14 de dezembro de 2009

A Princesa e o Sapo





...e então, no meio de todo o estresse dos milhares de processos da Meta 2... eu decidi ir ao cinema. Quatro e meia da tarde, pronta para arrancar os cabelos, meio tonta por causa do sacolejo do ônibus, eu estou praticamente tropeçando para dentro da segunda sessão do dia de estréia de A Princesa e o Sapo.

Sim, eu fui assistir o novo filme de princesas da Disney. Sim, eu era a única adulta desacompanhada no cinema. Sim, eu adorei o filme.


Antes de entrar no mérito da história em si, eu gostaria de tecer algumas considerações sobre a minha história envolvendo contos de fadas.

É o seguinte: eu concordo em gênero, número e grau com Tolkien que contos de fadas não são necessariamente para crianças. Eles foram varridos para o porão das lembranças de infância, mas a verdade é que a grande maioria dos verdadeiros contos de fadas só pode ser totalmente apreciada por adultos.

Os contos de princesas em que a Disney muito se inspirou ao longo dos anos não são necessariamente contos de fadas, embora tragam elementos dos contos de fadas – eles fazem, sim, parte do imaginativo da corte francesa dos séculos XVIII, XIX.

Essa é uma conversa longa, que vai ficar para outro dia. Hoje, vamos manter a coisa bem leve.

Sou uma ávida leitora de contos de fada, apesar de sempre manter um pé atrás com as princesas que aparecem nessas histórias, porque, a princípio, elas só existem para uma coisa: esperar por seu único e verdadeiro amor – de preferência, um que tenha sangue azul.

Dessas, o símbolo maior da eterna paspalhice feminina em contos de fadas é a Bela Adormecida. Não há nenhuma princesa mais inútil que a Princesa Aurora, afinal, ela só aparece na história quando bebê, quando é amaldiçoada; aos dezesseis anos, quando muito inteligentemente enfia o dedo em objeto de aparência pontuda e, por fim, cem anos depois, quando é despertada pelo beijo do príncipe.

Isso na versão comportada da história, é claro. Não vou falar da versão original, porque não quero dar pesadelos em ninguém.

Em todo caso... eu sempre achei que o Príncipe da Bela Adormecida era o mais azarado de todos os príncipes do reino de tão, tão distante, porque, sério? Beijar uma garota que não toma banho nem escova os dentes há cem anos?

Só não coloco a Branca de Neve no mesmo patamar da Aurora porque o histórico da Branca de Neve antes de cair no sono a justifica – ela passou foi tempos cozinhando, limpando, lavando e cerzindo meias e cuecas dos sete anões; ela merecia tirar umas férias e dormir até matar o sono.

Se bem que a Branca de Neve de Gaiman...

Ok, eu estou dando voltas e mais voltas e começando a não fazer sentido nenhum... o que não é nenhuma novidade.

O que eu quero dizer com tudo isso é que as princesas de contos de fadas têm um certo condão a serem uma inúteis... E não me falem da Ariel, porque no final das contas ela virou espuma.

Talvez por isso, meus filmes favoritos da Disney quando eu era criança – apesar de todo o meu gosto por contos de fadas – eram aqueles estrelados por animais.

A Dama e o Vagabundo e O Rei Leão foram, por muito tempo, meus favoritos absolutos.

Até que a Disney lançar Mulan e Hércules.

Eu adorei Megara e Mulan de primeira... em especial a Mulan. Aliás, a memória é uma coisa engraçada. Sabe o que acabei de me lembrar? De quando eu assisti o trailer de Mulan pela primeira vez, apresentado por Maluca e Caju, nos idos tempos da TV CRUJ.

Oh, céus, daqui a pouco começarei a falar da TV Colosso. Isso é do tempo de vocês também?

Em todo caso... Mulan era a primeira das “princesas” que não ficava sentada em casa esperando o príncipe encantado. Aliás, se casar não era exatamente o primeiro e mais querido de seus projetos.

Só que Mulan não era inspirada exatamente em um conto de fadas, mas sim numa história do folclore chinês. Da mesma forma que a Jasmine de Alladin, que saiu direto das páginas de As mil e uma noites (Jasmine também é legal, eu gosto dela).

Assim é que chegamos – finalmente – à princesa Tiana, de A Princesa e o Sapo.

O comentário principal que se tem feito sobre o filme é que Tiana é a primeira princesa negra da Disney. Bem, eu não tenho certeza se esse é um argumento de todo válido, uma vez que ela passa a maior parte da história verde...

A verdade, contudo, é que A Princesa e o Sapo é diferente dos outros filmes da Disney não pelo fato Tiana ser negra, mas por ser uma história passada no “mundo real” – a Nova Órleans da década de 20 – tendo como personagem principal uma garota sem uma gota de sangue azul que passa mais da metade do filme sem se preocupar com se apaixonar.

Não, Tiana não fica sentada pelos espaços boêmios de Nova Órleans esperando que algum príncipe venha a seu auxílio. Em vez disso, ela trabalha dois turnos e junta cada centavo para poder, um dia, construir o restaurante que era o sonho de seu pai – e seu também.

Entra então em cena o príncipe Naveen, da Maldonia, um boa-praça que adora jazz (e a época retratada no filme é a época de ouro do jazz, sendo Nova Órleans justamente o berço dessa revolução musical), está completamente quebrado – uma vez que seus pais cortaram sua mesada – e veio à cidade procurar uma noiva rica a fim de poder continuar na boa vida.

O vilão – o homem da sombra – e a “fada-madrinha” – Mama Odie, são praticantes de vudu. Para completar a trupe, temos ainda um crocodilo que quer se tornar humano para poder tocar trumpete e um vagalume apaixonado por uma estrela.

Eu poderia agora aqui comentar sobre a técnica de animação em 2D que foi ressuscitada para a animação do filme, de acetato e programas de computador... Mas, sinceramente, eu não acho que essa deva ser a tônica da crítica do filme.

Não. A Princesa e o Sapo, a meu ver, seria uma boa história, da maneira como foi traduzida na tela, independentemente do tipo de técnica que tivesse sido usada. Amo musicais; amo personagens femininas fortes e amo contos de fadas – e tudo isso está presente no enredo.

Meu comentário final então é... independente da sua idade, vale muito à pena assistir o filme novo da Disney. Eu saí do cinema consideravelmente mais leve, rindo sozinha, praticamente dançando no meio do shopping.

Falar mais do que isso seria estragar a magia do filme. Em vez de passar meia hora aqui dissertando sobre os prós e contras da adaptação que se fez do conto original, eu recomendo que assistam e tirem suas próprias conclusões.

Uma última observação... fiquei agradavelmente surpresa com a educação da gurizada. A média da faixa etária presente no cinema – tirado os responsáveis acompanhantes – era de cinco para dez anos. Mas nenhuma criança ficou gritando ou externando suas opiniões publicamente. Apenas aplaudiram ao final do filme.

Tão diferente da turma que foi assistir Lua Nova...



A Coruja


Arquivado em

____________________________________

 

7 comentários:

  1. eu quero ver, é legal ver a disney voltar aos clássicos depois de uns filmes (semser os da pixar) brm ruinzinho que sairam!
    eu era do tempo do Cruj e da TV colosso, infernizei minha mãe por anos até ter uma Sheepdog igual a priscilla!

    ResponderExcluir
  2. Bela Adormecida, para mim, igual a Tchaikovsky. Do filme, eu só gostava da Malévola/Maléfica (a bruxa).
    E eu adorava a Mulan (ainda adoro), e a Kida de Atlantis. E Alice. Elas vão à luta, literalmente. Rei Leão, Basil, eu podia ficar horas e horas a listar clássicos da Disney.

    Quanto ao público bem comportado, há locais e locais, e o meu ódio, além dos gritos, é telemóveis a tocar. Telemóvel a tocar a meio de um concerto dá-me vontade de enfiar o bendito pela goela do fulano abaixo.

    ResponderExcluir
  3. Stradivaria, realmente, celular do no meio de uma apresentação é dose...

    Ah... Tchaikovsky... Ok, a suíte da Bela Adormecida é belíssima, mas ela ainda é uma inútil.

    E Pups! A pricila era o que havia! Huahuahuahu...

    Quem diria que o meu cãozinho
    Chegaria de mansinho
    e seria o novo astro da televisão...

    Ele é um colosso
    E não larga o osso
    E de dona já virei fã...
    Ele é um colosso
    que vem me acordar de manhã...

    ResponderExcluir
  4. Nossa eu ia ver o filme no domingo, mas tava lotado....programa de paulista é fogo, se vc não for no cinema é pq vc tem uma casa de praia ou familia no interior..... De qualquer modo vou ver se amanhã eu consigo! Até já marquei com uma amiga minha que tb quer mto ver o filme! Desestressar e coseguir estudar é minha meta esse fim de ano!

    Ah, mais uma coisa, sobre as histórias originais dos contos de fada.... Será que vc poderia falar delas um dia desses? Eu realmente queria conhecer o original.... Só me foi apresentada a versão disney....

    ResponderExcluir
  5. Olha, Lulu, eu já queria ver esse filme... com essa opinião, você multiplicou a minha vontade por mil!

    O interessante é que, pelo visto, a Disney aprendeu a lição com a (agora sua subsidiária) Pixar: de nada adianta investir milhões e milhões em efeitos visuais (e isso vale tanto para 2D quanto para 3D) se não tiver uma boa história. E tirando Lilo e Stitch,, isso estava em falta nos longas 2D da Disney...

    E concordo com a Giu, acho que a maioria dos internautas conhece boa parte dos contos de fada através da Disney... só fui saber mesmo em Mad Tea Party que a Pequena Sereia virava espuma marinha no final...

    Fui!

    ResponderExcluir
  6. Ok, pessoal, atendendo a pedidos... estou já preparando a verdadeira história por trás dos contos de fadas...

    ResponderExcluir
  7. Eu também gostei de ter assistido A princesa e o sapo, tenho lá minhas criticas, mas no final foi uma boa história... até hoje tenho vontade de escrever sobre ela!!!

    ResponderExcluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog