8 de fevereiro de 2010

Prosa & Poesia (Especial dia dos namorados) - Parte IV: As Sem-Razões do Amor


Se há um poeta brasileiro a se admirar, este é, sem dúvida, Carlos Drummond de Andrade. Entre ele e Manuel Bandeira, não sei precisar qual dos dois é meu favorito, mas acho que, ao final das contas, fico com o mineiro.

E, se há um poema em que se soube definir a não-definição do amor... é esse de Drummond.

As Sem-Razões do Amor


Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.



A Coruja


Arquivado em

____________________________________

 

Um comentário:

  1. Esse eu conhecia, assim como o das carstas de amor de meu mui amigo Pessoa ^^

    Ow, fica difícil escolher entre Drummond e Bandeira... e, pra dificultar mais ainda, eu ainda coloco a opção do Manoel de Barros! ^^

    Beijocas!

    ResponderExcluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog