25 de janeiro de 2013

Divagações sobre Mr. Darcy

Mr. Darcy, a princípio, fora quase com relutância que lhe admitira uma certa beleza; no baile olhara para ela sem admiração, e na vez seguinte olhou-a apenas para criticar, Porém, mal ele se certificara a si e aos amigos da quase inexistência de um traço bonito naquele rosto, quando começou a achá-la invulgarmente inteligente pela bonita expressão de seus olhos negros. Embora seu olho crítico tivesse detectado mais de uma falha de simetria na forma de seu corpo, era forçado a reconhecer-lhe uma figura pura e agradável; e, apesar de considerar seus modos muito aquém dos do mundo elegante, cativaram-no por sua graciosidade simples.
Para quem está perdido na batatinha e ainda não sabe, segunda-feira agora, dia 28 de janeiro, estaremos comemorando 200 anos de publicação de um dos maiores clássicos da literatura inglesa: Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

Neste exato momento eu estou provavelmente já apresentando meu trabalho no IV Encontro Nacional da JASBRA, falando sobre Austen, contos de fadas e Shakespeare (porque gosto de fazer referências cruzadas loucas assim). Enquanto isso, vou deixar vocês com algumas divagações minhas sobre Mr. Darcy, que não chega a ser meu parente, mas é quase como se fosse...

Ao contrário de muitos fãs fanáticos de Austen, Orgulho e Preconceito não é meu romance favorito da autora (eu continuo adorando-o, mas não é meu favorito). Como já discutimos amplamente em algum lugar aqui pelo Coruja, meu coração pertence ao Capitão Wentworth...

Eu tenho uma certa birra com Darcy por conta daquela primeira declaração. A verdade é que naquele momento, ele não é muito diferente de Mr. Collins – tanto Darcy quanto Collins se aproximam de Elizabeth com a certeza absoluta de que seu pedido será aceito. Afinal, que outras perspectivas ela tem? Não apenas eles tomam o pedido formal como apenas uma norma de etiqueta a ser cumprida como ambos não questionam se Lizzie gosta ou não deles.

Sério, prestem atenção na cena em Rosings. Darcy fala...
“Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente”
Ele não se pergunta se Lizzie pode amá-lo. Em vez disso, impõe os seus sentimentos e não duvido que ele não se importaria, nesse momento, se ela tivesse aceitado se casar com ele simplesmente porque ele é um bom partido.

Talvez por isso o reencontro dos dois em Pemberley tenha tanto impacto, porque daquela feita é óbvio o quanto ele deseja o afeto e aprovação dela. Ele não tem, a princípio, esperança de que ela de repente decida que está loucamente apaixonada por ele (e creio que mesmo o orgulho e o medo aja aqui um pouco para segurá-lo diante da possibilidade de uma nova rejeição), mas isso não o impede de procurar a boa opinião dela.

E esse é o grande ponto do Darcy, essa mudança pela qual ele passa, não necessariamente para conquistar a garota (mas também por isso), mas porque ele é capaz de enxergar e admitir seus erros e é absurdamente difícil fazer isso. É difícil assumir que você errou, que você não agiu da melhor maneira possível. E ele não apenas assume isso como busca por todos os meios possíveis, se não consertar, ao menos tentar fazê-lo.

Mais até do que o que ele faz pela Lizzie, surpreende-me a coragem que ele teve de assumir para Bingley o papel dele na separação do amigo e de Jane Bennet. Aqui ele corre um risco muito grande, de perder a amizade de Bingley (uma coisa real, em contraste com a possibilidade abstrata de algum afeto da parte de Elizabeth) e mesmo assim ele assume sua culpa.

Particularmente, eu acho isso fantástico. Aliás, esse é o fator principal para que eu goste tanto do Wentworth - a capacidade de admitir que estava errado e saber pedir desculpas. A diferença entre os dois é que o capitão foi profundamente magoado no passado pela Anne, enquanto Darcy começa achando que é o rei da cocada preta (o que ele é, mas não precisa ser um cretino sobre isso).

Enfim... mesmo quando é um cretino, Mr. Darcy é ainda incrivelmente passional e talvez por isso a gente acabe... 'ignorando' certas atitudes dele. E, claro, uma vez que você pense como vai ser a relação dele com a Lizzie após o final do livro - quando você imagina o cuidado, o carinho e também a paixão que ele dedica à mulher, é difícil dizer que estando no lugar dela, teríamos também dito não àquele primeiro pedido. Eu acredito que eu diria não, mas quando você está lendo pela segunda, terceira, décima vez o romance e sabe exatamente o que o homem será capaz de fazer por ela mais tarde, talvez não seja possível dissociar as imagens de Darcy pré e pós Rosings.

E vocês? Quais são suas divagações sobre Mr. Darcy?


A Coruja


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