quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Projeto Pratchett: Interesting Times




“Chaos is found in greatest abundance wherever order is being sought. It always defeats order, because it is better organized.”

Terry Pratchett – Interesting Times
Mais de dez livros separam este volume do início de tudo - A Cor da Magia/A Luz Fantástica e finalmente reencontro um personagem que me deixou muitas saudades na série Discworld - o eternamente otimista Duasflor.


Agora, não sei se fui eu que deixei escapar as pistas ou se foi pelo fato de ter ligado na minha cabeça Duasflor ao Sean Astin, que o interpretou na minissérie, o fato é que até então não tinha me dado conta que o primeiro turista do Disco era, na verdade, um chinês. Ou o equivalente a um chinês em Discworld...

Tudo começa com uma mensagem enviada do Império Agateano para Ankh-Morpork, solicitando o envio do 'Great Wizzard'. Ora, considerando que o império nada em ouro, tem um exército regular bem disciplinado e é o berço da Arte da Guerra, não é uma boa idéia negar favores a eles. De forma que Lorde Vetinari solicita ao Arquichanceler que envie o tal grande mago.

Só que não se trata de qualquer mago. Aquele duplo z ali não é um erro de grafia. Não. Porque existe um grande Wizzard, que anda com tal palavra bordada em seu chapéu, quase como credencial de que é, realmente, um mago: é, ninguém mais, ninguém menos, que Rincewind.

O que os bem-disciplinados agateanos estão querendo com o fracasso ambulante que é Rincewind não importa muito no grande plano das coisas. O único problema é que ele não é visto daquele lado do mundo desde os eventos de O Oitavo Mago. Assim é que os magos seniores da Universidade Invisível têm primeiro de encontrar Rincewind (que felizmente deixou o Calabouço das Dimensões em Eric e está preso numa ilha deserta, exceto pela companhia da Bagagem... e dos tubarões) e invocá-lo de volta para Ankh-Morpork, para só então despachá-lo para o outro lado do mundo.

Literalmente falando.

Por essas coincidências da vida, tão logo chega ao Império Agateano, Rincewind dá de cara com Cohen, o bárbaro, velho companheiro de aventuras de A Luz Fantástica (a palavra operante aqui sendo 'velho'). Cohen, juntamente com outros colegas bárbaros cujas idades somadas ultrapassam uns quatro séculos e que compõem a Horda Prateada, estão lá para nada mais, nada menos que conquistar o Império e usurpar o trono.

E aí descobrimos que o primeiro nome de Cohen é Ghenghiz e considerando que o encontro se dá quase às margens da Grande Muralha, a coisa faz todo o sentido do mundo.

O problema (ou solução) é que o verdadeiro Imperador está às portas da morte, levando as cinco grandes famílias feudais - os Hongs, Sungs, Tangs, McSweeneys e Fangs - que dominam por ali à beira de uma guerra civil pela sucessão e contra uma rebelião popular que se organizou no "Exército Vermelho" e que começou como uma revolução cultural inspirada num livro chamado O que fiz em minhas férias. Para completar, temos o mais que maquiavélico Lorde Hong, Grande Vizir, assassino, estrategista e - mais importante de tudo - completamente maluco.

É nessa confusçao que Rincewind literalmente cai dos céus, para então ser sucessivamente perseguido, sequestrado, preso e acabar encontrando um exército de guerreiros de terracota, enquanto Cohen e sua Horda (todos os seis) se preparam para dar um golpe de estado e enfrentar não um, mas cinco batalhões e os rebeldes do Exército Vermelho preparam slogans bem educados contra o poder instituído.

E tudo isso, no final das contas, está num tabuleiro em Cori Celesti - a morada dos deuses - onde a Dama (que representa a sorte) e o Destino disputam o destino de um Império (e de Rincewind) com lances de dados e o bater de asas de uma borboleta.

Que você viva em Tempos Interessantes, como diz a antiga maldição chinesa...



A Coruja

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