar agora, cara. Sou todo ouvidos.

- Eu até tentei falar com ela, durante as férias. Mas ela estava saindo com o Greg, do time de basquete. Eu os vi juntos no cinema, lá pela segunda semana de férias.

Mike abriu a boca para dizer alguma palavra de apoio ao amigo, mas foi interrompido pelo professor. No fundo Jason agradeceu por isso.

- Bom dia, turma. Eu sou o Prof. Mathews, seu novo professor de matemática...

Mas Jason não ouviu muito mais do que isso. Estava perdido em pensamentos, sua mente divagando sobre os acontecimentos do ano anterior.

*~*~*~*~*

Tudo começou no show de talentos da escola, que acontecia tradicionalmente no último trimestre, duas semanas antes das provas finais. Naquele ano, o pequeno clube de música da escola recebeu um convite para atuar em conjunto com o clube de dança, um uma apresentação dupla com temas latinos.

Grande parte dos envolvidos na apresentação elegeu as músicas Into the Night e Smooth, de Carlos Santana, e que Jason, sendo o melhor guitarrista da escola e um excelente cantor, iria subir ao palco, caracterizado como o guitarrista mexicano. Aquela seria sua primeira grande apresentação em um palco, para toda a escola, e o rapaz certamente não queria pisar na bola.

Durante a semana que antecedeu a apresentação, Jason praticamente respirava Carlos Santana, Chad Kroeger e Rob Thomas. Todo tempo livre que conseguia, ele ensaiava repetidamente as duas músicas, chegando ao ponto de quase cortar os dedos após tocar por mais de duas horas seguidas. Mas ao final da semana, o resultado valeu a pena: ele estava certo que poderia tocar as músicas até dormindo, se tentasse. Estava pronto.

Na noite da apresentação, estava devidamente caracterizado: Uma camisa branca abotoada até o penúltimo botão; calças de linho preto; sapatos da mesma cor; as marcas registradas do guitarrista nos últimos anos, um par de óculos escuros e um chapéu fedora e, naturalmente, sua fiel Fender vermelha. Estar ali, prestes a entrar no palco, com sua guitarra nas mãos, passava ao rapaz uma sensação fantástica. Uma ansiedade crescia a cada segundo que se passava: sabia que faria uma boa apresentação. Não poderia fazer diferente.

Sua certeza era tal, que no mesmo instante que pisou no palco, a ansiedade crescente que lhe apertava o peito desfez-se imediatamente. Então os dançarinos subiram ao palco. E ele a viu.

Os cabelos negros, na altura dos ombros, estavam soltos, já que eram tão lisos que presilha alguma conseguiria prendê-los. O body preto colado destacava bem o corpo de curvas suaves. A longa saia vermelha era folgada e permitia o livre movimento das longas pernas. Usava poucos adornos, apenas um par de argolas douradas nas orelhas e uma pulseira igualmente dourada. No rosto afilado usava apenas maquiagem leve exceto pelo batom, de um vermelho vivo. Por um segundo, Jason esqueceu-se até de respirar, quanto mais o que estava fazendo ali.

- Calma, Jason. Concentre-se, concentre-se... A apresentação, você tem que fazer uma boa apresentação – Pensou, começando a tocar a primeira música.

Like a gift from the heavens, it was easy to tell
It was love from above that could save me from hell
She had fire in her soul it was easy to see
How the devil himself could be pulled out of me
There were drums in the air as she started to dance
Every soul in the room keeping time with their hands
And we sang

Àquela altura, Jason estava certo que não errava as notas por já estar condicionado a tocá-las, uma vez que não conseguia mais se concentrar na música.

Ay, oh, ay, oh, ay, oh, ay
And the voices bang like the angels sing
We?re singing, ay, oh, ay, oh, ay, oh, ay
And we danced on into the night

Ay, oh, ay, ay, oh, ay, oh
And we danced on into the night

Ele não conseguia mais tirar os olhos de cima de Carla.

Like a piece to the puzzle that falls into place
You could tell how we felt from the look on our faces
We were spinning in circles with the moon in our eyes
The room left them moving between you and I

We forgot where we were and we lost track of time
And we sang to the wind as we danced through the night
And we sang

A garota dançava com uma leveza ímpar. Jason podia jurar que ela estava flutuando, e apenas fingia tocar o chão.

Ay, oh, ay, oh, ay, oh, ay
And the voices bang like the angels sing
We?re singing ay, oh, ay, oh, ay, oh, ay
And we danced on into the night

Ay, oh, ay, ay, oh, ay, oh
And we danced on into the night
Ay, oh, ay, ay, oh, ay, oh
And we danced on into the night

Antes que se desse conta, já havia terminado de tocar a primeira música e começava a tocar a seguinte.

Man, it's a hot one
Like seven inches from the midday sun
Well, I hear you whispering the words that melt everyone
But you stay so cool
My muñequita, my Spanish Harlem Mona Lisa
You're my reason for reason
The step in my groove

Neste momento, a garota foi até as costas dele. Ele sentiu o suave toque de uma mão macia em sua nuca. Foi como se eletricidade subisse pelas costas do rapaz.

And if you said this life ain't good enough
I would give my world to lift you up
I could change my life to better suit your mood
Cause you're so smooth

O efeito foi tão forte e agradável, que nem todo o condicionamento que ele tenha passado o impediu de errar uma nota.

And it's just like the ocean under the moon
It's the same as the emotion that I get from you
You got the kind of lovin' that can be so smooth, yeah
Gimme your heart, make it real,
Or else forget about it

A mão dela seguiu deslizando suavemente pelo ombro. Ela o estava circundando, até estar frente-a-frente com ele.

I'll tell you one thing
If you would leave it'd be a crying shame
In every breath and every word
I hear your name calling me out
Out from the barrio, you hear my rhythm on your radio
You feel the turning of the world so soft and slow
Turning you round and round

Os olhares dos dois se cruzaram, presos um no outro. Os olhos dela eram castanhos, intensos.

And if you said this life ain't good enough
I would give my world to lift you up
I could change my life to better suit your mood
Cause you're so smooth

Aqueles olhos mostravam uma garota decidida, forte. Aqueles também eram os olhos de uma garota que estava realmente se divertindo naquele momento.

And its just like the ocean under the moon
it's the same as the emotion that I get from you
You got the kind of lovin that can be so smooth, yeah
Gimme your heart, make it real
Or else forget about it

O rapaz se sentiu flutuar durante todo o processo, completamente hipnotizado pelo olhar da garota. Um breve instante se estendeu por longos minutos, mas logo foi interrompido já que ela, aparentemente alheia ao efeito que causara, simplesmente continuava a coreografia. Quando o contato foi quebrado, Jason sentiu como se caísse no próprio corpo, forçosamente desperto de um sonho. Tudo que restava daquele sonho bom eram as borboletas voando em seu estômago e o formigamento na nuca, aonde ela o havia tocado.

Durante a concentração dos juízes, depois de terminadas todas as apresentações, as duas equipes, de dança e de música, permaneceram juntas. Vendo uma chance surgir à sua frente, Jason procurou pela garota que tinha tido tal efeito sobre ele. Primeiro tratou de descobrir como ela se chamava: Carla Ferrera. Ela estava conversando com uma amiga, que logo saiu. Se aproximando, ele começou a falar, nas sentiu novamente o tempo se estender. As borboletas em seu estômago se agitaram furiosamente. Seus pensamentos se tornaram uma grande imensidão branca.

- Er... O, o, oi – Disse ele, completamente sem jeito, sentindo-se o mair dos idiotas.

- Ah, olá! – ela respondeu, com um sorriso tão espontâneo que acabou por deixá-lo ainda mais encantado e nervoso.

Agradecendo aos céus pela fraca iluminação, que a impedia de perceber que estava mais vermelho que um pimentão, ele continuou:

- Uhh... É que... – Tentava desesperadamente dizer alguma coisa, qualquer coisa – Bela apresentação! – soltou finalmente.

- Ah, muito obrigada – ela disse, ainda com aquele sorriso nos lábios, que agia como um soco diretamente no cérebro do rapaz, anestesiando-o.

As borboletas no estômago de Jason se agitaram mais ainda, e ele teve a nítida impressão que elas o fariam decolar ali mesmo.

- Er... Bem, boa sorte! – Ele disse, sem pensar claramente nas palavras – Até a próxima!

Então ele saiu o mais rapidamente que podia sem que saísse correndo em disparada. Com certeza ela o achava um idiota, depois disso.

*~*~*~*~*

- Oi, Terra para Jason. Responda, Jason – Disse Mike, cutucando o ombro do amigo.

- Hã, o que? – Jason respondeu, voltando a si – O que houve, cara?

- Você, olhando de novo para a Carla. Estava quase babando... de novo!

- Eu não estava babando!

- AINDA não. Você anda muito distraído, este ano. Não entendo como suas notas AUMENTARAM, com tudo isso.

- É, acontece... – e completou, mentalmente – Tenho que fazer uma boa impressão de alguma maneira, não é?

- E por que mesmo você ainda não a convidou para sair? Você meio que sabe quase tudo sobre ela. Não deve ser complicado agradar em um encontro.

- Bom, eu até tentei... – Pensou durante alguns segundos, antes de continuar – Mas parece que todos os caras populares da escola chegaram a um acordo: não deixar os caras normais se aproximarem das garotas populares. Sempre que tento chegar perto dela algum atleta bonitão me interrompe, ou me prende no armário, ou me jogam no lixo, ou jogam milkshake na minha cara e por aí vai... – E no instante em que terminou a frase, soou o sinal de saída. – Pizza e videogame mais tarde?

- 16h, minha casa, você leva a pizza.

- Ok, ok... vou levar uma de...- Jason começou a dizer, mas foi interrompido pelo prof. Mathews.

- Sr. Armstrong? Posso tomar um minuto do seu tempo?

- Claro, professor. – E, virando-se para Mike, continuou. – Eu falo com você mais tarde, Mike.

- Boa sorte, cara.

Vendo Mike ir embora, Jason subitamente sentiu um frio percorrer sua espinha. O professor estaria irritado por que não vinha prestando atenção às aulas? Mas ele estava com as melhores notas da turma! Como poderia se encrencar? E por que Carla estava em pé ao lado do professor?

- Pois não, Sr. Mathews? Em que posso ajudar?

- Sr. Armstrong, eu gostaria de lhe pedir um pequeno favor. A srta. Ferrera me pediu uma pequena ajuda com os estudos, mas, infelizmente, meu tempo anda um tanto escasso. Como suas notas são muito boas, eu gostaria de saber: o senhor poderia dispor de alguns dias para ajudá-la nos estudos?

Os olhos de Jason saíram do professor e pousaram sobre a garota. Ela olhava diretamente para ele, o rosto levemente avermelhado.

- Claro, que se você não puder... – ela disse.

- Não, não. Seria um prazer ajudá-la, Carla. Quando você quer começar?

- Será que eu poderia ir hoje na sua casa? Não vou incomodar?

- Imagine, eu não tinha planos para hoje. – E, mentalmente, completou – Foi mal, Mike. A pizza e o videogame vão ficar para outro dia.

*~*~*~*~*

Naquela tarde, Jason não largou sua fiel guitarra, em uma tentativa de esquecer o nervosismo. Já havia tocado Aerosmith, Red Hot Chilli Peppers, e ia arriscar uma música do Jamiroquai, quando percebeu sua mãe parada na porta do quarto, com Carla ao seu lado. A garota parecia um pouco tímida, o rosto levemente avermelhado.

- Jason, você tem uma visita.

- Ah, obrigado mãe. – Respondeu o garoto, enquanto desligava o amplificador e guardava a guitarra.

- Obrigada, Sra. Armstrong.

- Bem, caso precisem de alguma coisa, estarei no andar de baixo. – Disse a sra. Armstrong em um tom suave, mas que Jason sabia que significava “Deixe esta porta aberta e nada de gracinhas, meu rapaz.”.

Depois que a mãe saiu, Jason apanhou a bolsa da garota e, apontando para uma das poltronas, disse:

- Bem, pode ficar à vontade, Carla.

- Você um quarto muito legal, Jason! – Ela disse, olhando para todos os lados.

O quarto tomava todo o sótão da casa. A parede que dava para as escadas era isolada acusticamente, assim como a porta. Em um dos cantos ficava a cama, com uma pequena pilha de livros no chão ao lado. Logo ao lado da cama, uma estante repleta de livros. Do outro lado, os instrumentos, devidamente organizados: duas guitarras, um baixo, um violão e uma bateria. Entre os instrumentos e a cama, uma janela, entreaberta para permitir a entrada do vento de outono. Ao lado da janela, um móvel com a TV, um aparelho de DVD e um videogame, com duas enormes e confortáveis poltronas em frente. Nas paredes, pôsteres de cinema emoldurados com alumínio e vidro.

- Você acha mesmo? – Disse, um pouco sem jeito. – Obrigado.

Ela andou um pouco pelo quarto, examinando melhor o local.

- Adorei esses filmes, sabia. – Ela disse, examinando três pôsteres atrás dos instrumentos.

- O Senhor dos Anéis? Também gostei, mas preferi os livros. Você já leu?

- Ainda não. São bons?

- O começo do primeiro é meio chato... Mas melhora muito depois da metade. Posso emprestar pra você, se quiser.

- Sério? – O rosto da garota não escondia a animação. – Obrigada!

E assim começou a tarde. Depois que o nervosismo de ambos se dissipou, passaram uma tarde agradável, conversando animadamente sobre vários assuntos diferentes: sabores de sorvete preferidos, bandas que gostavam, filmes... vários assuntos, e vários interesses em comum. Sobrou tempo até para estudarem.

*~*~*~*~*

Passados quase seis meses desde a primeira tarde de estudos entre eles, o relacionamento entre eles havia mudado muito pouco dentro da escola: ele sequer conseguia se aproximar dela, quanto mais trocar algumas palavras. Sempre era interrompido por algum dos alunos mais populares, que a cercavam. O que confortava Jason era o fato de que nenhum dos avanços destes tenha sido correspondido.

Fora da escola, a coisa era diferente. Sem os vários pretendentes, os encontros para estudos continuavam, pelo menos uma vez por semana. Até onde cabia ao rapaz, tudo ia bem. Mas as férias se aproximavam. Por que ela manteria contato com ele durante esses meses sem aulas? E se neste período ela encontrasse um cara legal, e decidir namorar esse cara?

O tempo de Jason estava acabando, ele sabia disso. Em menos de um mês seria o show de talentos da escola. Um ano, desde que a vira pela primeira vez. Um ano que se apaixonara por ela. Menos de um mês... E ele sabia o que ia fazer.

*~*~*~*~*

Finalmente era a noite do show de talento. Em duas semanas, o ano letivo chegaria ao fim e, durante este período, todos estariam extremamente ocupados com as provas finais, e Jason sabia que teria ainda menos chances de se encontrar com Carla. Aquela noite era decisiva... Para o bem ou para o mal.

Naquele ano, cada participante se apresentaria individualmente portanto o número de apresentações havia aumentado substancialmente. Mesmo com as apresentações se iniciando cedo, Jason só se apresentaria por volta da meia-noite, logo após a apresentação de Carla.

- Perfeito. – ele disse baixinho, logo após ver a escalação da noite.

Logo que começaram as apresentações, o nervosismo começou a se apossar dele. As mãos suavam, o arrepio que subia na sua nuca aumentava a cada instante, cada segundo de apresentação de algum colega se estendia por uma eternidade. Ele não era o único apreensivo com a apresentação. Carla estava em um canto, sentada e cabisbaixa. Naquela noite usava um top roxo, calças jeans e um par de sapatilhas, maquiagem em estilo indiano e havia tingido de roxo as pontas dos cabelos. Estava linda, aos olhos de seu admirador.

Outro detalhe que não passou despercebido aos olhos dele foi a garrafa de água vazia, ao lado do banco em que ela se encontrava. Ele havia percebido que a garota invariavelmente bebia muita água quando estava nervosa: ele sempre a via com pelo menos uma garrafa nos dias de prova. O curioso é que aparentemente, ela própria não tinha percebido o fato até que ele o apontasse, logo em uma das primeiras sessões de estudos.

Depois de fazer uma visita à maquina de vendas mais próxima, ele finalmente se aproximou dela:

- Com sede? – Disse, estendendo uma garrafa de água para ela. – Achei que ia querer uma.

Ouvindo a voz já familiar do amigo, ela ergueu o rosto. Sorrindo, ela aceitou a garrafa que o migo oferecia.

- Obrigada, Jason. Como você sabia?

- Foi só um palpite. – Disse enquanto sentava-se no chão, ao lado dela. – Nervosa? Você é a próxima, não?

- Sou. Mas não sei se consigo subir lá e dançar sozinha na frente daquele pessoal todo.

- Se serve de consolo, acho que você é uma excelente dançarina. Não tem motivo nenhum pra ficar nervosa.

- Não é bem... – Começou a garota, mas foi interrompida por um dos juízes, chamando-a para subir ao palco. – Mas já? Bem, depois nos falamos, Jason.

- Boa sorte. – Ele colocou a mão no bolso e retirou um pedaço de papel dobrado. – Antes de você ir, pegue isso.

Confusa, a garota pegou o papel e olhou para ele com uma expressão confusa.

- Leia depois que você sair do palco. Por favor.

Concordando com a cabeça, ela colocou o papel no bolso e foi para o palco. Naquela noite, ela dançou ao som de Ojos Asi, de Shakira, e logo que terminou, foi aplaudida como poucos haviam sido naquela noite. Quando ela saiu do palco, Jason já estava preparado para se apresentar. Usava praticamente as mesmas roupas do ano anterior: Calças de linho preto, camisa de botão, óculos escuros e um fedora na cabeça. Quando se cruzaram no caminho para o palco, ele ouviu um leve “Boa sorte.”.

Quando estava no meio do palco, olhou para os bastidores e a viu. Terminava de ler o bilhete e logo passou a esperar por ele, intrigada. E ele começou:

Since the moment I spotted you
Like walking round with little wings on my shoes
My stomach’s filled with the butterflies…and it’s alright
Bouncing round from cloud to cloud
I got the feeling like I’m never going to come down
If I said I didn’t like it then you know I’d lied
Every time I try to talk to you
I get tongue-tied
Turns out everything I say to you
Comes out wrong and never comes out right
So I’ll say ‘why don’t you and I get together and take on the world and be together forever
Heads we will and tails we’ll try again
So I say why don’t you and I hold each other and fly to the moon and straight on to heaven
Cause without you they’re never going to let me in
When’s this fever going to break?
I think I’ve handled more than any man can take
I’m like a love-sick puppy chasing you around
And it’s alright
Bouncing round from cloud to cloud
I got the feeling like I’m never going to come down
If I said I didn’t like it then you know I’d lied
And slowly I begin to realize this is never going to end
Right about the same you walk by
And I say ‘oh here we go again’

Ele tocou como nunca antes havia tocado. Os aplausos que vieram realmente não importavam muito para ele, assim como o resultado do show. Havia feito o que tinha se proposto, e agora só restava esperar pelo desfecho.

Esperava conseguir conversar com Carla agora, mas não a encontrou em lugar algum, mesmo depois de alguns minutos procurando. Esperando pelo pior, ele foi para a sala de música, seu lugar favorito na escola, para tentar acalmar-se e tentar entender o que se passava ali. A sala estava vazia, àquela hora, então ele se sentiu a vontade para ligar um dos amplificadores e tocar uma música, para pensar. Desligou-se do mundo e começou a tocar:

It’s midnight - And I don’t want to see you leaving
Thought of you - going back - back to him -
is killing me
Baby please - how can you torture my heart
We both know - where we belong
we belong here in each other’s arms
Come with me and we can make the heavens sing
Can’t deny the forces that you feel within
Come with me and we can make the heavens sing
"Let me love you tonight"
"Let me love you tonight"
(if you)
Go we’ll never know - what tomorrow brings
Got to be a way to end this - suffering
Come with me and we can make the heavens sing
"Let me love you tonight"
"Let me love you tonight"
Baby I - I don’t wanna see you hurting…(no more)
Gotta do what’s right - ’cos we can’t - can’t go on
like this anymore
I’m on my knees - you know it’s over with him
So why go back - when all that you need
You know that it’s right here with me
Come with me and we can make the heavens sing
Can’t deny the forces that you feel within
Come with me and we can make the heavens sing
"Let me love you tonight"
"Let me love you tonight"
(if you)
Go We’ll never know - what tomorrow brings
Got to be a way to end this - suffering
Come with me and we can make the heavens sing
"Let me love you tonight"
"Let me love you tonight"

Só quando terminou a música que o rapaz percebeu que não estava mais sozinho na sala. Carla estava em pé na porta da sala, com uma expressão, que o rapaz não conseguiu decifrar, em seu rosto.

- Li o seu bilhete.

A frase não era exatamente a que o rapaz esperava.

- E o que me diz então? – Disse ele enquanto guardava a guitarra.

- Você realmente sente aquilo? O que disse na música? A que tocou no palco, dedicada para mim.

- Cada palavra.

Um silêncio se fez na sala. Ela o quebrou, após o que pareceu uma eternidade.

- Jason, feche os olhos.

- Como?

- Feche os olhos. Tenho a resposta para sua música, mas preciso que feche os olhos.

- Tudo bem... – disse ele, fechando os olhos.

Ele pôde ouvi-la andando pela sala, se dirigindo até o aparelho de som. Ele conseguiu distinguir perfeitamente o som de um CD sendo colocado no aparelho, seguido novamente pelos passos dela. Ela colocou as mãos dele em sua cintura, e colocou as suas nos ombros do rapaz. A música começou então a tocar e ela conduzia-o em uma dança:

Strangers in the night exchanging glances
Wondering in the night
What were the chances we'd be sharing love
Before the night was through.

A surpresa dele não tinha tamanho. Abriu os olhos e encarou-a.

Something in your eyes was so inviting,
Something in your smile was so exciting,
Something in my heart,
Told me I must have you.

O rosto dela estava vermelho, mas ela sorria. Ele não sabia o que pensar, o que sentir.

Strangers in the night, two lonely people
We were strangers in the night
Up to the moment
When we said our first hello.
Little did we know
Love was just a glance away,
A warm embracing dance away and –

Eles se aproximavam cada vez mais. Os olhos não se desviavam. Os rostos se aproximavam pouco a pouco, até que finalmente se beijaram. Ambos se perderam nos lábios um do outro, e não perceberam quando a música terminou.

Ever since that night we've been together.
Lovers at first sight, in love forever.
It turned out so right,
For strangers in the night.

Não souberam quem venceu o concurso, e nem se importaram.

O Bode


Arquivado em

____________________________________

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog