3 de janeiro de 2010

Conversas sobre o tempo - na ressaca do ano novo


Primeiro post do ano de 2010! Viva!!!

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A noite estava nublada aqui no ano novo, mas tivemos uma magnífica lua cheia. Achei os fogos um pouco fracos, mas isso talvez se deva ao fato de que eu os estava assistindo da minha janela e não da praia...

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Levei roupa de banho para Gravatá jurando que começaria o ano novo realizando pelo menos uma das minhas resoluções - não ser mais tão sedentária.

Estava frio e choveu durante quase todo o fim de semana.

Talvez seja um sinal...

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Terminei de ler o Júlio César e Tito Andrônico de Shakespeare.

Só tenho uma palavra para definir Andrônico: carnificina. 99% dos personagens termina a história morto, geralmente depois de sofrer algumas severas mutilações. Imagino como seria os coitados dos atores encenando essa peça e tentando caminhar pelo chão do palco coberto de sangue falso.

Quanto a Júlio César, gostei muito dele, especialmente porque o texto tem por tema não a morte de César propriamente dita (como se poderia desconfiar a partir do título), mas sim o poder da palavra sobre as massas.

No espaço de algumas frases, entre o discurso de Brutus e o de Marco Antônio, César vai de cruel e execrável tirano a divino e insubstituível colosso. Uma verdadeira lição de como insuflar massas.

Deveria ser o livro de cabeceira de qualquer estadista... juntamente com O Príncipe de Maquiavel. Especialmente na versão que tem comentários de Bonaparte.

Na minha opinião, os comentários de Bonaparte são a melhor parte do livro.

E eu não estou sendo irônica dessa vez.

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Enquanto lia Júlio César, parei um momento para pensar na importância de uma boa tradução e em como uma tradução errada pode levar a uma interpretação totalmente viajada.

Não que o que eu tenha encontrado na tradução seja um erro grosseiro que tire todo o significado imbuído ao discurso de Brutus, César, Antônio e companhia limitada. É uma coisa até pequena, mas faz a gente pensar no que acontece quando alguém se mete a tradutor sem ter as devidas credenciais.

E isso porque considero a tradutora da versão que eu li uma excelente profissional (baseada em outras obras do próprio Shakespeare que ela traduziu).

Ok, vamos parar de enrolação... o caso é que... volta e meia, eu estava me deparando com "padres" no texto. Fiquei com a pulga atrás da orelha, porque, veja bem... padre vem de pater; significa 'pai'.

Chamar aos oficiantes da Igreja de Padres vem da idéia de um 'Deus Pai', idéia essa nascida no cristianismo (e César é um pouco antes de Cristo...). À época em que a história se passa, o deus supremo no panteão romano era Júpiter (o Zeus dos gregos) que, embora possa ser considerado pai deus no sentido estrito do termo (uma vez que espalhou suas crias pelo mundo sob as mais diversas formas - como Touro, como Cisne, assumindo a aparência de maridos ausentes...), não pode exatamente ser considerado um Deus Pai.

Fui então atrás do texto original, porque, ao final das contas, Shakespeare volta e meia mistura Antigüidade com Inglaterra Elisabetana. E lá estava - no original, a palavra é priest.

Agora 'priest' pode ser traduzido como padre... mas também significa 'sacerdote'.

Como sacerdotes são mais o tipo que abrem passarinhos para fazer augúrios, não é difícil chegar à conclusão de qual a tradução historicamente mais correta na questão...

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Terminado Shakespeare, parti para A Ilha do Tesouro. Ainda estou pela metade, mas, não pela primeira vez, fiquei morrendo de vontade de escrever uma história sobre piratas...

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Encontrei um artigo muito interessante enquanto pesquisava sobre zumbis para escrever meu artigo sobre o assunto. Chama-se Horror Sobrenatural na Literatura e é da autoria de ninguém mais ninguém menos que o mestre absoluto do terror na literatura... H. P. Lovecraft.

(E, se você pensou que eu ia falar 'Stephen King', shame on you).

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Voltando a Shakespeare... assisti já quase todos os episódios de ShakespeaRe-Told, exceto por Macbeth (que é o próximo na minha lista de coisas a assistir).

Gostei especialmente de Muito Barulho por Nada e A Megera Domada, mas achei a versão de Sonho de uma Noite de Verão meio fraquinha...

Vocês podem encontrar os links para baixar os quatro epísódios aqui; mas aviso logo que apenas Macbeth tem legendas, e elas estão em inglês.

E não pela última vez me pergunto: porque esse tipo de material não chega aqui no Brasil?

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Falando na lista de coisas para assistir... ainda tem os DVD's que ganhei da Ana e da Ísis... e do tio Fafa.

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Como se eu precisasse de mais motivos para amar tio Fafa, ele me mandou os DVD's de Hoje é Dia de Maria.

Preciso dizer mais alguma coisa?

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Sobre Ases, tentarei acelerar um pouco a história por esses dias... mas não prometo nada. Aliás, é a primeira vez que estou publicando uma história sem ter um calendário de quando ela termina, quantos capítulos vai ter e sem me obrigar a um deadline para cada um deles.

Sei que não poderia cumprir prazos para escrevê-la e não quero prometer a vocês algo que eu não possa fazer.

Mas tenham um pouco de paciência comigo, sim?

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Depois de ler algumas críticas sobre o filme de Sherlock Holmes, me empolguei para assisti-lo. Tinha ficado meio ressabiada com o fato de que Holmes se mostra um artista marcial na história - afinal, Holmes calcula cada um de seus mínimos gestos para não haver nenhum gasto desnecessário de energia... - mas, pelo que entendi, ele aplica esse seu princípio também na pancadaria...

Vamos ver o que eu acho depois de assistir...

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Nos próximos dias, começarei meus artigos sobre zumbis (como fiz com o de vampiros... talvez depois eu me anime a fazer sobre lobisomens e, quando menos eu esperar, estarei fazendo tratados sobre as muitas mitologias que existem pelo mundo...) e sobre meus autores favoritos, este último atendendo a pedidos.

Vocês querem que eu comece por algum autor em especial ou preferem que eu os surpreenda?

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Mamãe está chamando para jantar. E eu ainda tenho emails para responder... Oh, céus... E assim, começamos 2010...


A Coruja


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