15 de junho de 2011

Forget-me-not - Capítulo 01



Capítulo 01
'- GRANDE OBERON! Eu matei o príncipe! – ela olhou para o rouxinol que era Mina, que também se encontrava desacordado naquele instante – E matei a princesa! Eu matei o príncipe e a princesa! EU MATEI O PRÍNCIPE E A PRINCESA! EU SOU A PIOR FADA-MADRINHA DA FACE DA TERRA!'


Já faz algumas semanas que venho falando no twitter sobre estar escrevendo uma nova história; um conto de fadas para ser exata. Alguns leitores do Coruja talvez se lembrem de que coloquei citações, reclamei das minhas próprias maluquices e de uma forma geral me diverti imensamente em criar situações extravagantes num formato que, a princípio, é bem constante.

E, se você não está sabendo nada sobre o assunto, então... bem, vai saber agora.

Forget-me-not começou a ser escrita no dia 07 de maio quando acordei às três da madrugada com a idéia da história praticamente já toda formada na cabeça. Tinha recém-acabado de ler História sem Fim e creio que este foi um dos principais motivos de ter acordado numa hora tão imprópria sendo chutada da cama pelos personagens que desfilarão por aqui ao longo do mês.

Não me lembro de ter escrito tanto num único dia, nem de ter conseguido continuar com tanta empolgação por tanto tempo. Normalmente, quando começo uma história, tenho uma idéia geral do que escrever, começo a fazê-lo, mas logo deixo o trabalho pesado um pouco de lado para poder começar a criar mil e um esquemas e quando vejo, perdi um pouco daquela inspiração inicial e tenho que me forçar a continuar baseando-me nas minhas já tradicionais listas.

Este conto foi escrito em lampejos. No último mês praticamente não consegui dar conta de outra coisa e é muito bom que as resenhas do Coruja estivessem todas adiantadas, bem como Na sua estante. Enquanto traço estas palavras, preparo na cabeça o grand-finale da história e acredito que até o final da semana conseguirei terminá-la, quando então poderei respirar fundo e voltar a me dedicar a outros projetos.

Este conto foi pensado como uma história completamente original, ainda que os personagens dela sejam originariamente do Expresso Hogwarts. A idéia era que ele fosse usado como especial de aniversário de oito anos do blog – e para quem é leitor e fã do Expresso, alguns detalhes da história ganharão um significado a mais.

No entanto, como já disse, Forget-me-not é uma história original e não uma fanfic, de forma que mesmo quem nunca pisou no Expresso antes será completamente capaz de compreender o enredo do começo ao fim.

Não posso, claro, adiantar muito sobre a própria história – deixo isso para quando escrever o “Por dentro da cabeça da Autora” ao final dela. Isso não significa, contudo, que não possa jogar um fogo de fogo na lenha da curiosidade de vocês enquanto me delicio com todas as loucuras que me passam pela cabeça ao pensar nessa história.

Escrever contos de fadas é um exercício delicioso. Dá um pouco de dor de cabeça às vezes, porque existem milhares de clichês e armadilhas em que você pode cair. Contudo, você tem extrema liberdade para criar, podendo manter a coisa simples e direta ou desenvolver inteiras mitologias e alicerces.

Contos de fadas têm uma linguagem própria, um tanto repetitiva no sentido de ser musical. São histórias para serem contadas e não apenas lidas.

Várias vezes me peguei sem fôlego enquanto escrevia este conto. Isso acontece sempre que me envolvo intimamente com uma história, a ponto de pular da cadeira em instantes de grande ansiedade. Não nego também que uma vez ou outra, enquanto imaginava qual seria a próxima surpresa que iria jogar em cima dos meus pobres personagens, comecei a valsar solta, cantarolando e sorrindo sozinha.

No final das contas, para mim, escrever não é apenas uma atividade mental, mas física também, e passional.

Seja como for, aqui eu lhes entrego o resultado final de quase um mês de insônia, olhares atravessados no meio da rua enquanto construía meus castelos no ar, e um bocado do meu coração.

Para completar, ainda tenho os maravilhos desenhos que a Dani fez para quase todos os personagens - creio que as maravilhosas ilustrações dela foram outro fator que me deixaram tão empolgada para escrever continuamente esse conto.

Quaisquer semelhanças com filmes, canções, livros e outras narrativas de trancoso não são mera coincidência. Qualquer um poderá citar de cara a inspiração provocada pela já citada História sem Fim, ou por clássicos sessão da tarde como O Feitiço de Áquila e as idéias da necessidade narrativa que Terry Pratchett milita, em especial nos livros das bruxas.

Que este seja um tributo a colcha de retalhos que foram as fábulas de minha infância.

Espero que se divirtam e emocionem tanto quanto eu me diverti e emocionei enquanto acompanhava uma fadinha atrapalhada, um duende avoado, e um príncipe e uma princesa separados por um feitiço lançado por engano, em sua longa jornada por uma Floresta viva com histórias que se cruzam e intercruzam, formando padrões de tapeçarias, imagens de sonho e pesadelo, risos e lágrimas.

E não se esqueçam de comentar porque, sabe como é, estou uma pessoa carente, vivendo dentro da minha própria cabeça por tanto tempo (é sério, quase não tive muita vida social nesse último mês). Façam uma criança feliz, para que ela possa continuar a escrever suas histórias!


A Coruja


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2 comentários:

  1. OMG! OMG!!
    Estou tããããão empolgada!!!!!

    Amo contos de fadas e amo suas histórias! Então tenho certeza que vai ser uma aventura deliciosa!

    Mal posso esperar para ver o resultado desse seu um mês de insônia e parca vida social...

    Beijinhos, Fran.

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  2. Coruja!

    Estava fuçando um twitter e achei esse link. Já tinha visto? Um calendário de corujas!
    http://www.myowlbarn.com/p/owl-lover-2011-calendar.html

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