22 de setembro de 2010

Meu habitat natural


Diz-se que você só pode realmente conhecer os hábitos e costumes de um animal após observá-lo em seu habitat. Pensando nisso, decidi dividir com vocês um pouco do que é o meu nicho ecológico, onde Lulu se sente mais à vontade.

Basicamente, eu vivo entre meu escritório, a estante do corredor e meu quarto. Meu escritório, contudo, embora seja um lugar onde passo uma boa parte do dia, não é exatamente meu habitat - acho que ele seria mais equivalente a uma jaula do zoológico...


Sendo assim, vou apresentá-los à minha estante e ao meu quarto - ou melhor, a detalhes da minha estante e do meu quarto que dizem alguma coisa sobre a pessoa que é Lulu.

Começamos nosso tour, é claro, pela entrada. Tão logo você passa pela porta do meu quarto, essa é a visão que você tem:



Para quem não reconhece, no primeiro papiro nós temos a deusa egípcia Ísis e no segundo, salvo engano, o casal real Ramsés II e Nefertari. Passei por uma fase, lá pelos quinze, dezesseis anos, em que estava absolutamente fascinada com o Egito e esses papiros são exatamente dessa época.

Culpa do Cristian Jacq, se querem saber minha opinião. Chorei como quem acaba de perder um parente quando Ramsés morreu. Mas acho que já contei essa história...

Em todo caso... avançando mais alguns passos, eis minha mesa de cabeceira (e o livro que estava na minha mesa de cabeceira até semana passada, quando tirei as fotos):



Dentro do porta-jóias de porcelana tem dois tercinhos que ganhei de presente. E, sim, aquilo ali do lado do abajur é uma coruja.

No guarda-roupa, ao abrir a porta, você também se depara com uma coruja, acompanhada de um cão que, penso, é um labrador.



Eles são Hórus e Isaac.

Agora, ok, eu sei que Hórus é um falcão e não uma coruja... mas acontece que essa corujinha aí foi presente da Ísis, grande e querida amiga e, sendo presente de uma Ísis, que outro nome eu poderia dar além de Hórus?

O Isaac tem esse nome por causa do Isaac do Expresso. Piada interna. Não peçam para entender...

Um pouco mais adiante, temos minha escrivaninha - que estava até arrumada no dia da foto...



Para completar o passeio, permitam-me mostrar rapidamente a vista que tenho da minha janela - ela é bastante inspiradora.



Agora, minha estante. Gostaria de observar que é bastante curioso que eu tenha tirado mais fotos da estante que do meu quarto. Nem dá para adivinhar porque, não é mesmo?



A estante é no corredor e tem dois lados separados. No primeiro, à direita, mantenho as enciclopédias e livros mais antigos; a grande maioria comprada bem antes de eu nascer.



Estão ali as coleções completas de Jorge Amado, Machado de Assis, José Mauro de Vasconcelos, Graciliano Ramos, Aluísio Azevedo, Monteiro Lobato e muitos outros - eu praticamente não tive de comprar livros quando fui fazer o vestibular...

Enfiados pelos meios, em todo espaço livre e disponível, estão a edição capa dura e colorida de Nárnia (um dos meus tesouros), os volumes de Sandman, As Mil e Uma Noites. não sei quantos dicionários (inglês, francês, espanhol e o dicionário jurídico...), além do Vade Mecum e mais uns tantos outros códigos.

E, é claro, tem a minha sombra no vidro (devia ter fechado as cortinas do quarto do meu irmão...).



Do outro lado estão os livros mais novos, a grande maioria comprada por mim. A primeira prateleira, mais em cima, é de livros mais antigos, clássicos, muitos garimpados em sebos. Estão ali meus volumes de Júlio Verne, a poesia completa de Manoel Bandeira, Homero, alguns volumes de Shakespeare e As Brumas de Avalon acompanhados de dois outros volumes, em francês, da Marion Zimmer Bradley.

A segunda estante é a dos pocket books e está quase tomada de títulos da Julia Quinn. Estão ali também a maior parte das peças de Shakespeare que tenho, além dos meus amados Fausto e O Paraíso Perdido.

A terceira prateleira é a dos livros de ficção fantástica, que é meu xodó e tem um monte de fotos só para ela.

A quarta prateleira divide-se em muitos temas: há livros sobre livros (semiótica), filosofia, mitologia e, claro, história. Ela também tem fotos só para ela, porque é minha segunda prateleira-xodó (hein? como?)

A última prateleira é de livros de Direito e metodologia científica (e alguns de política que não couberam na quarta prateleira, como o magnífico O Choque das Civilizações de Huntington, que eu queria ter lido antes de escrever minha monografia...).

Agora, permitam-me lhes apresentar à quarta prateleira onde impera o único e ingualável... Umberto Eco!



Mais para o lado tem o Bauman e Voltaire, os autores que professores de sociologia e filosofia, respectivamente, realmente deveriam apresentar aos seus alunos. Tem Borges e Habermas escondidos ali pelo meio, e Campbell enterrado com mais outros volumes de mitologia.

E do outro lado está Hobsbawn e Aron... além da biografia do Geisel, que foi um presente para meu pai.



Esse volume de Os Templários tem uma história curiosa... na verdade, ele me foi emprestado por uma professora de literatura no colégio. De alguma forma que não sei explicar, eu manchei a parte de cima das folhas (não as folhas em si, só aquela lombada de folhas em cima) de uma substância verde inominada (até hoje não sei como isso aconteceu - só sei que uma hora estava branco... e na outra vez que vi, estava verde).

Surtei, obviamente. Primeiro, porque sou extremamente cuidadosa e ciumenta com livros e não conseguia descobrir como eu conseguira fazer aquilo - nem aceitar que o fizera. Segundo, porque o livro não era meu, mas um empréstimo; com que cara eu ia devolvê-lo à professora?

Não tinha como... então, comprei outro volume e copiei a assinatura da professora na folha de rosto do livro novo - porque não tive coragem de confessar que manchara o livro dela (em vez disso, virei uma falsificadora).

Em tempo: nunca copiei outra assinatura na vida. E não pretendo voltar a fazê-lo.

Agora, vamos finalmente à minha prateleira favorita: a da fantasia. E das corujas, porque essa é a prateleira com mais corujas na minha estante (embora, se vocês prestaram atenção, perceberam que quase todo canto da estante tem uma coruja...).












Preciso dizer mais alguma coisa? Além do fato de que não sei mais como fazer para caber mais livros aí e tem um bocado chegando pelos próximos dias?

Oh, céus...



A Coruja


____________________________________

 

6 comentários:

  1. Estou apaixonada pela sua estante :P

    P.S.: Desculpe ter desaparecido, quando tentei comentar no dia do seu aniversário, o blogger travou (o.o') e minha vida continua mandando lembranças enquanto eu estou me matando na faculdade... -.-'

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  2. Não se preocupe, Rafa, tudo tranqüilo...

    Também sou apaixonada pela minha estante... huahuahua...

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  3. Acho que já mencionei isso uma vez, mas... tô com inveja da tua estante!

    Perto da tua a minha estante de livros fica tão modesta... Desde de criança que eu sonho em ter uma biblioteca em casa (e não sei de onde tirei essa idéia, uma vez que minha família não é composta de leitores ávidos e muito menos tive muitos incentivos a começar com o hábito), mas minha coleção é bem pequena.

    Um dia, talvez, minha coleção aumente bastante. =P


    Ps: Bela coleção! Troféu joinha pra ela! =D

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  4. Owl, você é de Hellcife é? Acompanho o coruja desde o Especial Pratchett quando procurava qualquer coisa sobre esse Mestre em sintetizar a Vida com palavras eZZZZZZZZ. Poizé. achei parecido com minha cidade...e aí? é ou não?

    :*

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  5. Sim, sim, Rodrigo, mim morar em Recife (mas acho que já disse isso aqui antes, não?)

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  6. Eu me sinto totalmente em casa quando visito a Lulu. LOL
    Ela já tem uma foto antiga minha logo na entrada (KKKKKK) e homenageou meu filho! XP

    É sério, adorei o nome que você deu à coruja. ^^

    Ei, eu não tenho muita certeza, mas o par de gatinhos azuis foi presente meu também? Pergunto pq tenho um casal (rosa, claro) e já os dei de presente para muitas pessoas, mas não tenho certeza se vc alcançou essa época.

    SIIIIIIM, muito bonita a sua estante, adoro a organização tipicamente de escritório dela! ^^
    (E escritório tá mais para jardim zoológico foi ohtimo tb... LOL)

    Eu entendi a piada do Isaac! (tb...)

    O que eu acho fantástico é você ter lido (quase) todos!!!!! Isso sim, me dá inveja. ^^

    Beijos!

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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