3 de março de 2010

De irmãos e aniversários





Há exatamente vinte anos, eu ganhei um irmão caçula.


Minha mãe queria chamá-lo de George. Eu, por meu lado, tinha colocado na cabeça que ele ia se chamar Felipe. Antes mesmo de vê-lo pela primeira vez, apenas conversando com o barrigão de D. Mãe, era Felipe para cá, Felipe para lá.

No hospital, para todos que chegavam a fim de visitar o bebê, eu os apresentava ao meu irmão Felipe.

Minha mãe dizia George.

Finalmente, não vendo como convencer Lulu no alto de seus três anos e alguma coisa, batizaram o menino de George Felipe.

Ninguém na família o chama de George. Nem mesmo D. Mãe. Dentro de casa, ele é, sempre foi e sempre será Felipe. Aparentemente, venci pelo cansaço.

Na verdade, eu não me lembro de ter visto minha mãe usando "George" nos últimos... hum... quinze anos? (Não digo vinte porque não quero parecer convencida e porque essa parte da história me foi contada - eu não tenho quaisquer memórias do dia do nascimento de Felipe).

Na escola e na faculdade, as pessoas o conhecem por George - porque, ao final das contas, a irmã pentelha era mais velha e não podia segui-lo pela escola fazendo todo mundo chamá-lo pelo segundo nome.

É tudo culpa da ata de chamada.

Bem verdade que nossa relação não é das mais amorosas, que brigamos feito cão e gato e que em nossa história há uma série de tapas, chutes, petelecos e até mordidas. Mas, ao final das contas, o que mais poderia ser além de amor fazer absoluta questão de dar um nome à criatura? Fazer parte do mágico processo de criação?

Não estou fazendo sentido, eu sei. Contudo, vamos convir, não faço muito sentido na maior parte do tempo. O que mais me resta então além de resumir a história com um parabéns para você nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida?

Duas décadas, Felipe. Está ficando velho, irmão...


A Coruja


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Um comentário:

  1. Parabéns, Felipe!

    E, convenhamos, se completar duas décadas é ficar velho, então...

    Ah, deixa quieto... :P

    Beijocas!

    ResponderExcluir

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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