5 de fevereiro de 2013

Desafio Literário 2012: Fevereiro - Livros que nos Façam Rir || O Noivo da Princesa

Ouçam. (Adultos, por favor, pulem este parágrafo.) Não quero afirmar que este seja um livro trágico. Eu já lhes disse na primeira frase que ele é o meu favorito. Mas a partir de agora muitas coisas ruins estão para acontecer.
Vim redescobrir essa história acho que uns dois anos atrás. Eu lembrava vagamente de ter visto o filme em alguma sessão da tarde quando algum conhecido comentou, fui atrás do DVD, revi, descobri que era um livro e surtei atrás dele – até encontrá-lo lindo e maravilhoso em um sebo, só esperando por mim.

O Noivo da Princesa, no original, The Princess Bride e no título do filme, A Princesa Prometida nasceu já clássico. Há...
Esgrima. Lutas. Tortura. Veneno. Amor verdadeiro. Ódio. Vingança. Gigantes. Caçadores. Homens maus. Homens bons. As mulheres mais bonitas. Cobras. Aranhas. Bichos de toda espécie e descrições. Dor. Morte. Homens corajosos. Homens covardes. Os mais fortes. Perseguições. Fugas. Mentiras. Verdades. Paixão. Milagres.
É, enfim, um daqueles títulos que eu queria ter descoberto na infância, que teria sido um favorito do meu eu criança e que eu poderia reler à medida que fosse crescendo, a cada nova leitura torcendo para que Inigo consiga sua vingança, Fezzik encontre novas rimas e seu lugar no mundo, Vizzini pare de usar a palavra ‘inconcebível’ de formas tão absurdas, Humperdinck receba o que merece e Buttercup e Westley possam finalmente ficar juntos.

Esse é também o livro mais divertidamente metalingüístico que já li na vida. Explico: o autor, Goldman (roteirista do famoso Butch Cassidy), afirma que não está escrevendo uma história original, mas fazendo uma ‘condensação’ de um livro que seu pai leu para ele em sua infância e que marcou sua memória de tal forma que ele desejava imensamente que seu próprio filho também lesse.

Só que, após dar o livro para o filho (que detesta a coisa toda), Goldman descobre que a história que ouviu de seu pai não é exatamente a história do livro – escrita por um autor florinense chamado Morgenstern -; mas uma versão que pulava todas as partes ‘chatas’ referentes a questões políticas de Florim, o reino em que a história se passa.

Confesso que quando me deparei primeiro com o livro, lendo apenas a sinopse, eu acreditei piamente que havia um livro escrito por um Morgenstern, mas a introdução (hilariantemente azeda) de Goldman dissipou tal idéia de minha mente.

Enfim, O Noivo da Princesa conta a história de Buttercup, considerada a mulher mais bela do mundo à época em que a história do livro se passa, e Westley, o jovem responsável pelo estábulo da fazenda que pertence à família dela. Buttercup não se preocupa muito com rapazes ou com sua aparência e seus dois hobbies favoritos são cavalgar e tratar o pobre ‘Peão’ como seu escravo pessoal – e para todas as ordens que Buttercup dá, a única resposta que Westley dá sempre é ‘como queira’ (na versão original, as you wish).


O ‘como queira’ de Westley é sempre um ‘eu te amo’ disfarçado. Buttercup, que é um tanto imatura demais, não percebe isso até que pareça ser tarde demais. Felizmente, eles afinal conseguem conversar numa língua que todos são capazes de compreender, trocam juras de amor eterno e Westley deixa a fazenda, decidido a ir para a América fazer fortuna.

Infelizmente, antes que ele possa chegar à costa, o navio em que ele viajava é atacado pelo Terrível Pirata Roberts, que jamais poupa ninguém em suas incursões. Westley morre e Buttercup jura que jamais vai amar de novo.

E isso é só o primeiro capítulo.

Só que a vida continua e a beleza de Buttercup chama a atenção do príncipe herdeiro de Florim, Humperdinck – cuja única real paixão no mundo é caçar. O príncipe a pede (ordena) em casamento, ela diz que não pode amá-lo, ele diz que está tudo bem, e eles se tornam noivos... e às vésperas do casamento, três anos depois da morte de Westley, Buttercup é seqüestrada por um trio de malfeitores: o espanhol, o turco e o veneziano.

O espanhol é, provavelmente, o personagem mais icônico do filme e do livro. Na verdade, todos os personagens de O Noivo da Princesa são apaixonantes, mas Inigo Montoya é um bufão tragicômico: seu pai, um magnífico artesão de espadas, foi assassinado na sua frente por um homem de seis dedos. Este homem deu a Inigo duas cicatrizes no rosto, para que sempre se lembrasse da empáfia que o garoto teve ao tentar enfrentá-lo na ocasião.

Desde então, Inigo cruzou o mundo inteiro, aprendendo técnicas de espada até se tornar um mestre espadachim, considerando-se assim pronto para enfrentar o homem de seis dedos. Infelizmente, tal criatura, quando ele está afinal pronto para o embate, parece ter sumido da face da terra e para não se afogar no amargor do fracasso, Inigo decide se afogar no conhaque.

Há também Fezzik, o gigante turco de força assombrosa. Fezzik pode parecer um bruto, mas na realidade é uma criança que cresceu rápido demais (de forma literal também), que adora rimas e tem um único medo na vida: ficar sozinho.

Para completar o trio de bandoleiros, há Vizzini, o veneziano, cabeça (oca) do grupo, que se acha um grande intelecto e para tudo o que acontece tem sempre a mesma frase de efeito: ‘inconcebível’. Vizzini convenceu Inigo de que poderia ajudá-lo a encontrar o homem de seis dedos e permitiu a Fezzik que escapasse de uma vida de solidão.

Bem, eles seqüestram Buttercup às vésperas do casamento querendo assassiná-la na fronteira entre Florim e Guilder (o país vizinho), de forma a incriminar os guilderianos e com isso iniciar uma guerra. Os três foram contratados por alguma figura obscura que talvez tenha ou talvez não tenha algo a ver com o homem de negro usando máscara que passa a persegui-los incansavelmente.

Dizer muito além disso estraga as surpresas e reviravoltas que o enredo possam trazer (embora muitas possam ser adivinhadas de pronto, devido ao próprio caráter caricatural que a obra tem). É um livro rápido, de cenas ágeis, daquelas de tirar seu fôlego, de imprimir-se de forma definitiva em seu imaginário pessoal. Tanto que após ler (ou assistir o filme), você começará a praguejar ‘inconcebível’ com uma bem determinada entonação; assumirá um ‘como queira’ como uma declaração de amor verdadeiro e de espada em punho avançará diante de seu inimigo dizendo:


Nota: 5
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: O Noivo da Princesa
Autor: William Goldman
Tradutor: Gilda Stuart e Felipe Rajabally
Editora: Círculo do Livro
Ano: 1973
Número de páginas: 260


A Coruja


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3 comentários:

  1. Adoro "O Noivo da Princesa"! É uma história que todos que gostam de fantasia deveriam ler.

    Não sabia que tinha um filme, vou tentar encontrar na internet.



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    Respostas
    1. Pois é, já eu sabia que tinha o filme e não sabia que existia o livro, vim descobrir isso depois...

      E concordo plenamente Alexia. Esse é um daqueles livros que eu gostaria de ter lido mais nova (embora ele não seja lá totalmente recomendado para crianças) e relido várias vezes ao longo da adolescência até a idade adulta - porque a cada vez seria uma nova descoberta. Ele tem tantos níveis de interpretação, tanto humor que você só descobre ficando mais velho, mas tanto encanto que necessariamente você acredita quando criança...

      Muito, muito, muito bom livro!

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  2. Já esbarrei nesse livro diversas vezes na Biblioteca, mas nunca me interessei por causa da capa. Mas como gostei da sua resenha, acho que vou ver o filme e talvez ler o livro também...

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